Tecnologia se desenvolve cada vez mais e é uma das principais armas do terrorismo mundial

“A tecnologia tem um papel decisivo principalmente quando nos referimos ao recrutamento à distância”, diz Leandro Loureiro, mestre e doutorando em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

É notória a influência da tecnologia no mundo atual. Em inúmeras áreas, ela é decisiva por, muitas vezes, “encurtar” espaços e “diminuir” o tempo. Porém, tal recurso pode ser utilizado de diversas formas e com diversos objetivos, inclusive para a propagação da violência. E assim, o terrorismo é colocado em pauta.

Para tratar do assunto, Leandro  Loureiro, Mestre em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutorando na mesma área, que tem como principal interesse o processo de violência, utilizada como forma de propaganda na sua dimensão prática e discursiva, foi entrevistado. Como objeto de seu estudo, tem o Estado Islâmico, da Síria e do Iraque (DAESH).

Perguntado sobre como a tecnologia influencia no terrorismo atual, Leandro foi incisivo, principalmente, quando se refere ao recrutamento à distância. “No meu tema de estudo, que é o terrorismo extremista islâmico, para cometer atentados na Europa, é relativamente mais fácil e mais barato recrutar um muçulmano europeu pela internet do que implantar células externas ou enviar um recrutador para a região”, diz o professor. Assim, pode-se perceber que o encurtamento de espaço promovido pela tecnologia se torna uma arma poderosa para as organizações terroristas.

Tendo como principal tema de estudo o terrorismo extremista islâmico, Leandro foi indagado sobre o fato de o Estado Islâmico ser o grupo terrorista que mais usufrui desse modo de agir, por meio da tecnologia. Ao responder, o pesquisador disse que não pode afirmar que o DAESH – nova sigla utilizada pelos estudiosos da área, para se referirem ao Estado Islâmico da Síria e do Iraque – é o líder no assunto, pois a Al-Qaeda e suas ramificações operam nesse sentido. Porém, afirma que a última fica em desvantagem quando o assunto é número de militantes ocidentais, tendo o DAESH como maior angariador devido sua maior cultura de violência e de heroísmo, sem um intenso foco na doutrina religiosa como a organização que foi liderada por Osama Bin Laden.

Além disso, o doutorando acrescenta que, segundo opinião pessoal, o que mais convence o indivíduo é a violência e a estética, no sentido de dar uma identidade para o mesmo, transmitindo-os através de uma mensagem curta e fácil, do que o próprio viés religioso.

Por último, foi perguntado se é possível frear essa disseminação do terrorismo através da tecnologia. Paulatinamente, Leandro diz que é possível evitar um terrorismo como um fenômeno de massa, com milhares de pessoas cometendo atos de violência com o intuito de causar medo nas populações. Porém, é um problema com que a humanidade convive há séculos. Fazendo um apanhado histórico, o pesquisador diz:

“Acredita-se que os primeiros terroristas foram os “sicários”, nome dado as zelotes judeus que tentavam expulsar o Império Romano da região da Judeia por volta do ano 70 d.C. Outros exemplos mais antigos são a Ordem dos Assassinos Ismaelitas na Idade Média, os terroristas anarquistas no século XIX e XX e a Klu Klux Klan nos Estados Unidos.” Além disso, Leandro ainda diz julgar como a melhor forma de combater o terrorismo, a criação de novos sentidos de identidade, ou o reforço dos já existentes, mas sempre de forma a incluir as populações”.Assim, a tecnologia pode ser considerada uma das principais armas dos grupos terroristas e, com seu poder de recrutamento, contribui para aumentar o número de adeptos a esses grupos cada vez mais.



Graduando de Jornalismo e interessado em todos os assuntos.

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