Sobre palavras começadas com E

Educação, Empatia, Empoderamento. O que têm em comum, além de serem iniciadas pela mesma vogal? São usadas seletivamente, quando convém, com quem convém.

Educação, como já expliquei aqui nessa coluna, engloba uma variedade de outras características que não apenas a instrução formal escolar.

A parte mais importante do processo educacional, que forma, civiliza e humaniza o indivíduo, deveria vir da família. Instituição-pilar da sociedade desde que o ser humano aprendeu a viver em grupos.

O problema é que a mesma instituição fundamental sobre a qual está fundamentada todas as sociedades humanas, aqui neste País, não tem conseguido fazer seu papel e, com isso, sobrecarrega a escola com suas responsabilidades.

De verdade, não é obrigação da escola ensinar a dizer por favor, obrigado e com licença. E menos ainda a ensinar a ser limpo, respeitoso e gentil. Muito menos é obrigação escolar aturar pirraça de criança que pensa ter direito a todos os direitos e ter nenhum dever a cumprir.

Eu decidi no segundo ano do curso de Formação de Professores de Séries Iniciais a nunca, jamais, em tempo nenhum, lecionar para crianças. E sabe o motivo? Os pais!

Lidar com criança pirracenta e desbocada eu aguento, mas, mães e pais que dão guarida a seus pequenos anjos decaídos, é demais para até para mim!

Isso se deve ao fato de que essas mesmas pessoas não acreditam quando se diz que a única maneira de ensinar é através do exemplo. Outra coisa que vira e mexe eu repito aqui.

Olha que bacana a mentalidade dessas mesmas pessoas: eu posso furar fila, falar palavrão, não devolver o troco a mais que me foi dado e dizer para o pequeno indivíduo que chamo de filho ou filha que não pode fazer nada disso.

Na primeira oportunidade longe dos olhos dos pais, os filhos testam os limites daquilo que aprenderam pelo exemplo, e é aí que a porca torce o rabo!

E como hoje as pessoas têm uma infinidade de ocupações, pouco foco, e conteúdo mais raso que um pires, é fácil perder a paciência por falta de argumento. Empatia, que é a capacidade de se pôr nos sapatos alheios, não é prioridade.

E aí, temos o que aconteceu ontem: duas pessoas morreram no mesmo dia: um apresentador de programa televisivo e um sacerdote. O sacerdote teve uma vida admirável, até que um belo dia, por algum motivo que jamais saberemos realmente qual foi, ele furtou gravatas.

Sim, aquela coleira de humanos, gravatas.

Pagou pelo crime cometido, foi punido sacerdotalmente e pediu desculpas publicamente várias e várias vezes. Quando esse senhor faleceu, ontem também, a primeira coisa que as pessoas lembraram de comentar foi desse fato.

Olhemos para o apresentador de televisão agora. Ele apresentava programas de televisão. Ponto final. Era uma pessoa carismática? Sim, certamente. Seus amigos o descrevem como uma pessoa boa, gentil e generosa.

A vida dele foi trabalhar, acumular bens e construir relações. Nada de errado com isso. Cada um faz o que acha certo com o próprio tempo.

O tempo de carreira dele supera com certa vantagem o tempo de vida que eu mesma tenho. Mas, uma coisa eu nunca vi: ele fazer qualquer coisa fora do combinado dentro de seu ambiente de trabalho.

Seus programas tinham apelo popular, muitas vezes usando atrações questionáveis. Muitas pessoas se beneficiaram das generosidades oferecidas pelos programas que ele apresentava. Em troca de publicidade e audiência, naturalmente.

Sabe o que eu vi no Facebook quando foi noticiada a morte desse senhor? Dois grupos se formaram. O grupo maior demontrava sentimento de luto e enviava mensagens de conforto e encorajamento aos familiares. Empatia seletiva.

O segundo grupo, porém, usou a carreira desse senhor como objeto de análise e consequente militância em prol de suas agendas particulares.

Em sua antropologia de boteco, com um timing horrível, condenavam o falecido apresentador por ser ferramenta daquilo que lutam contra. Empatia ausente.

O primeiro grupo demonstra empatia seletiva pois, qualquer outra pessoa em situação semelhante, não teria metade da repercussão que esse senhor teve. O sacerdote não teve, e , igualmente, era uma figura pública.

O segundo grupo demonstrou ausência de empatia não pelo fato de condenar o apresentador. Como escrevi acima, realmente, ele fez coisas, no mínimo, questionáveis em busca de audiência.

O problema é a forma e quando.

Não é porque alguém morre que vira santo. Isso não existe.

Por outro lado, o corpo nem esfriou e estão atacando de modo covarde  os atos desse indivíduo numa tentativa desesperada por visibilidade e obtenção de destaque para afirmar seu empoderamento e relevância enquanto militante de causa X ou Y junto de seus apoiadores.

Tem jeito e hora para tudo.

É possível aliar Empatia, Empoderamento e manter a Civilidade. É possível não agir como um urubu, que se banqueteia quando há carniça.

Até para oportunismo descarado há limites.

Você reparou que eu não escrevi os nomes dos mortos? Que não fiz elogios ou críticas pessoais  a qualquer um dos dois? Eu só usei aquilo que foi noticiado. Sabe o motivo?

É muito simples: não importa o que eu achava sobre qualquer um dos dois, estão mortos. Não podem responder ao que eu vier a dizer. A diversão residiria em obter as respostas vindas deles, ainda vivos. E, eu já disse que estou aqui pela diversão, não é mesmo?

Enquanto vivos, eu não me dignei a dirigir qualquer texto a qualquer um deles. Não me importava o que tinham a dizer. Continua tendo importância alguma agora.

Assim como eles, há muitos outros que não têm nada de interessante a me dizerem. A lista de pessoas realmente interessantes é, de fato, muito curta. Saber selecionar as prioridades é uma habilidade que deveria ser ensinada desde a infância! Facilita tanto a vida…

Você gostaria de saber que pessoa eu quero ouvir? Eu te conto: você! Como você alia Educação, Empatia e Empoderamento na sua vida cotidiana? Me conte nos comentários!



Estudante da vida e suas conexões, professora por ofício e vício, pesquisadora por necessidade, ajuda as pessoas a atingirem suas metas de modo personalizado, barato e sem justificativas usando a Educação como principal ferramenta.

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