Uma Batalha Estoica

Ontem foi um marco na história do Brasil. A eleição para a presidência da câmara, que deveria ser um evento sucessório natural, veio carregado de artifícios. Uma vitória sem ética, logo, carente de mérito.

Há muito tempo atrás li um livro em que o personagem principal retrata algo familiar nesse contexto: “Cavaleiro da Armadura Enferrujada” de Robert Fisher. A narração é sobre um homem que utilizava sempre uma armadura. Inicialmente, apenas em suas batalhas, mas aos poucos, vaidoso com sua popularidade de guerreiro, ele passa a exibi-la também em outros locais, e cada vez mais, e mais constantemente. Até o ponto em que ele não a retira mais. Primeiro porque não o quer, depois, porque não mais consegue. Ela está enferrujada, oxidada. Sem se dar conta, depois de algum tempo, depois de muitas perdas, ele reconhece o perigo e pede ajuda…

Uma armadura é um invólucro grosseiro por sua própria função e objetivo. Ela varia também em estilo. Pode ser de qualidade nobre, construída com inabaláveis substâncias. Mas pode ser também de plástico, à baixa densidade, cujo preço popular é de um e noventa e nove.

O processo é por vezes lento, mas a sua deterioração é inevitável. À nós cabe buscar a inspiração no estoicismo. Que encontremos paliativos que nos faça conviver pacificamente com a realidade presente da melhor forma possível, sem desrespeitar o que apreendemos dela.

A nossa batalha exige resiliência e o trabalho em nosso limitado campo é onde ela se desenvolve, gloriosamente, mesmo que em silêncio. Sem conquistas não se sobrevive, mas o peso de uma armadura compromete o desempenho.

E quando vemos que a batalha passa a não valer tanto a pena, deixemos à cargo do tempo.



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