Reflexão sobre mitos

 
 
Parte 1
Antes do nascimento da filosofia, os mitos eram inquestionáveis, eram simplesmente aceitos pela sociedade da qual o mito fazia parte, pois, havia diversos mitos dos quais tratavam sobre a origem do mundo, do ser humano, da natureza. Entretanto, toda explicação se dava por base nos mitos.
 
Assim, atualizando a miticância depois de tantos giros que o planeta terra proporcionou que aparentemente os giros foram em vão, parcialmente, pois, os mitos de hoje não podem ser questionados ou tampouco duvidados.
 
Habita ainda um numero diverso de mitos, é algo claro ao dizer isso, pois a diversidade cultural é larga, e para cada cultura há o seu rito, seu mito.
 
Outro ponto de vista além deste já mencionado há um mito brasileiro que dizem que manga com leite faz mal, particularmente suspeito. Suspeito tanto desse mito quanto de outros.
 
Suponha que num mundo imaginário houvesse uma manga azeda e um leite estragado, e que na junção dos dois realmente fizesse mal. Imagine que seja o Batman e Robin que, enquanto produziam as suas capas pensavam na bondade, mas os restantes da liga da justiça não dava a liberdade que eles tanto sonhavam. Espantosamente, esse mundo não existe.
 
A lenda do bicho papão para crianças desobedientes, bem com a lenda da galinha d’angola, que invejou a beleza doutra ave, essa que prometeu para as galinhas transforma-las em aves tal belas como ela, em caso de prestar obediência, mas deu no que deu, hoje pode ser ver a estranheza das galinhas d’angolas, ou seja, o capote.
Porque que menciono esses mitos? Porque o mito é uma parcela necessária para a construção do indivíduo.
 
Parte 2
A mitologia faz parte das nossas vidas, e isso não é algo que surgiu hoje. Há 2500 anos na Grécia antiga, já era comum os ritos mitológicos, em que usavam os mitos para explicar e dá às respostas de como surgiu o mundo, o individuo, a natureza. Curioso é que ainda não conheci um mito que explicasse a origem do próprio mito.
Entretanto, num certo país, existe um mito que é tão ou mais louvável do que um Deus, não concluo, mas, observo explicitamente nas linhas e entrelinhas o fanatismo das convicções que faz uns levar os outros a serem queimados na fogueira. Característica da idade media. Uma idade media tão presente. Um deus que propriamente prega um Estado cristão, sendo que o país é laico. Interessante. Se o país é laico, e há na constituição federal, especificamente no artigo 5 em seu caput, a tal liberdade e lazer, e a EDUCAÇÃO….
Não encontrei nesse caput que diz que o estado é cristão, e muito menos que precisa ser armado, senão de livros. Propor uma liberdade e depois afirmar que o estado é cristão, faz da liberdade um princípio esquivado e limitado em certo ponto. Se todos têm a liberdade de fazer o que bem entender, desde que sejam todos cristãos, então não oportuniza a liberdade de escolha entre ser ou não ser um cristão.
Se há uma crença de que esse mito pode salvar o país, então é uma fé apaixonada que pode está associada a um deus que coloca medo nos minoritários, ou melhor, a crença por vezes só é forte num certo mito quando o mito atende aos pedidos, é uma crença apaixonada.
Relaciono a crença apaixonada a cegueira que a paixão pode fazer quando somos escravos dela. Quando somos escravos da paixão, cremos em qualquer mito, qualquer bicho papão ou mula sem cabeça. Todo ser humano é pleno de paixões. Tanto o amor como o ódio são paixões, como afirmava Aristóteles.
Quem odeia, se você perguntar a causa do ódio, por vezes não saberá responder qual a razão, porque realmente se não sabe da origem do próprio ódio, quando a paixão desmedida escurece a vista, ou melhor, odeia sem saber o por que, para que, mas simplesmente odeia. Semelhantemente quem ama, pois, por vezes não se sabe quais são as razões do amor, apenas ama. Repare que a perca da própria consciência em razão de um objeto faz o objeto ser venerado quase em sua totalidade, pois dependerá do quanto alguém é cego para venerar um mito.
Quando a crença é apaixonada de forma não cega, suspeitamos da linguagem dos berros da mula e da existência do bicho, pois se fosse de forma cega, pouco suspeitaríamos.
Assim, conceituar a paixão em si como algo amoroso que acontece entre duas pessoas, é amarrar o conceito no pé de uma mesa com correntes, pois a paixão está além-mar de uma caverna escura. Lembre-se do mito da caverna, em que o sujeito precisa sair da caverna, e sair da caverna poder ser também como um modo de estender-se com o conceito de algo, já que o conceito dentro da caverna se limitava.
Dizer que a paixão é apenas um sentimento entre duas pessoas, é está acorrentado dentro da caverna de Platão, porque se um sujeito só pode ter paixão por outro sujeito, isso não passaria de um mito, pois há paixão para outras coisas, pela luz de uma estrela, pela filosofia, um verso poético. Entra noutra questão: o que seria esse sentimento que cria o elo entre dois seres? Porque não sabendo ou tendo ao menos uma breve noção disso, tudo não passaria de uma crença de o pesquisador para com o objeto de pesquisa, e assim, um mito.
 
Acreditar então que esse mito está por todos é desenvolver um mito por cima de outro mito. Não significa seja mentira, mas que mito, como já mencionei, é uma narrativa fictícia ou imaginativa que serve em partes para agradar, para retroagir, colocar medo. O corona tampouco é um deus e colocou medo em todo mundo, menos nos semideuses que se consideram que não são capazes de adoecer. Como é ter medo do corona, um vírus que não se ver em primeira vista, e crer nesse deus que nem de tantas vistas possíveis pode ser vista? A questão seria que, por que o corona é um mito e o deus não o é, mas o chamam de mito?
 
Ícaro R. Silva
 


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