O ITINERÁRIO DE VIVER É OBRIGATÓRIO- BANQUETE DOS SENTIDOS

Sou um convidado penetra que, sem ter condições de ombrear com o brilho desses homens que se envolvem nessa bagunça da terra, inevitavelmente tenho que estar vivendo, entretanto, vejo a nudez do sistema, aliás, de vários sistemas e não me sinto parte desse teatro dos homens alucinados por essas estórias.

Só interpretamos cenas, etiquetas e formalidades porque não suportamos saber que todos fazemos parte de um teatro. Não se trata de um momento de crise existencial e sim de experiência, nudez vista nos pontos cegos dos sistemas e hoje, pelo menos para mim quase nada se sustenta, pois tudo se move o tempo todo.

Tudo depende da sua vontade e capacidade de escalar a montanha da consciência e ver os enigmas e obscuridades revelando suas verdadeiras intenções. Tudo está bem organizado, pois quando eu nasci isso tudo já estava formado e não há o que eu faça que possa mudar isso. Neste sentido, resta-me não viver com eles, ainda que de alguma forma tenha que ser inserido para ser parte, ainda assim, sou e sempre serei independente!!!

Tenho lido muitos livros durante anos e pesquisado muito sobre os sistemas existentes na terra, desde suas criações até suas atualizações e vejo uma cortina de fumaça que esconde a verdadeira intenção. Através das pesquisas e da problematização, aos poucos vão sendo revelado estórias dentro das “histórias “.

A dificuldade em me diluir no mundo, em vê as duplicidades afetivas ” eu te amo e te odeio”; os impulsos e as violências. O sentido e a consciência de vida – ser ou não ser? As tramas do poder, traições e mortes, tudo pelo poder, as farsas religiosas e seus sistemas ditadores que prendem as pessoas e lhes impõe uma ordem de comportamento e um impedimento de pensar, pesquisar ou terem acesso aos bastidores da intenção verdadeira desses que dizem fazer por amor ao próximo e a Deus, porém, não são nada do que dizem e pensam ser, pelo menos em grande maioria deles no ocidente e por toda a terra. Aliás, em toda a terra milhares de religiões, respeito à todas, no entanto, não vibro com nenhuma, mesmo que sua intenção seja salvar, prefiro ficar aqui na solidão com Deus no outro lado da margem do rio. Aos poucos muitos deles terão uma crise existencial.  Como traumas e decepções mudam o curso da vida, é revelado na crise existencial como nossos heróis foram inventados e não se sustentam por muito tempo, heróis com traços contraditórios.

Viver é obrigatório, porém, não somos obrigados à nada. Somos livres e a vida é plural, portanto somos responsáveis pelos seus resultados. Sempre alerto pessoas que me procuram, caso não me ouçam ou não façam o que eu digo no sentido de organizar o seu turno enquanto vida, eu deixo que elas se vão…

Passados alguns anos ou algum tempo considerável, eu sou surpreendido com um pedido de ajuda da mesma estrela perdida. Eu digo então: Eu não te avisei? Em outras, apenas dou aquele sorriso, com meu sarcasmo distante. Nada porém foi inútil até aqui, o seu caminho paralelo te trouxe até à mim, bem vindo ao fim da busca. Deus está dentro e não fora. Se sou um meio para uns, para outros serei um fim.

Quando não há o que se buscar, termina o jogo, então entramos em outra diversão, melhor dizendo, somos consciência pura e então a vida acontece aqui e agora sem necessidade de passado ou futuro, quiçá ficar preso em coisas ou sistemas. Liberdade total com responsabilidade espiritual no sentido de respeitar o espírito e o espaço do outro se expressar como quiser.

Agora somos o diálogo do gênio, somos o espanto, aquele que não agride e sim apenas faz refletir. Levantar templos a virtude e cavar masmorras aos vícios. Se eu fosse um moralista clássico teria dito que aprendi humildade diante da consciência de tudo que li em livros ao longo da vida. Como o meu espírito é maior do que todo o meu fogo-fátuo pretensioso, imagino não o antídoto do orgulho, mas por qual motivo incorporamos humildade ao discurso ou a qual objeto serve a exibição das plumas do meu pavão narcísico.

Gosto de estar sozinho, solitário e em silêncio. Se forem tocar em meu silêncio, que seja para me apresentar uma companhia de verdade. Como sei que a vida é uma peça, uma arte, sei bem me equilibrar sobre muitas situações.

Estamos num castelo frio. Durante toda história da sociedade, da religião, da política, seja aqui no Brasil ou em outros países, sempre houve a hora do revezamento. Cenários mudados, novos atores, novas leis, enfim, revezamento dos guardas.

Será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de escolhos e, enfrentando-os, vencer?

Nessa vida, pelas favelas, pelos vilarejos, montanhas, metrópoles, capitais, comunidades; que devemos buscar na vida? Morrer, dormir, talvez sonhar; somos em todos os lugares enganados. Os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida.

Quem suportará os golpes do destino, os erros do opressor, o escárnio alheio, a ingratidão no amor, a lei tardia, o orgulho dos que mandam, o desprezo que a paciência atura dos indignos, quando podia procurar repouso na ponta de um punhal?

Quem carregará suando o fardo da pesada vida se o medo do que vem depois da morte – O país ignorado de onde nunca ninguém voltou – não nos turbasse a mente e nos fizesse arcar co’o mal que temos em vez de voar para esse, que ignoramos?

Assim nossa consciência se acovarda, e o instinto que inspira as decisões desmaia no indeciso pensamento, e as empresas supremas e oportunas desviam-se do fio da corrente e não são mais ação.

Como Filósofo, eu, Nilo Deyson penso que, diante das mazelas do mundo, é melhor tentar corrigi-las ou seguir em frente sem esperança de que algo possa mudar, aliás, o mundo não vai melhorar nunca, apenas pontualmente uma ou outra situação poderá ser talvez melhorada.

O mundo é complexo, os países sempre estarão em guerra. Seja por território, seja pelo poder, estarão sempre guerreando e portanto não vejo muita coisa que possa ser feito. Não acredito em muita coisa que me falam por saber que toda ação sempre terá seus bastidores e é ali que eu chego, cedo ou tarde e então termina o encanto sobre o espanto pelo fato de que aquele espetáculo era farsa, que o gato era lebre e o trigo era joio. Estórias, sempre estórias.

O mundo está sempre imerso em erros. Muitos se prendem em sistemas para terem alguma coisa para se ancorar, sejam na religião ou sistemas sociais e políticos ” esquemas “. A crença na perfectibilidade do mundo, sua capacidade de melhorar, anima os bons santos, homens inocentes sem conhecimento. Há vários maneiras de reforçar o sentimento, desde a crença numa missão divina que, independente da redenção ou não do planeta, causará “salvação ” para o indivíduo. Isso é forte nos monoteístas tradicionais, onde eles dizem: estou inserido num plano maior e jogo minha pequena parte com maestria e submissão ao Altíssimo, tudo faço e n’Ele confio.

Mesmo em em tradições religiosas muito distintas como o hindu, o trecho fundamental do diálogo de Krishna e o guerreiro Arjuna é para estabelecer a necessidade de cada um fazer o melhor dentro de sua casa e do seu carma para executar as tarefas.  O resultado é menos relevante para todas as tradições citadas do que o esforço e empenho em realizar o que é correto.

Não dou audiência à muita bobagem por aí. Quero que as pessoas sejam livres, saibam respeitar umas as outras. Quero que sejam fortes e não dês língua a toda ideia, nem forme pensamento descabido; sê afável, mas sem vulgaridade. Os amigos que tens por verdadeiros, agarra-os a tu’alma em fios de aço; mas não procures distração ou festa com qualquer camarada sem critério.

Evita entrar em brigas; mas se entrares, presta a todos ouvido, mas a poucos a palavra. Lembre-se que o sábio cora suas palavras e se torna imune aos infortúnios do mundo agressor. Ouça a todos a censura mas reserva o teu próprio julgamento. Seja rico de conhecimento e espiritualidade, sê rico sem ostentação, pois o ornamento às vezes mostra o homem. Contigo mesmo; e como a noite ao dia, seguir-se-á que a ninguém serás falso.

Enfim, pouco conheço da vida, portanto sou imparcial, neutro e não tenho nenhuma vontade de estar dentro desses sistemas, cabe-me apenas deixar o alerta aos que estão escravos, que todos são livres e podem ter uma vida com leveza e paz permanente dentro de si. Você só vive uma única vez e não deve obrigação à ninguém, nem à religião. Ser livre requer empatia e resiliência e responsabilidade com todas as tomadas de decisão. Domine todas as teorias e técnicas possíveis, porém, quando encontrares um coração humano, seja simplesmente outro coração humano. Respeito e amor pelo próximo e pela vida sempre.

Diálogo e paz, pois sempre saímos maiores do que quando entramos em um diálogo pelo fato de um universo aprender com o outro. O ser humano é complexo e difícil de ser compreendido, tudo é muito difícil. Portanto, a vida é plural, mesmo sabendo que muitas coisas não passam de invenções dos alucinados homens na busca pelo controle das massas, ainda assim, respeite sempre o modo como o outro vê o mundo.  Tenha sua fé para si, se tu tens fé para comer carne, não critica quem tiver fé apenas para legumes. Existem limites dentro de cada ser, cada vida é condicionado à uma dimensão de espaço onde ele terá um limite que deve ser respeitado.

Para finalizar, que que saibam que como escritor e filósofo, sou sim, parte de muitas coisas e instituições, entretanto, sou livre no espírito e deixo a seguinte reflexão:

” Quando agir e quando calar? Seja protagonista, procure, pesquise, conheça a ti mesmo, aprenda à ser sem precisar de guru ou iluminados. Descubra sua ilha solitário, aprenda à estar sozinho consigo mesmo sem necessidade de cenários, luzes ou sons. Minha luz é a escuridão que te assusta, pois posso estar em todos os lugares, entrar e sair sem aís, medos ou impedimentos, pois sou a luz que anda onde seus olhos se espantam, escandalizam ou demonizam, pois nem toda escuridão é ausência de luz, é apenas ausência de sua real natureza despertada, e isso não será revelado para quase ninguém, apenas aos corajosas que invadem os bastidores do espanto e sorriem de todo o teatro da vida, afinal, a extensão do meu quintal é todo espaço criado pelo Grande Arquiteto do Universo. “

FILÓSOFO NILO DEYSON MONTEIRO PESSANHA



FILÓSOFO, ESCRITOR, POETA, COLUNISTA & PALESTRANTE. Fundador da Filosofia da imparcialidade participativa. Autor do livro de Filosofia Todos os Corações do mundo, e do Livro O Teatro da vida e a interpretação das coisas, quem nos garante ser verdade das coisas. Membro de diversas instituições culturais como por exemplo, é imortal acadêmico da Academia de Letras do Brasil seccional Campos dos Goytacazes, é imortal Acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, ocupante da cadeira n°17 , Fundador do NAISLA, Núcleo Acadêmico Italiano di Scienze, Littere e Arti. Membro de diversas instituições. Nilo Deyson Monteiro participou de diversas antologias, periódicos e muitos de seus trabalhos acadêmicos estão no Google ao pesquisar Filósofo Nilo Deyson.

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