Peritos da Polícia Científica de São Paulo criam aplicativo que ajuda a extrair dados do WhatsApp

Dra. Mara Pires

Dois Peritos Criminais do Núcleo de Perícias de Informática da Polícia Científica de São Paulo desenvolveram um aplicativo que auxilia na extração de dados trocados por meio do WhatsApp. O Extrator, como foi batizado, ajuda obter provas em conversas criptografadas pelo aplicativo e é um avanço em relação às ferramentas comerciais, que nem sempre funcionam, forçando os peritos em informática a fazer uma extração manual. “É um processo lento e ineficaz de transcrição, normalmente utilizando fotografias ou capturas de tela do aparelho. Os arquivos de mídia enviados e recebidos, como fotos e áudios, precisam ser identificados e associados às suas conversas e autores manualmente, um processo contraproducente”, informa a perita Mara Pires.

Junto com o companheiro de trabalho Rafael Ferraz, ela criou uma solução que facilita e agiliza a obtenção desses dados. “O aplicativo WhatsApp possui uma função que permite transmitir os históricos de conversas, incluindo arquivos de mídia enviados e recebidos, através de mensagens de correio eletrônico, utilizando uma rede de dados, como a internet. Este método não pode ser utilizado do ponto de vista forense, conforme observado no Procedimento Operacional Padrão do SENASP, uma vez que compromete a integridade dos vestígios digitais, que podem ser modificados ou até mesmo destruídos sem o conhecimento do usuário. Para explorar este recurso, desenvolvemos um aplicativo atualmente chamado de Extrator, que simula um aplicativo de correio eletrônico confiável, e é capaz de capturar os arquivos exportados pelo WhatsApp, incluindo a conversa legível e os arquivos de mídia correspondentes, com o aparelho totalmente off-line.

Dr. Rafael Ferraz

Nosso aplicativo grava os arquivos diretamente em um dispositivo USB OTG, como um pendrive, ou no cartão de memória removível, assegurando a integridade das informações extraídas de forma forense, calculando os valores de hash de todo conteúdo.”, completa o perito.

Os criadores esclarecem que a solução foi desenvolvida para auxiliar o trabalho dos peritos criminais e pode ser distribuída gratuitamente. “O aplicativo possibilita uma melhoria na qualidade dos laudos periciais, possibilitando a extração das conversas em formato de texto e das mídias enviadas e recebidas. Ele permite extrações de muito mais informação do que a obtida através da simples fotografia de uma quantidade pequena de telas do smartphone”, explica a criadora do app.

O Extrator já foi enviado para peritos da Polícia Federal, Institutos de Criminalística de outros estados e até para o Ministério Público da Argentina.

Fonte: SINPCRESP

Fotos: Daniel Modesto



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