POLÍTICA: GOSTAR OU NÃO GOSTAR

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Quem não gosta de política? Como se a política fosse uma questão de gostar ou não, mas se por desventura fosse, para os que dizem não gostar, sentiriam com um peso a menos. Aristóteles menciona que o homem é um animal político, mas ao mencionar esse pensamento não diz quem gosta e quem não gosta da política. Ficaria mais ou menos, o homem é um animal político, exceto os que não gostam de política. A política é feita anteriormente ao gosto. O gosto está mais para a interpretação negativa de política, assim como há um lado negativo ao fazer crítica, do ponto de vista comum (Chauí). Quando dizemos que não gostamos de política, já tenhamos feito política no próprio ato de dizer que não gostamos dela.

Um dos pontos seria que o conceito de política está sendo abusado, pois se política é uma arte que possibilita a convivência social, fora isso suponho, ser boatos ou assunto de novela, conhecido também como politicagem. Não há esse indivíduo humano, que não seja abraçado pela política, ora, a política mais conceituada é menos abusada é anterior a política partidária. Imaginemos a Grécia no período em que Sócrates viveu um amontoado de gente no meio da praça argumentando sobre o que seria mais viável para a convivência de todos na cidade, isto é, na polis, como eles chamavam.

Imagine hoje, na comunidade em que reside isso acontecer, ou melhor, vamos reunir trezentas pessoas e vamos para a praça principal: fazer o que? Discutir o que é bom ou ruim, justo ou injusto para a melhor convivência dentro da nossa comunidade. Seria estranho ver esse amontoado? Talvez, quem passasse por ali pensaria, hoje, que seria um acidente ou algo do tipo, e assim, surgiria a espada do bolso, para tirar as fotos.

Outro exemplo seria fulano é torcedor de um time A e ciclano é torcedor de um time B e, dizem que não gostam de política, mas, em caso de um insultar o outro ao dizer que o seu time não é bom, esse outro expõe argumentos em defesa de seu time, enquanto que o time em si talvez nem saiba de suas existências, ao mesmo tempo em que a Amazônia é incendiada, não pelo fogo, mas pelo o homem.

Na disputa da manifestação das palavras para defender ou acusar, já houve uma política de escolha em quais são as melhores palavras que podem ser ditas para certa pessoa, em certo lugar, certo momento? Então, como não gostar de política, se, fazemos política fora do gosto? Isto é, “Não gosto de política” – ao deliberar a escolha dessas palavras para a formação de tal frase, já não seria uma política? A política das palavras.

O fazer político é um ato de formar uma frase que tanto pode concordar ou discordar com a própria política, pelo fato de está sempre dentro de um discurso.

Icaro Rodrigues da Silva



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