Tempo, arte e destino recheiam o suspense ‘Estou Pensando em Acabar com Tudo’, da Netflix

Como autor de filmes como “Quero ser John Malkovich” (1999), “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (2004), e, mais recentemente, junto com Duke Johnson, com a impressionante animação “Anomalisa” (2015), Charlie Kaufman, uma das 100 pessoas mais influentes de Hollywood, segundo a revista Premiere, tem uma carreira notável.

Com “Estou Pensando em Acabar com Tudo” (“I’m Thinking of Ending Things”), seu primeiro trabalho solo como diretor que está disponível na Netflix, baseado no romance homônimo de Iain Reid (2016), o  jogo característico de Kaufman com autorreflexões complexamente entrelaçadas de narrativas cinematográficas está ainda mais excitante.

Na nova produção, embarcamos em uma viagem de uma jovem (Jessie Buckley) e seu novo namorado Jake (Jesse Plemons) no meio de uma tempestade de neve para jantar com seus pais. Durante a viagem, os dois conversam sobre o tempo e o mundo, sobre arte e destino. Ao mesmo tempo, a jovem pensa em como terminar o relacionamento.

Chegando à casa dos pais de Jake em uma fazenda no meio do nada, todo sentimento de espaço e tempo desaparece. Os pais (Toni Collette e David Thewlis) parecem estranhamente ameaçadores e a casa puxa a jovem cada vez mais fundo em níveis de tempo alterados. As conversas giram em torno de arte, identidade e memória. O que são passado e futuro? Qual é a realidade? O que é real?

Superficialmente, a jovem atravessa o horror da situação tensa da primeira refeição em família junto com os pais de um novo parceiro. A sequência é um dos grandes destaques do longa. Graças à atuação destacada dos quatro atores, a cena da mesa de jantar consegue construir uma energia intensa entre os personagens.

Metafórico ao mais alto grau, melancólico da maneira mais bela e nada enfadonho, Charlie Kaufman coloca as questões essenciais da vida e questiona não apenas uma relação de amor, mas sim a relação do indivíduo com sua própria existência. Um ótimo filme.



Estudante de Letras, futuro revisor, ávido leitor, amante da língua portuguesa e apaixonado música e cinema.

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