SPDA (Sistema de Proteção Contra descargas atmosféricas): desmistificação, importância, riscos envolvidos e competências

Matéria original:  https://www.linkedin.com/pulse/spda-sistema-de-prote%C3%A7%C3%A3o-contra-descargas-import%C3%A2ncia-frank-toshioka/

1) Descargas Atmosféricas

Descargas atmosféricas são descargas elétricas de grande extensão (alguns quilômetros) e de grande intensidade (picos de intensidade de corrente acima de um quiloàmpere), que ocorrem devido ao acúmulo de cargas elétricas em regiões localizadas da atmosfera, em geral dentro de tempestades. A descarga inicia quando o campo elétrico produzido por estas cargas excede a capacidade isolante, também conhecida como rigidez dielétrica, do ar em um dado local na atmosfera, que pode ser dentro da nuvem ou próximo ao solo. Quebrada a rigidez, tem início um rápido movimento de elétrons de uma região de cargas negativas para uma região de cargas positivas. Existem diversos tipos de descargas, classificadas em função do local onde se originam e do local onde terminam. (INPE, 2022).

Descargas atmosféricas – Fonte: BBC, 2022 acesso em G1, 2022

2) SPDA

SPDA significa sistema de proteção contra descargas atmosféricas. Segundo a ABNT NBR 5419-1:2015, uma proteção ideal para estruturas é envolver completamente a estrutura a ser protegida por uma blindagem contínua perfeitamente condutora, aterrada e de espessura adequada, e, além disso, providenciar ligações equipotenciais adequadas para as linhas elétricas e tubulações metálicas que adentram na estrutura nos pontos de passagem pela blindagem. Isto impede a penetração da corrente da descarga atmosférica e campo eletromagnético associado na estrutura a ser protegida e evita efeitos térmicos e eletrodinâmicos perigosos da corrente assim como centelhamentos e sobretensões perigosas para os sistemas internos. Isto impede a penetração da corrente da descarga atmosférica e campo eletromagnético associado na estrutura a ser protegida e evita efeitos térmicos e eletrodinâmicos perigosos da corrente assim como centelhamentos e sobretensões perigosas para os sistemas internos.

A proteção é alcançada por meio de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) o qual inclui as seguintes características:

a) subsistema de captação;

b) subsistema de descida;

c) subsistema de aterramento;

d) equipotencialização para descargas atmosféricas (EB);

e) isolação elétrica (e daí a distância de segurança).

 

Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) Fonte: Wikiwand (2022)

A NBR 5419/2015 afirma, ainda, que o SPDA é a principal e mais eficaz medida de proteção contra descargas atmosféricas. Segundo a norma, o SPDA é dividido  em externo e interno.

O externo é destinado a interceptar uma descarga atmosférica para a estrutura, conduzir a corrente da descarga atmosférica para a terra de forma segura e dispersar a corrente da descarga atmosférica na terra. Ponto de impacto é ponto onde uma descarga atmosférica atinge a terra, ou um objeto elevado (por exemplo, estrutura, SPDA, serviços, árvore, etc.).

Por outro lado, o objetivo do SPDA interno é reduzir os riscos com centelhamentos perigosos dentro do volume de proteção criado pelo SPDA externo por meio de ligações equipotenciais ou distância de segurança entre os componentes do SPDA externo e outros elementos.

2.1 Métodos para Projeto de SPDA

O projeto de SPDA envolve atividades do levantamento das condições locais, do solo, da estrutura a ser protegida e demais elementos sujeitos a sofrer os efeitos diretos e indiretos de uma eventual descarga atmosférica, os cálculos de parâmetros elétricos para a sua execução em especial para o aterramento e ligações equipotenciais necessárias, desenhos e plantas da instalação, seleção e especificação de equipamentos e materiais, tudo isto em rigorosa obediência às normas especificas vigentes.

A escolha das medidas mais adequadas de proteção deve ser feita pelo responsável técnico e ser protegida, de acordo com o tipo e valor de cada tipo de dano, com os aspectos técnicos e econômicos das diferentes medidas de proteção e dos resultados da avaliação de riscos. As medidas de proteção são efetivas desde que elas satisfaçam os requisitos das normas correspondentes e sejam capazes de suportar os esforços esperados nos respectivos locais de suas instalações.

O método Gaiola de Faraday consiste em instalar um sistema de captores formados por condutores horizontais interligados em forma de malha. Esse método é muito utilizado na indústria para a proteção de galpões e edifícios, pois a disposição dos cabos na estrutura se torna o próprio receptor da descarga atmosférica. O uso deste tipo de SPDA é baseado na teoria de Faraday, segundo a qual, o campo elétrico no interior de uma gaiola é nulo, mesmo quando passa por seus condutores uma corrente de valor elevado, mas para isto é necessário que a corrente seja distribuída uniformemente por toda à superfície. Quanto menor for à distância entre os condutores da malha, melhor será a proteção obtida (NBR 5419/2005).

Gaiola de Faraday. Fonte: Mundo da Elétrica, 2022

O método Franklin utiliza os famosos para-raios, sendo esses do tipo Franklin. Eles são instalados para proteger o volume de um cone, onde o captor fica no vértice e ângulo entre a geratriz e o centro do cone, variando de acordo com o nível de proteção e a altura da edificação. Devido às suas limitações impostas pela norma, passa a ser cada vez menos usado em edifícios, sendo ideal para edificações de pequeno porte suas limitações são em função da sua altura protegendo uma altura máxima de 45 metros ou 15 andares, tendo uma flecha de proteção de cerca de 25º . (NBR 5419/2005).

O método da esfera rolante é o mais recente dos dois acima mencionados e consiste em fazer rolar uma esfera, por toda a edificação. Esta esfera terá um raio definido em função do Nível de Proteção. Os locais onde a esfera tocar a edificação são os locais mais expostos a descargas. Resumindo poderemos dizer que os locais onde a esfera toca, devemos entender que o raio também pode tocar, sendo assim estes precisam ser, protegidos por elementos metálicos (captor Franklin ou condutores metálicos). Outra maneira de se proteger as instalações é utilizar a combinação desses métodos, sendo permitido pela NBR 5419.

2.2 Malha de Aterramento

Consiste na ligação do sistema e/ou dos equipamentos a terra, através de um componente condutor, para que seja possível o escoamento de cargas de fuga do sistema. Portanto os profissionais ficam protegidos contra choques elétricos acidentais oriundos de falhas ou condições diferentes das normais de trabalho.

Os Objetivos principais do aterramento são:

– Obter uma resistência de aterramento a mais baixa possível, para corrente de falta à terra.

– Manter os potenciais produzidos pelas correntes de falta dentro de limites de segurança, de modo a não causar danos à integridade física de pessoas que se encontrem dentro da subestação no momento da falta.

– Fazer com que equipamentos de proteção sejam sensibilizados e isolem rapidamente as falhas à terra.

– Proporcionar um caminho de escoamento para terra de descargas atmosféricas.

Um aterramento bem dimensionado e inspecionado  permite que os equipamentos funcionem de maneira adequada, e os protege contra possíveis falhas, pois ele propicia a interrupção do suprimento de energia de um sistema ou circuito elétrico, a fim isolar o defeito. Portanto, ele impede que a falha se propague, evitando danos para os equipamentos, para a edificação e para os seres vivos.

Todos os três tipos de Sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (Sistemas SPDA) necessitam de malha de aterramento contendo hastes e condutores interligados para a dissipação da corrente elétrica. A quantidade de hastes fixadas ao solo, depende da resistividade do solo, da altura da estrutura a ser protegida, e da área construída quanto maior será necessário utilizar um número maior de hastes de aterramento.

De acordo com a ABNT NBR 5410/2004 (Norma de Instalações Elétricas de Baixa Tensão), os eletrodos de aterramento podem ser: as ferragens da fundação, elementos metálicos condutivos especialmente previstos e imersos nas fundações, malhas metálicas enterradas nos níveis da fundação, ou ainda um anel metálico circundando.

2.3 Normas associadas ao SPDA:

O projeto, a instalação e a manutenção de Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas – SPDA baseiam-se essencialmente na NBR 5419:2005 (Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas) da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ANT. No entanto, a sua aplicação baseia-se também em outras normas técnicas brasileiras, por exemplo:

NBR 13571:1996 – Especificação: Haste de aterramento aço-cobreada e acessórios;

NBR 5419 – Proteção contra descargas atmosféricas;

NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão;

NBR 6323:2007 – Especificação: Galvanização de produtos de aço ou ferro fundido;

NBR IEC 60079-0:2013 – Atmosferas explosivas. Parte 0: Equipamentos – Requisitos Gerais;

Lei Federal 11.337, de 26 de Julho de 2006 – Uso Obrigatório de Sistema de aterramento e tomadas terra nas edificações;

Norma Regulamentadora nº 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.

2.4 SPDA conforme NR-10:

A NR 10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE  estabelece os requisitos e condições mínimas objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade.

A norma regulamentadora NR10 estabelece que todo estabelecimento que tenha potência instalada superior a 75KW, deve possuir e manter o prontuário das instalações elétricas (PIE), dentro desta documentação deve conter o relatório de inspeção do sistema SPDA e os aterramentos elétricos. Desta forma as empresas são responsáveis por construir e manter o sistema SPDA em funcionamento.

10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW devem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo, além do disposto no subitem 10.2.3, no mínimo:

a) conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de segurança e saúde, implantadas e relacionadas a esta NR e descrição das medidas de controle existentes;

b) documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas atmosféricas e aterramentos elétricos;

c) especificação dos equipamentos de proteção coletiva e individual e o ferramental, aplicáveis conforme determina esta NR;

3) Danos e riscos devido às descargas atmosféricas:

Conforme ABNT NBR 5419-1:2015, a descarga atmosférica que atinge uma estrutura pode causar danos à própria estrutura e a seus ocupantes e conteúdo, incluindo falhas dos sistemas internos. Os danos e falhas podem se estender também às estruturas vizinhas e podem ainda envolver o ambiente local. A extensão dos danos e falhas na vizinhança depende das características das estruturas e das características da descarga atmosférica.

Seguem abaixo algumas fotos de instalações que sofreram descargas atmosféricas:

Fonte: Termo técnica, 2022

Fonte: Termo técnica, 2022

Fonte: Termo técnica, 2022

Fonte: Termo técnica, 2022

Fonte: Termo técnica, 2022

A partir de 22/05/2015, a nova NBR 5419/2015 inovou, trazendo a figura do risco tolerável para várias situações, inclusive o risco tolerável para perda de vida humana ou ferimentos permanentes, no valor de 10-5 por ano (1 morte a cada 100.000 anos), para perda de patrimônio cultural, no valor de 10-4 por ano (1 evento a cada 10.000 anos), para perda de serviço ao público, no valor de 10-3 por ano (1 evento a cada 1.000 anos), para perda econômica, no valor de 10-3 por ano(1 evento a cada 1.000 anos), conforme previsto na tabela 4 do item 5.3 da NBR 5419-2/2015. (ABEEDF, 2022).

O Brasil é o líder em incidência de raios no mundo, com cerca de 77,8 milhões de descargas para o solo a cada ano. Quanto ao número de mortes provocadas pelo fenômeno, o país ocupa a sétima posição mundial: neste século já foram registrados 2.194 casos; uma média de 110 casos por ano no período. O levantamento foi elaborado pela equipe técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

Devido a sua natureza devastadora a descarga atmosférica quando tem o ponto de impacto um ser humano, ou o ser humanos esteja nas proximidades de um ponto de impacto, haverá alta probabilidade  um eletrocutamento devido a passagem de corrente elétrica no corpo deste indivíduo o que acarretará serias lesões e provável morte devido as grandes correntes existentes em tais fenômenos naturais.

Corrente elétrica é o movimento ordenado de partículas portadoras de carga elétrica. Se observarmos microscopicamente, podemos ver que essas partículas na verdade estão em movimento desordenado, pois elas possuem movimento aleatório em razão da agitação térmica a qual estão submetidas.

As descargas atmosféricas ou raios são grandes (gigantescas) descargas elétricas entre nuvens, ou entre nuvem e a terra, que podem produzir choques elétricos, idênticos aos choques estáticos, proporcionados por “enormes” capacitores, portanto, com altíssima (elevada) corrente. Os raios podem incidir diretamente na vítima, ou cair próximo, gerando tensões de toque e passo perigosas, na sequência.

O choque elétrico é causado pela corrente elétrica que atravessa o corpo do ser humano ou de qualquer outro tipo de animal. O seu acontecimento pode causar até morte, dependendo da intensidade da corrente elétrica, por isso deve-se ter muito cuidado com tomadas, fios desencapados e até mesmo a rede elétrica de distribuição de energia, pois são muito perigosos e com alto poder para eletrocutar uma pessoa.

Sintomas brandos de pessoas atingidas pela corrente elétrica incluem confusão mental, surdez e cegueira temporárias e dores musculares, mas as recuperação geralmente é completa. Em casos moderados, ocorrem ainda desordem metal, deficiências motoras, queimaduras de primeiro e segundo grau. A recuperação é possível, mas há sequelas como confusão cerebral, dificuldades psicomotoras e dores crônicas. Por fim, os danos severos das descargas elétricas levam a paradas cardiorrespiratórias, danos cerebrais, queimaduras graves e surdez permanente, dentre outros. O paciente apresenta, na maioria das vezes, sequelas irreversíveis que afetam principalmente o sistema nervoso. Em média uma em cada cinco pessoas morre devido à descarga elétrica. (Mullen, 1999).

4) Parâmetros técnicos da corrente das descargas atmosféricas:

Segundo  ABNT NBR 5419-1:2015, tem-se os seguintes  parâmetros da corrente das descargas atmosféricas:

A.1 Descarga atmosférica para a terra

A.2 Parâmetros da corrente da descarga atmosférica

A.3 Estabelecendo os parâmetros máximos da corrente de descarga atmosférica para o nível de proteção NP I

A.4 Estabelecendo os parâmetros mínimos da corrente das descargas atmosféricas.

5) Matérias curriculares da Engenharia Elétrica fundamentais na elaboração de Projetos de SPDA:

As disciplinas a seguir, são fundamentais para o entendimento e aplicação da nova NBR 5419/2015 (ABEEDF, 2022):

ELETROMAGNETISMO: necessária para compreensão do fenômeno eletromagnético da descarga atmosférica, dos sistemas de proteção externas e internas à edificação, conforme previsto nos anexos A, B, C, D e E da NBR 5419-1/2015;

ONDAS ELETROMAGNÉTICAS: necessária para estudo forma de onda da corrente de descarga, representação da onda de corrente pela curva dupla exponencial, representação pela curva de Heidler, carga transferida pela descarga, tempos típicos da onda de descarga, tempo de frente de onda, tempo de meia onda e energia por unidade de resistência, conforme previsto nos anexos A, B, C, D e E da NBR 5419-1/2015;

CIRCUITOS ELÉTRICOS: monofásicos, trifásicos e polifásicos: necessários à compreensão dos sistemas de proteção, à exemplo do roteamento de condutores, conforme item 7 da NBR 5419-1/2015, item E-3 do anexo E da NBR 5419-1/2015, tabela 3 da NBR 5419-2/2015, itens 6.4 e 6.5 da NBR 5419-2/2015, tabela A.2 da NBR 5419-2/2015, Tabelas B.5 e B.8 do Anexo B da NBR 5419-2/2015, itens 4.4.1 e 6 da NBR 5419-4/2015, Anexos A, B e C da NBR 5419-4/2015

MATERIAL ELÉTRICOS E MAGNÉTICOS: necessária para compreensão do dimensionamento das medidas de proteções, a exemplo do DPS e dos para-raios de média tensão e de baixa tensão, conforme previsto nos volumes 1, 2, 3 e 4 da NBR 5419/2015, em especial os anexos A, B, C e D da NBR 5419-4/2015;

ANÁLISE DOS SISTEMAS DE POTÊNCIA: necessária para compreensão do comportamento dos sistemas elétricos, na ocorrência de descargas atmosféricas tipo S3 (descarga na linha) e sua influência no comportamento das tensões de fornecimento ao consumidor, considerando a equipotencialização e a sobretensão transitória, conforme previsto nos volumes 1, 2, 3 e 4 da NBR 5419/2015, em especial os volumes 1 e 2.

DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA: necessária para compreensão do comportamento dos sistemas elétricos, na ocorrência de descargas atmosféricas tipo S3 (descarga na linha), o dimensionamento, coordenação entre DPS da linha de fornecimento e DPS da entrada das instalações prediais, assim como do enlace eletromagnético nos circuitos internos desse prédios, conforme previsto nos volumes 1, 2, 3 e 4 da NBR 5419/2015, em especial os volumes 1 e 2

PROTEÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS: necessária para compreensão da coordenação da proteção com o nível de isolamento, considerando: relés, chaves, religadores, disjuntores, transformadores e demais equipamentos, considerando o nível de suportabilidade dos equipamentos e instalações prediais, , conforme previsto nos volumes 1, 2, 3 e 4 da NBR 5419/2015, em especial os anexos A, B, C e D da NBR 5419-4/2015, item 5.4.2 e Anexo E da NBR 5410/2004. Também se estendendo aos sistemas de aterramento : Introdução ao sistema de aterramento; Medição da resistividade do solo; Estratificação do solo; Sistemas de aterramento; Tratamento químico do solo; Quesitos de segurança; Malha de aterramento.

Também como complemento, tem-se estas três disciplinas abaixo:

DESENHO TÉCNICO PARA ENGENHARIA ELÉTRICA: necessária para elaboração do desenho de projetos de engenharia, dos diagramas elétrico e de instalação elétrica residencial.

PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: necessário para mensurar os componentes de uma instalação, diagrama unifilar; dimensionamentos dos condutores; dimensionamento da proteção; projeto residencial e predial e para-raios para o dimensionamento das medidas de proteções, a exemplo dos dimensionamento dos condutores e descida e das malhas de aterramentos também  DPS e dos para-raios de média tensão e de baixa tensão, conforme previsto nos volumes 1, 2, 3 e 4 da NBR 5419/2015, em especial os anexos A, B, C e D da NBR 5419-4/2015.

ASPECTOS DE SEGURANÇA EM ENGENHARIA ELÉTRICA:  necessário para o entendimento sobre os riscos em descargas atmosféricas – Choque elétrico; descargas atmosféricas; tensão de choque; tensão de passo; coração humano; funcionamento elétrico do coração; fibrilação ventricular devido ao choque elétrico; desfibrilador elétrico; primeiros socorros; massagem cardíaca e respiração artificial; efeitos do choque elétrico no corpo humano; riscos do choque elétrico; análise das instalações elétricas; riscos em equipamentos hospitalares; legislação e normas regulamentadoras; segurança contra incêndios.

6) Profissionais habilitados em SPDA:

Segundo a Decisão Normativa 070/2011, que dispõe sobre a fiscalização dos serviços técnicos referentes aos sistemas de proteção contra descargas atmosféricas (para–raios), os profissionais que podem exercer atividades de projeto, instalação e manutenção de SPDA são: engenheiro eletricista, engenheiro de computação, engenheiro mecânico-eletricista, engenheiro de produção – modalidade eletricista, engenheiro de operação – modalidade eletricista, tecnólogo na área de engenharia elétrica e técnico industrial – modalidade eletrotécnica. Com exceção do técnico industrial – modalidade eletrotécnica, todos os outros também podem exercer as atividades de laudo, perícia e parecer profissional. (CREA, 2022).

Nessa última alteração da ABNT NBR 5419, aplicaram-se conhecimentos específicos e detalhados, a exemplo dos parâmetros físicos das descargas atmosféricas, gerenciamento de risco, considerando: risco tolerável para perda da vida humana, risco tolerável para perda patrimonial e serviços públicos, forma de onda da corrente de descarga, representação da onda de corrente pela curva dupla exponencial, representação pela curva de Heidler da carga transferida pela descarga, tempos típicos da onda de descarga, tempo de frente de onda, tempo de meia onda e energia por unidade de resistência, fornecendo a base para aplicação na rotina de projetos, execução, inspeção (laudos) e manutenção, de forma correta e segura.

7) Qual a solução para outros profissionais além da Engenharia Elétrica ter autonomia para assinar projetos de SPDA?

Na ABNT NBR 5419/2015, não prescinde do profissional “ENGENHEIRO ELETRICISTA” para sua compreensão técnica, visto que este profissional possui vasto conhecimento técnico necessário à compreensão das novas exigências técnicas trazidas pela norma, mas também não exclui outros profissionais, desde que estes últimos tenham cursados as disciplinas necessárias ao entendimento técnico desse fenômeno eletromagnético. (ABEEDF, 2022).

Esses profissionais que não são engenheiros eletricistas podem intervir, limitados ao que prevê o quadro previsto na tabela 2 do item 9.2 do volume 4 da NBR 5419/2015 e o art. 25 da Resolução CONFEA nº 218, de 24/12/1966, que determina, quanto à exorbitância profissional: “Nenhum profissional poderá́ desempenhar atividades além daquelas que lhe competem, pelas características de seu currículo escolar, consideradas em cada caso, apenas, as disciplinas que contribuem para a graduação profissional, salvo outras que lhe sejam acrescidas em curso de pós-graduação, na mesma modalidade”. (ABEEDF, 2022).

Isso significa que os demais profissionais de outras modalidades necessitarão ter cursado disciplinas, típicas da engenharia elétrica, capazes de habilita-los aos novos cálculos de avaliação de risco para compara-lo com risco tolerável, considerando a característica eletromagnética da descarga e a aplicação das MPS – Medidas de Proteção contra Surtos (DPS, roteamento, blindagem eletromagnética, roteamento…), considerando a mitigação dos efeitos do campo eletromagnético dentro da edificação, portanto não é qualquer profissional da engenharia que pode realizar obras e serviços em PDA. (ABEEDF, 2022).

Existem processos judiciais a exemplo da  decisão de primeira instância da Justiça Federal de N° 0805/2002-b, Processo N° 2002.34.00.006739-4 os engenheiros civis associados a Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC) também ganharam o direito de fazer o SPDA. Baseando-se no Art. 28, alínea “b” do Decreto Federal 23.569 de 11 de dezembro de 1933, cujo estabelece que segundo  Art. 28. São da competência do engenheiro civil: b) o estudo, projeto, direção, fiscalização e construção de edifícios, com todas as suas obras complementares;“.

É notório que para um projeto de SPDA envolve vários conceitos aprendidos na Graduação da Engenharia Elétrica e é recomendável que outros profissionais façam pós graduação em Engenharia Elétrica, e sendo assim, terão competências para exercer as atividades mencionadas.

 

Bibliografia:

ABEEDF, 2022, disponível em https://abeedf.com.br/2021/03/21/responsabilidade-civil-e-criminal-do-engenheiro/  Acesso em 21 de janeiro de 2022

ABPA, 2022, disponível em http://www.inpe.br/webelat/rindat/menu/desc.atm/ Acesso em 20 de janeiro de 2022

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão. 2 ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. 209 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5419: Proteção contra descargas atmosféricas. Rio de Janeiro, 2015.

CREA, 2022, disponível em https://www.crea-pr.org.br/ws/wp-content/uploads/2016/12/manual-fiscalizacao-CEEE-v2014.pdf. Acesso em 20 de janeiro de 2022

G1, 2022, disponível em https://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/07/durante-tempestade-segundo-predio-mais-alto-dos-eua-e-atingido-por-raios.htmlAcesso em 20 de janeiro de 2022

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO – MTE. NR-10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Aprovada pela Portaria SEPRT n.º 915, de 30 de julho de 2019 31/07/19.

Mollin, Leslie (18 de junho de 1999). «What happens when people and lightning converge» (em inglês). NASA. Consultado em 11 de dezembro de 2012. Cópia arquivada em 20 de janeiro de 2022

Mundo da Elétrica, 2022, disponível em https://www.mundodaeletrica.com.br/o-que-e-spda-sistema-de-protecao-contra-descargas-atmosfericas/Acesso em 21 de janeiro de 2022

Termotécnica, 2022, disponível em https://tel.com.br/conteudo-tecnico/fotos/ Acesso em 21 de janeiro de 2022

Wikiwand, 2022, disponível em https://www.wikiwand.com/pt/Para-raios Acesso em 20 de janeiro de 2022

 



Frank Toshioka é Mestre em Desenv. de Tecnologia, Engenheiro Eletricista e Cientista de Dados - Especialista em Medições SMF, ADMS, SCADA, Hemera CAS, Copel, SCDE CCEE, SAMUST ONS. Gerente de Projetos de P&D - temas Blockchain, GD e Eletromobilidade. Frank Toshioka é Mestre (Stricto Sensu) em Desenvolvimento em Tecnologia pelo Lactec (2017) - Dissertação: Previsão de preço semanal de energia elétrica com dados com limites de saturação através de redes neurais artificiais e Engenheiro Eletricista pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004). Também é Escritor com 3 livros já publicados. Atualmente é Engenheiro Eletricista da Copel Distribuição, tendo experiência nas seguintes áreas: 1) Mercado e Comercialização Copel Distribuição (01/06/2014 até a presente data) a) Gestão de migração de consumidores do Ambiente de Contratação Regulado (ACR) para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) e Apuração da carga Copel Distribuição (base CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) b) Gestão do processo MUST - Montante de Uso do Sistema de Transmissão junto ao ON; c) Representante da Copel Distribuição de vários processos da CCEE (Ajustes de medições de fronteira, modelagens, Topologia da carga da Copel Distribuição, Medição Física e Contábil). d) Automações de sistemas envolvendo Gestão de Ajustes de Medições e 2) Gerente de Projetos P&D ANEEL nos temas de Inteligência Artificial na Previsão de Preços de Energia, Gestão de Energia pelo lado da demanda na Mobilidade Elétrica e Marketplace Descentralizado para Comercialização de Energia Elétrica baseado em Blockchain.3) Manutenção dos Sistemas da Copel Distribuição: a) 01/06/2012 a 31/10/2013 - Manutenção de Redes de Distribuição Gerenciamento de manutenção preditiva, preventiva e corretiva de redes de distribuição aérea convencional e compacta; b) 01/11/2013 a 31/05/2014 - Supervisão de inspeção preventiva e preditiva de redes de distribuição aérea: Acompanhar o desempenho dos índices de controle e continuidade (DEC/FEC) da manutenção do sistema de distribuição da macrorregião de Maringá; 4) Projetos, Fiscalização de Obras da Copel Distribuição (12/08/11 a 31/05/2012) - Elaboração de Projetos de rede aérea convencional e compacta; Fiscalização de Projetos de rede aérea e subterrânea, obras de saídas de Subestações e obras de Subestações Móveis; Participação de grupos de trabalho envolvendo redes subterrâneas. 5) Outras atividades: Mentor de Modelo de Negócios junto a Startups; Conselheiro Suplente do Crea-PR - Câmara de Engenharia Elétrica desde 2019. Livros já publicados: em 10/06/19 - A produção do conhecimento na engenharia elétrica, da Atena Editora - Capítulo Sistema gestor de ajustes de medições de fronteira Copel Distribuição.

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