O pior de todos os problemas

Cada pessoa tem um modo próprio de avaliar a gravidade de desafios que lhe são apresentados cotidianamente. Aqui no Ocidente, somos levados a acreditarmos que uma única pessoa pode ser mais importante que todo o grupo ao qual venha a pertencer. A cultura nos define e nós definimos a cultura, pois a modificamos aos nossos gostos.

Entretanto, em grande parte do que costumamos chamar de Oriente, a tradição e o grupo são sempre mais importantes que o indivíduo e seus gostos particulares.  Naquela região do mundo, pautam suas criações naquilo que já existe – não tentam reinventar a roda – e a isso chamam de inovação.

Dentre todas as formas de tecnologia e inovação criadas pelos povos que lá vivem, a que mais me chama a atenção, por muitos motivos, é a do cultivo de mentalidades. Alguns daqueles povos têm mais de cinco mil anos de história registrada, e, partindo desse princípio, criaram formas de viver, pensar, sentir e inovar de modo a evitarem passarem novamente pelos problemas que os atormentaram no passado, como grandes fomes, inundações, secas ou pragas nas lavouras.

O cultivo da mentalidade certa pode tanto construir quanto destruir uma pessoa, uma família, uma cidade, toda uma sociedade, até mesmo um país. Imagine o que é possível fazer quando alguém lhe convence de que você é um gênio e até seus erros são acertos. Agora imagine o oposto: de que até o modo que você  respira é errado. Como se sente sendo uma gênio? E como se sente sendo menos que uma ameba?

Esse é o poder da mentalidade. Ao aplicar tal poder em qualquer setor da vida, para o bem ou para o mal, os resultados são sempre rápidos. Na Educação, por exemplo, isso vale para todos os envolvidos no processo de instrução, isto é, pais ou responsáveis, estudantes, professores, equipe de apoio da escola, equipe administrativa e a própria comunidade no entorno da escola.

Imagine o seguinte cenário: Ana, personagem fictício para representar a toda e qualquer pessoa, tem um filho, o Enzo Gabriel. Enzo Gabriel tem sete anos de idade, duas janelinhas nos dentes e está no segundo ano do Ensino Fundamental. Ana sempre elogia Enzo Gabriel por ser comportado, estudioso, carinhoso e inteligente.

As pessoas que moram próximas à escola na qual Enzo Gabriel estuda não têm muita instrução e não são muito abastadas, mas são simpáticas e gentis, especialmente com as crianças da escola. A diretora da escola trata todo mundo muito bem dentro de sua possibilidade, além de ser uma pessoa de muita boa-vontade.

As equipes administrativas e de apoio têm certeza de que estão ali para fazerem o melhor para que as crianças ali presentes tenham a melhor experiência possível na escola e trabalham duro para isso. Os professores procuram ensinar às crianças que elas são pequenas pessoas maravilhosas, que só conseguem fazerem maravilhas e que aprendem rápido e bem o que quer que se ensine.

Agora, lhe pergunto: num cenário tão afetuoso e positivo, quais as chances de Enzo Gabriel e seus colegas construírem mentalidades negativas de autossabotagem ou de práticas maldosas? Bem pequenas, certo? E, sabendo Enzo Gabriel que mesmo errando ele terá apoio e compreensão, em vez de gritaria e punição, teria ele mais gosto em ir à escola para aprender um pouco mais?  A-haaaaaaaaaa! Mais uma vez, foi demonstrado o poder da mentalidade correta.

Agora, falemos de você. Você está estudando para um concurso público e só de pensar no mar de disciplinas e matérias para serem estudadas e no pouco tempo que se tem para aprender, revisar, tirar todas as dúvidas, refazer exercícios, corrigi-los, refazer os que não conseguiu acertar, revisar mais uma vez a matéria teórica, fazer mais exercícios,ufa… bom, acho que já deu para entender, já dá uma crise de ansiedade atrás da outra, certo?

Com a mentalidade correta, você consegue tranquilamente organizar seu tempo, seus estudos e suas necessidades de modo a uma coisa não atrapalhar a outra e sem ultrapassar o tempo exigido. Lembrando: a mentalidade só pode ser construída por você, pois, quando você tenta copiar e colar de alguém, sempre fica faltando alguma coisa e você, sem sombra de dúvidas, fracassa.

Ainda sobre esse assunto, o pior de todos os problemas é o de número 84: querer ter problema algum e, para isso, super complicar o que é simples. Não apenas dificulta a vida, como atrapalha quem estiver ao seu redor. Ao construir mentalidades, comece sempre pelo que há de mais simples e básico, para que tenha sucesso e progrida de modo rápido, consistente e seja eficiente. Sua saúde e suas metas agradecem.



Estudante da vida e suas conexões, professora por ofício e vício, pesquisadora por necessidade, ajuda as pessoas a atingirem suas metas de modo personalizado, barato e sem justificativas usando a Educação como principal ferramenta.

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