O líder alemão Adolf Hitler ao lado de Benito Mussolini

Simpatias perigosas

  1. Já posso começar deixando claro que não sou o maior fã das nomeações ideológicas “Direita e Esquerda” principalmente quando falamos em direita, que em linhas gerais é um termo tão nebuloso e vazio por si que mal faz sentido utiliza-lo como autodescrição ideológica. Tendo isso em mente, precisamos conversar sobre os papéis fundamentais das correntes ditas conservadoras da nossa sociedade (e é esta que eu pretendo abordar), correntes das quais demonstram uma simpatia incompreensível com regimes e personalidades que representam nada além de puro autoritarismo.

Não é incomum encontrar entre os diversos postulantes da dita “direita nacional” indivíduos que nutrem uma certa admiração fora do normal por Mussolini, Hirohito, Perón e dentre outros ditadores (com excessão a Hirohito, que era apenas um imperador de pensamento nazista envergonhado, mas contava com apoio popular massivo, ou seja, não chegava ao status de ditador).  É claro que é fácil entender o fascínio de alguns com essas personas, o militarismo, a perseguição da vida alheia e a falta de autonomia individual sempre foram aspectos que flertaram dubiamente com nossa dicotomia ideológica, ora aparecem de forma diluída, como vemos nos movimentos comunistas atuais que tentam mascarar sua violência sob a prerrogativa de “luta pela igualdade”, ora aparece de forma ríspida e única, nas mãos de militantes nacionalistas cujo objetivo fundamental se resume a ferrar completamente qualquer esforço para conscientizar as pessoas dos perigos de cultuar ditaduras, já que essas vertentes de espectros ideológicos opostos transitam no imaginário popular como se representassem um mesmo grupo: um grande grupo ideológico de direita, onde participam nacionalistas, liberais, nazistas, fascistas e, acredite, até os adeptos do libertarianismo acabaram entrando nessa mesmo classificação popular nos últimos tempos. É nessa correlação primária que moram os problemas, grupos de terceira via que não se encaixam na dicotomia acabam tomando posições que influenciam indiretamente na imagem de outros grupos que na concepção geral são próximos, os efeitos negativos são diversos, certamente não é das tarefas mais fáceis falar de liberdade enquanto os seus supostos companheiros falam em censura.

O líder alemão Adolf Hitler ao lado de Benito Mussolini

O líder alemão Adolf Hitler ao lado de Benito Mussolini

Porém, por mais interessante que seja esse assunto, devo dizer que o tema realmente não é as consequências da existência destes grupos na sociedade, mas sim os prováveis motivos dessa guinada autoritária e o porquê de isso ser totalmente reprovável. Comecemos pelo sentimento nacional que vibra em muitos jovens atualmente,o que é responsável por uma admiração por discursos populistas de lideres como Mussolini ou Hitler, que se diziam anticomunistas, mas claro, isso apenas no campo discursivo. A rivalidade política do eixo com a União Soviética se deu por uma disputa geral por protagonismo na Europa, os escritos posteriores ao conflito da 2ª Guerra mundial, como os do economista Ludwig Von Mises em “Caos planejado” (1947) mostram que o pensamento fascista surge justamente da ideologia coletivista, a mesma ideologia que ironicamente originou também o marxismo e diversas outras vertentes de pensamento que, apesar de suas peculiaridades, oriundas das diferenças culturais de cada local, tinham sempre um fator comum determinante em suas concepções naturais como regime: o desrespeito ao indivíduo. É inegável que existe uma aproximação de ideias entre essas lideranças, mas é difícil para o jovem impressionado entender que essa retórica anticomunista já foi utilizada amplamente por pessoas cujo objetivos eram apenas canalizar essa pauta, como um oportunismo, em torno de uma sociedade submissa, fraca, onde o  Estado tem poder absoluto, todo populismo precisa deferir um inimigo para seus discursos, seja ele a maçonaria, os comunistas, os capitalistas, os “neoliberais” e vários outros inimigos comuns geralmente utilizados por aí.

É necessário mostrar para esses indivíduos que essas manifestações e críticas feitas nas redes sociais certamente não poderiam ser feitas em regimes dos quais eles admiram, mostrar que essa defesa é tão patética quanto a dos pseudocomunistas que ousam em defender Stalin ou Lenin, lembrar que os avanços tecnológicos, estagnados pela mão estatal, seriam completamente defasados e diminuiriam a qualidade de vida da população. Sendo muito pertinente a afirmação de Ronald Reagan onde o mesmo confrontava a existência do muro de Berlim em 1987: “No mundo comunista vemos a falha, o atraso tecnológico e o fracasso.”, nessa frase só precisamos atualizar os personagens, já passamos do tempo que o estatismo era exclusividade dos marxistas.

 



Caio Minucci é um estudante universitário de pedagogia que atualmente é professor auxiliar. É entusiasta das Ciências econômicas, também é um adepto da Escola austríaca de pensamento econômico.

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