Psicanálise – O basicão do basicão

Esse é um daqueles assuntos que seria melhor desconhece-lo por completo ao invés de pouco conhece-lo.
Vou explicar; quem nunca imergiu no contexto de um determinado assunto, não tem o que falar ou opinar porque o desconhecimento não lhe confere autoridade. Já quem ouviu falar de alguma abordagem e se sente mais atraído pela crítica que pelo aprofundamento, passa a tecer comentário superficiais, infundados e ilógicos, logo seria preferível desconhece-lo por completo. Assim tem sido a psicanálise, tornando-se alvo de críticas por parte de uma minoria, formada por pseudosepsitemológicos que buscam notoriedade no terreno do desconhecimento e desinformação.
Com pouco mais de 130 anos, a jovem ciência atravessa um processo inerente a todas as outras ciências na ocasião de suas gêneses. Podemos considerar um processo natural, pois a resistência é uma etapa obrigatória para que sejam preenchidas as fendas que separam o conhecimento do novo.
Psicanálise é um processo terapêutico que se utiliza de uma metodologia investigativa alicerçada nos preceitos da hermenêutica com base no inconsciente, ou seja, atua nas causas e não nos efeitos.
É uma prática clínica de métodos específicos que traduzem o significado inconsciente das palavras e ações das produções imaginárias como sonhos, delírios, fantasias.
O psicanalista durante a sessão procura trazer conteúdos recalcados no inconsciente para serem tratados no consciente.
Cada sessão possui um tempo referencial de 50 minutos. O número de sessões não é pré-estabelecido no início do tratamento. A medida em que a psicoterapia vai ganhando resultados progressivos, o número de sessões passa a ser sinalizado com uma possível perspectiva de duração do tratamento, nisso consiste a máxima que postula “O tempo determina a forma”.
Na interação analista e analisando, o formato das falas naturalmente vão se entrelaçando o que torna o tratamento mais transparente, fluindo pontos que construirão resultados mais perceptíveis.
Toda análise, tem seu início a partir do primeiro contato entre analista e paciente (analisando), porém o ponto de partida referencial por assim dizer, ocorre quando o analisando após acomodado no divã, o psicanalista pede para que fale o que lhe vier a cabeça. A esse espaço Freud deu o nome de livre associação, quando o analisando inicia seu discurso estabelecendo com o analista um vínculo sustentado pelas prerrogativas éticas do sigilo e abstinência de julgamentos.
Uma curiosidade pouco compreendida é que a psicanálise não cura, ela oportuniza o encontro do analisando com suas razões dentro de sua própria realidade, reconhecendo seu potencial de superação e com isso o trabalho é focado nas causas e não nos efeitos como citado anteriormente. Nisso consiste a prática de remover do inconsciente para o consciente, conteúdos recalcados, motivo dos desconfortos psíquicos que levaram o paciente a procurar o psicanalista.
Como podemos observar, a psicanálise é uma prática terapêutica que não faz intervenções farmacológicas, não produz aconselhamentos respeitando a abstinência de julgamentos conforme os valores do analista, não diagnostica embora identifique psicopatologias, isso para que não comprometa o tratamento desviando a essência da prática clínica.
Em fim, a psicanálise possui uma linha de tratamento focada na pessoa a não na doença e possui como premissa básica o respeito pela subjetividade, ou seja, cada paciente tem suas particularidades e por isso é visto de forma única e particular, cada sessão nunca é igual a anterior, cada caso é um caso distinto, cada tratamento possui um formato específico.
Possuo uma citação que traduz um pouco da psicanálise; “Onde houver demanda pela vida humana a psicanálise fará ecoar sua voz de auxílio”.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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