Ser ou não ser uma pessoa fria? Eis a questão

Por que será que as pessoas querem se tornar seres frios? Fiquei meio surpresa ao descobrir que em 2021 uma das perguntas mais frequentes no maior mecanismo de busca da internet (sim, ele mesmo, o “Google”) tenha sido “Como ser uma pessoa fria?”. Parece estranho as pessoas terem interesse em serem frias, não é nem “parecer”, mas sim “ser” frio.

Passamos por quase 2 anos de pandemia e isolamentos diversos e as pessoas estão buscando serem mais frias? O que está acontecendo com o ser humano? O medo de sofrer se tornou tão grande que é melhor se isolar na frieza? As decepções têm sido maior do que a alegria de se envolver e viver novas experiências? Tornar-se frio é uma defesa contra as coisas difíceis da vida?

A cada dia a ciência, a tecnologia e a espiritualidade avança e descobre-se mais sobre o ser humano. Acreditamos que o indivíduo está evoluindo, tornando-se um ser melhor, mais complexo, no entanto, diversas situações parecem contraditórias a essa “evolução”. Uma delas é justamente a capacidade de algumas pessoas de se tornarem indiferentes ao sofrimento e tristeza do próximo. A ajuda e a compaixão deveria ser a regra, mas, na verdade, tem sido cada vez mais a exceção. E ainda há os que não são, mas querem se tornar frios? Serem indiferentes? Por que será?

Minha hipótese é que o medo de sofrer tem sido maior do que a coragem de viver. Talvez nossa sociedade possa ajudar valorizando mais a busca e o percurso do que o resultado e o destino. Com isso, a caminhada pode ser mais valorizada e vamos ter mais coragem de encarar os conflitos e problemas sabendo que a cada novo obstáculo estamos crescendo e evoluindo como pessoa. Ser frio e indiferente pode parecer uma redoma contra o sofrimento, mas a redoma também irá nos impedir de sentir as alegrias e viver as surpresas do nosso trajeto na vida. É a chamada faca de dois gumes. Não sofre, mas também não vive…

Sendo assim, cuidado! Tornar-se frio é passar pela vida sem vivê-la realmente. Ser mero expectador ao invés de ser um protagonista na história.



Carioca apaixonada pelo mar e pelas montanhas, hoje vive em Belo Horizonte e é mineira de coração. Ama livros, literatura, cinema e música. Vive uma busca constante em aprender e explorar o mundo, mas cada vez mais se volta para o autoconhecimento e a autocura. Escreve desde sempre: crônicas, resenhas, artigos literários e artigos diversos. Já foi revisora de livros e professora. Agora dedica-se a ler e escrever.

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