O sabor do inexplicável

Em uma determinada manhã de um dia qualquer, o sol já dava sua luz e os pássaros já cantarolavam satisfeitos, me peguei eu num flesch de pensamento como se num piscar de olhos eu voltasse há tempos passados, distantes e cobertos de emoção.

Num toque do acaso ou passe de mágica me deparei eu menina de frente com mamãe naquela dia que ficou na memória.

Era um dia como esse sem nada de muito especial, vi nos olhos de mamãe um brilho diferente em um semblante de tristeza em seu rosto já envelhecido, com as marcas do tempo e do sofrimento, era aquele brilho de lágrima, as lágrimas que ela retinha para não deixar rolar na presença dos filhos, sacrifico de mãe que só hoje entendo.

A tarde se aproximava e com ela o desespero, pois uma mãe em algum lugar do mundo não teria naquela noite uma refeição para oferecer aos seus filhos, o impacto da sociedade e da desigualdade onde prevalece o fato de alguns ter muito e outros não terem nada, infelizmente aquela sofrida mulher fazia parte do grupo menos favorecido.

Mais o que o acaso não sabia é que há certas situações que exigem medidas drásticas, e era um bom momento para usar a imaginação.

Num grito suave ela nos reuniu em volta daquela mesa, todos ansiosos para saborear a última refeição do dia, mais não havia ali pratos nem talheres, o que havia era um copo d’água para cada filho, ou deveria eu chamar de um copo de esperança, ela nos disse que seria algo diferente cada um pegaria seu copo e teria que imaginar enquanto bebia o sabor que gostaria que tivesse, poderíamos escolher o que quiséssemos, comeríamos naquela noite o que tivéssemos vontade era só imaginar.

Imaginei eu tomando um caldo maravilhoso com sabor de quero mais, e assim foi a refeição, levantamos da mesa todos satisfeitos, inclusive mamãe.

O sabor do e explicável e algo inesquecível, podemos chamar do que quisermos, loucura, desespero e milagre.

Não importa! O importante é que naquela dia um ato fé e esperança alimentou toda uma família, onde a única coisa que prevalecia era a certeza do descaso.

E hoje me pego pensando como a felicidade está em coisas tão simples, precisamos de tão pouco e almejamos o muito.

Mais o que mamãe nunca soube é que eu naquele dia comecei pela sobremesa.
Pois meu primeiro gole, tinha gosto…De SONHO!



Amante das prosas e rimas, escrever é fugir do caos e se encontrar em meio há várias possibilidades. Nem autora, nem poeta apenas apaixonada pelas palavras.

Diga-nos o que achou do post: