Psicanálise: Analista e analisando, pacientes iguais

Como psicanalista, minhas experiências tem dado cada vez mais sentido ao preocupante cenário comportamental até onde podemos observar uma sociedade não apenas neurótica, mas também em uma substancial parcela imersa na esfera psicótica.

As demandas consomem as pessoas muito além de suas capacidades de forma em que se o dia tivesse 48 horas, ainda assim não seriam suficientes.

Para quem ainda possui um pouco controle sobre sua realidade, isso tudo remete a uma reflexão sobre de onde vimos, para onde vamos e principalmente onde estamos.  Qual será nosso verdadeiro papel nesse contexto chamado vida, onde a lei da relatividade customiza nossa identidade levando ao individualismo e por consequência o egoísmo desenfreado ?

Uma grande maioria dos analisandos quando libertos entre quatro paredes de uma consulta psicanalítica, quase sempre remetem suas angústias a uma espécie de crise existencial, perda de identidade própria, impotência muitas vezes mascarada por manifestações de revoltas através de discursos violentos ou de decepção.

Em muitas ocasiões essas circunstâncias são efeitos e não causas.  As causas quase sempre estão na demasia da falta ou no egocentrismo do excesso alimentados pela estrutura da educação familiar como base e sustentação.  Nisso consiste os efeitos das inversões de valores, terceirização da educação como transferência de responsabilidades, mau uso do tempo, investimentos emocionais desprovidos de razão lógica, intolerância, incoerência, desinteresse pelo coletivo e tantos quantos malefícios oriundos de uma má formação educacional que foi engolida pela onda da desconformidade social dos dias atuais.

Os pais em nome da sobrevivência material priorizam o trabalho, atribuindo as demais demandas o secundarismo que por consequência produz seres cheios de espaços não preenchidos, onde parafraseando a máxima que diz “Cada um só dá o que tem”, então o que dará uma pessoa educada pela essência secundária ?  O que esperar de alguém que não tem referência de valores contidos exclusivamente habitados nos pais ?  talvez isso justifique o grande números de novas psicopatologias que surgem na demanda clínica, o que aumenta significativamente a qualificação dos profissionais que trabalham com psicoterapia, principalmente no tocante ao discernimento da compreensão diagnóstica.

Não mais incomum encontrar pessoas conversando sozinhas nas ruas.  Pessoas que alteram drasticamente o humor sem motivo aparente, apenas por uma lembrança inesperada levando ao bipolarismo.  A síndrome de tourette que se atribui ao indivíduo com exaustão e extrema impaciência devido ao excesso de trabalho.  Síndrome do pânico causada por algum trauma psicológico vivenciado de forma intensa.  Em fim muitas outras psicopatologias surgiram em um curto espaço de tempo influenciando todo um contexto comportamental, fazendo com que várias frações alterassem o todo social.

Fica portanto uma sugestiva proposta de reflexão revestida de humildade para aceitação, de onde podemos melhorar o mundo, partindo do meio que nos cerca ?  Lembre-se, presentes em excessos para seu filho é um gatilho futuro para potencializar transtornos.  Excesso de “NÂO”, também desencadeia personalidades com distúrbios.  Família como secundário não é família, são pessoas que apenas dormem na mesma casa. Pais educadores que não compreendem e nem aceitam o verdadeiro conceito de prioridade, jamais  poderão cobrar amor de seus filhos.

Lidar com os incômodos da psique como ofício exercendo meu papel de psicanalista é uma das mais realistas formas de entender como realmente sou, e é por isso que procuro sempre me abster das influências e ciladas que sugerem julgamentos e preconceitos, pois estes quando manifestados dizem muito do que sou.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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