SOLIDÃO E DESAMPARO incorporado pelo Filósofo Nilo Deyson Monteiro

O homem nasce só, depois morre, desaparece por nada.  A solidão e o desamparo incorporado pelo Filósofo Nilo Deyson Monteiro Pessanha.

O ser e o nada. Sempre em confronto com o espanto, com o novo, com o inédito, assim é o nosso espírito. Experimentamos e criamos experiências. Aprendemos muitas coisas, temos posto em nós um nome, temos uma família. Crescemos em volta à perpétua diversidade. Fazemos amigos, criamos relações, nos tornamos adultos, seguimos atrás de sonhos e depois de umas léguas, morremos.

Nascemos sós, partimos sós. Uma verdadeira solidão inevitável. Quando morremos, não temos quem nos ampare.

Da onde surgem nossas inspirações senão da solidão, do vazio silencioso dentro de nós; que, por sua vez, deseja sair pelos ventos mundo à fora em forma de poesias, canções, escritas e ações!

Somos cadáveres adiados, todos nós poeiras cósmicas, pó, nada absolutamente no lugar nenhum. Tudo é condicionado à linguagem, porém, tudo em sua real natureza é rotulado, sendo portanto que tudo fora da linguagem tudo é silêncio.

O desamparo em nossas aflições profundas, em nossos segredos guardados, falados somente ao vento ao pé dos ouvidos da esperança chamada de Deus. Somos almas, necessitamos de estímulos, de abraços, de afeto, de amor. Comiseraçoes da alma na solidão, no desamparo do fim.

Desenvolvemos projetos, criamos, inovamos, aprendemos tudo que se pode apresentar, porém, quando encontramos nossa alma, quando estamos cara a cara com nosso profundo eu, surge uma imensa alegria de aceitação e um imenso barulho ensurdecedor de silêncio; isto é, de ausência de barulho, isso eu como Filósofo chamo de encontrar-se com a consciência, com a real natureza, onde desperta a reflexão e descobrimos quem somos e que estamos de verdade sozinhos no universo. Neste sentido eu chamo isso de liberdade total, desapego da matéria, do condicionamento, porém, isso para muitos é assustador, pois a liberdade requer coragem, isso causa medo e cria consciência de responsabilidade.

O ser e o nada, frente à frente. Fora da linguagem, à beira do abismo do seu mais profundo ser, ” A real natureza “.

Neste lugar não há religião, não existe verdades últimas, tudo de verdade é condicionado às experiências, porém, quase todas não importam neste momento. Somos sim, cadáveres adiados e enquanto vida, precisamos descobrir o motivo de estarmos aqui. Nessa direção, precisamos refletir sobre nossos valores e princípios, conceitos e convicções. É interessante adotar uma possibilidade de mudança, de abandono das paixões viciosas que nada contribui para evolução como seres humanos, para que se abram novas possibilidades e se amplie a dimensão da consciência através da busca pelo conhecimento, tanto o conhecimento de quem somos, bem como sobre o mundo que nos cerca.

Solidão sim, mesmo em volta de diversas pessoas que amamos. Estamos todo o tempo tentando fazer as pessoas felizes. Trabalhamos, curtimos a família, viajamos, enfim, tratamos de sermos pessoas leves, felizes, simpáticos, carismáticos, compreensivos para com o nosso próximo, até utilizando de compaixão e caridade, contudo, somos eternos solitários e não há o que possa mudar isso. Assim sendo, procuramos melhorar nossa versão como seres humanos, empregando o espírito de aceitação na percepção de como a vida acontece, isso é peculiar em cada indivíduo, sem contudo abandonar a condição de espírito próprio no sentido de ação transformadora quando se vive uma vida da qual não queremos continuar vivendo. Essa ação transformadora é o ser em potência, a vontade de potência como dizia Nietzsche; afinal, ninguém precisa viver na mediocridade com uma vida vazia dentro de um vazio existencial. Pelo contrário, o ser humano deve lutar por uma vida digna e confortável.

O homem nasce só, mesmo tendo a mãe que vai lhe alimentar e os mimos da família, ainda assim ele veio só dentro de si.

Depois, ao passo que decorre o seu turno enquanto vida, ele morre, desaparece por nada, mesmo que sua morte tenha causas naturais ou fatalidades, acidentes e outros, ele inevitavelmente desaparecerá completamente da vida, da terra e nada será, pois nada é senão uma energia que se ilude ser algo.

O desespero das pessoas está em descobrir que tudo que um dia ela acreditou não passa de ilusão, uma vez que estamos em um universo infinito de dimensões das quais nossa consciência não alcança sequer um milímetro, tudo não passa de invenções humanas, desde a religião até os diversos tipos de sistemas existentes em toda terra. Tudo debaixo do sol é vaidade, inclusive muitas verdades criadas. A melancolia está em como você vai aceitar isso, pois isso mexe com toda história da sua vida, podendo você correr o risco de ter suas convicções serem meras estórias.

Somos solitários em nós mesmos. Devemos aceitar, porém, para que haja liberdade, não precisamos acreditar, quiçá sermos inseridos em certos sistemas existentes. Tudo é opcional, somos donos de nós mesmos e não podemos deixar nem a ditadura da religião nem o sistema político nos dominar ou ditar como devemos viver ou se comportar. A liberdade como eu salientei nos altos requer responsabilidade, isto é, a minha liberdade não pode ser forma alguma ferir a liberdade do outro, seja por conta de discussões de pensamentos divergentes, seja pelo fato do outro pensar ou acreditar diferente do que eu defendo ou por qualquer natureza de ódio, facção ou divisão entre o meu universo para com o outro. Neste sentido, devo respeitar a liberdade do outro se expressar e pensar o mundo segundo o conhecimento dele, segundo a visada dele. Portanto, existe um espírito para isso do qual eu chamo de ” espírito de imparcialidade ” onde não julgamos nem apontamos para o outro, uma vez que minha consciência entende que estamos sós em nós mesmos e que cada ser ocupa um espaço no mundo onde ele se agasalha das suas convicções advindas da sua cultura e da sua estrutura social, isto é, do âmbito social do qual o indivíduo convive e pertence.  Eis aí, toda a beleza da complexidade onde temos a oportunidade de conhecer os diversos espíritos, isto é, as culturas diversas no mundo. Eu, particularmente, gosto muito de aprender com outros povos, pois quando eu viajo para outros Estados ou municípios próximos, sempre o cenário muda, os costumes e culturas mudam. São linguagens diferentes, linguagem coloquial, onde podemos aprender um pouco do universo do outro, mesmo que não venhamos concordar, aceitamos por sermos um espírito, um universo que observa o outro dentro da própria alma dele e sente o espírito dele, os motivos pelos quais ele pensa como pensa. Isso é de grande valor para nossa evolução como seres humanos, contudo, somos solitários, estamos desamparados em qualquer país, em qualquer ponto da vida, na terra, no tempo, somos o ser que tenta entender o nada.

Enfim, vou deixar um pensamento de minha autoria.

” não tentamos disfarçar o que somos, somos o que podemos ser, porém, sem de verdade sem nada ser, o que nos resta é viver onde surgem nossas inspirações.”

Tudo pode ser ilusão, análise quem é você e investigue suas verdades defendidas.

Filósofo Nilo Deyson Monteiro Pessanha



FILÓSOFO, ESCRITOR, POETA, COLUNISTA & PALESTRANTE. Fundador da Filosofia da imparcialidade participativa. Autor do livro de Filosofia Todos os Corações do mundo, e do Livro O Teatro da vida e a interpretação das coisas, quem nos garante ser verdade das coisas. Membro de diversas instituições culturais como por exemplo, é imortal acadêmico da Academia de Letras do Brasil seccional Campos dos Goytacazes, é imortal Acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, ocupante da cadeira n°17 , Fundador do NAISLA, Núcleo Acadêmico Italiano di Scienze, Littere e Arti. Membro de diversas instituições. Nilo Deyson Monteiro participou de diversas antologias, periódicos e muitos de seus trabalhos acadêmicos estão no Google ao pesquisar Filósofo Nilo Deyson.

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