O Desenvolvimento do Paraná

DO OURO AO CAFÉ: PRIMEIROS CICLOS ECONÔMICOS
RESPONSÁVEIS PELA OCUPAÇÃO DO ESTADO DO PARANÁ


O presente artigo faz parte de uma pesquisa sobre a história do Colégio Estadual
Dr. Gastão Vidigal do município de Maringá. A ênfase destinada à temática está
relacionada à compreensão dos primeiros ciclos econômicos que contribuíram para a
ocupação do Paraná e para o desenvolvimento de várias cidades da região, entre elas,
Maringá, local em que está inserido o objeto de nossa pesquisa.
Desse modo, pretendemos analisar neste artigo, alguns aspectos relacionados ao
desenvolvimento econômico do Paraná, visto que estes foram primordiais para o
povoamento e para a economia do estado, e influenciaram a colonização do noroeste
paranaense. Diante disso, conhecer esse momento histórico é condição indispensável
para recuperar aspectos referentes ao processo de implantação do Colégio Gastão
Vidigal.
Por sua vez, trata-se de um estudo de cunho bibliográfico, cujas fontes englobam
as pesquisas desenvolvidas por Bettes Junior, Ordoñez e Sales (1996), Lazier (2003),
Rollemberg (2010), Sschmidt e Filizola (1988), Wachowicz (1988), Trindade e
Andreazza (2001), Luz (1997), Balhana, Machado e Westphalen (1969), Pacífico (2007)
e Cancian (1981), as quais retratam os primeiros momentos da história do Paraná.
Nesse sentido, iremos discorrer, primeiramente, sobre o ciclo do ouro. Na
sequência, abordaremos o ciclo das tropas, da erva-mate, da madeira e do café. Este
último, responsável sobretudo pelo povoamento do Norte Novo, região em que está
localizada a cidade de Maringá. Esta, em sua fase de colonização, recebeu um elevado
contingente de pessoas motivadas, principalmente, pela fertilidade de suas terras, as
quais eram propícias ao cultivo do café, principal produto da época. Diante disso, o
número de estudantes aumentou no município, o qual gerou a necessidade de construção
de mais escolas, entre elas, a instituição de ensino a qual estamos investigando.

O início da ocupação e do desenvolvimento do Estado do Paraná

Conforme informações da Secretaria de Cultura do Paraná (2012), o processo de
ocupação da região paranaense remonta há 9000 anos. Sobre esse aspecto, o referido
órgão complementa que:

[…] as provas materiais dessa história são encontradas em todo o
território paranaense nos vários sítios arqueológicos já pesquisados
como: os sambaquis no litoral e as pinturas rupestres, nos Campos
Gerais. Nesses locais encontramos vestígios materiais importantes que
revelam como viviam os habitantes desta terra antes da vinda dos
primeiros europeus para a América (PARANÁ, 2012b).

Desse modo, os europeus ao chegarem ao Paraná, no século XVI, encontraram
várias tribos indígenas, como a nação Tupi, os Carijós, os Caiuás, entre outras. Os
historiadores Bettes Junior, Ordoñez e Sales (1996, p.22), relatam que:

Os índios viviam da caça, da pesca e da coleta de alimentos. Algumas
tribos praticavam uma agricultura simples, plantando principalmente
milho, mandioca, abóbora e batata-doce. O trabalho agrícola era
normalmente feito pelas mulheres. Algumas tribos desenvolviam um
bonito trabalho de cerâmica e cestaria.

O contato entre os índios e os colonos portugueses e espanhóis não ocorreu de
forma amigável. Os fatores desse desentendimento estão relacionados ao fato dos
europeus terem a intenção de escravizá-los como mão-de-obra, e de vendê-los no
mercado de escravos (LAZIER, 2003). Diante desse conflito, os indígenas se revoltaram
e lutaram contra os ocidentais, mas acabaram sendo dizimados.
Os portugueses iniciaram sua ocupação pelo litoral de forma lenta, porém
contínua. Já os espanhóis, adentraram pelo interior do Estado e se deslocaram em
direção ao Paraguai, por serem pressionados pelas expedições portuguesas. No litoral,
os colonizadores descobriram as primeiras minas de ouro. Porém, foi na região do Primeiro Planalto1

que a mineração paranaense atingiu seu apogeu. Esta atividade
econômica contou com a mão de obra do escravo negro (BETTES JUNIOR;
ORDOÑEZ; SALES, 1996).
Os africanos foram trazidos à força ao Brasil pelos portugueses. Estes utilizavam
a mão de obra escrava em diversas atividades. Sobre esse aspecto, Rollemberg (2010, p.
51) nos relata que “[…] a mão de obra africana foi utilizada nas minas de ouro, na
criação de gado, na exploração do mate e da madeira, nas lavouras e em todo tipo de
serviço […]”. Dessa forma, contribuiu para o desenvolvimento da economia paranaense,
a qual ocorreu por meio de ciclos: ouro, tropeirismo, erva-mate, madeira, café.
O ciclo do ouro teve início em Paranaguá na metade do século XVII. O tipo de
ouro explorado nesse local era chamado ouro de aluvião2

. Devido a sua grande procura
e as dificuldades para adentrar ao litoral paranaense os mineradores passaram a
construir suas moradias nos locais onde conseguiam chegar (SCHMIDT; FILIZOLA,
1988, p. 23). Assim, a atividade aurífera “[…] ocasionou o povoamento do litoral, a
fundação de Paranaguá, a colonização do Primeiro Planalto, a fundação de Curitiba e a
abertura de novos caminhos” (BETTES JUNIOR; ORDOÑEZ; SALES, 1996). Segundo
estes autores, os mineradores para chegarem ao Primeiro Planalto abriram caminhos
como o da Graciosa, do Itupava e do Arraial. Neste local, a mineração atingiu o seu
apogeu, sendo o ouro explorado nas regiões de Curitiba, Assungui, Tibagi, entre outras.
Wachowicz (1995) relata que a vida dos mineradores foi bem difícil; a
alimentação era deficiente, pois as mercadorias vinham de longe e geravam um alto
custo de vida. O fato de poucos trabalhadores dedicarem-se à agricultura e à pecuária
foi outro fator que contribuiu para essa situação. Em relação às moradias, Schimidt e
Filizola (1988, p. 25) explicitam que:

As casas eram cabanas de pau-a-pique, prendido com barro. O telhado
era coberto por capim ou folhas de butiá, uma espécie de palmeira. O


O Primeiro Planalto abrange a Serra do Mar, Curitiba e as cidades que compõem sua região
metropolitana (BETTES JUNIOR; ORDOÑEZ; SALES, 1996).
2 Conforme Schmidt e Filizola (1988), o ouro de aluvião é encontrado nos rios e para explorá-lo é
necessário a utilização da bateia.

chão era de barro batido. A mobília, muito simples: mesa com bancos,
cama e arcas que serviam para sentar e guardar cereais ou roupas.
Contudo, com a descoberta do ouro em Minas Gerais, houve o êxodo destes
mineradores para esta região em busca de melhores condições de vida, e, nesse
contexto, Curitiba passou à condição de Vila no ano de 1668.
O tropeirismo foi outra atividade econômica responsável pelo povoamento do
Paraná, mais especificamente, o Segundo Planalto, região dos Campos Gerais, área que
favorecia a criação do gado. Conforme Rollemberg (2010), o transporte do ouro e de
mercadorias que abasteciam as minas era realizado por animais de carga, e estes eram
conduzidos por tropeiros. Esses homens também transportavam o gado dessa região até
a província de São Paulo e Minas Gerais, locais onde os animais eram vendidos. Em
muitos lugares que paravam, os tropeiros deram origem a alguns povoados e vilas que,
posteriormente, se transformaram em cidades da região dos Campos Gerais. Shimidt e
Filizola (1988) complementam que esses povoados e vilas, atualmente, são as cidades
de Lapa, Jaguariaiva, Ponta Grossa, Castro, Palmeira, Guarapuava e Palmas.
Segundo Wachowicz (1988), o tropeiro foi o personagem típico da sociedade
paranaense no passado, que realizou o trabalho do correio por vontade própria, pois tal
serviço era praticamente inexistente no interior. Além disso, era ele que trazia as
notícias dos últimos acontecimentos, bem como, entregava bilhetes e recados pelas vilas
onde passava.
Com o desenvolvimento das ferrovias, o tropeirismo foi perdendo a sua força, e

a atividade econômica que destacou-se durante o século XIX foi a produção da erva-
mate. Este produto, antigamente conhecido por congonha, é extraído de uma planta

nativa encontrada nas matas da região. A erva-mate foi descoberta pelos índios
paranaenses os quais utilizavam-na como bebida. De acordo com Boguszewski (2007,
p.22), “[…] Apesar de algumas tentativas de introduzir no mercado diferentes produtos
derivados da erva-mate, foi como chimarrão que o consumo da erva se popularizou, e só
mais tarde é que o chá-mate assumiu importância comercial […]”.
Podemos observar, por meio das palavras de Wachowicz (1995, p. 128), a
importância dessa erva para o desenvolvimento da economia do Paraná e para o
surgimento da classe média paranaense:

Em 1853, possuía o Paraná 90 engenhos de beneficiamento do mate,
tendo o produto paranaense alcançado grande consumo nos mercados
de Buenos Aires, Montevidéu, Valparaiso no Chile e Rio de Janeiro.
Sua importância econômica, na condição de principal produto
paranaense, ultrapassou o período provincial e, até a década de 1920,
foi o esteio da economia do Paraná, apesar da forte concorrência
oferecida pelo Paraguai. A exploração do mate fez surgir no Paraná
um certo bem-estar e confiança no futuro, chegando a formar no
interior uma classe média, composta de produtores, os quais, devido à
posição conquistada na sociedade, vão exercer forte influência na
política local.

Várias foram as modificações ocorridas no Estado em função da produção da
erva-mate, entre elas, o desenvolvimento dos meios de transporte. Inicialmente, este
produto era conduzido para o litoral através de tropas de mulas. Em 1873, com a
construção da Estrada da Graciosa, este passou a ser transportado em carroções. Devido

à necessidade de sua exportação, foi construída, entre 1880 e 1885, a Ferrovia Curitiba-
Paranaguá (SCHMIDT; FILIZOLA, 1998).

A produção e a exportação da erva-mate contribuíram para a emancipação
política do Paraná em relação à Província de São Paulo. Este acontecimento ocorreu por
meio da Lei 704, de 29 de agosto de 1853: “A Comarca de Curitiba na Província de São
Paulo fica elevada a categoria de Província com a denominação de Província do Paraná.
A sua extensão e limites serão os mesmos da referida comarca” (apud LAZIER, 2003,
p. 85). Em 19 de dezembro de 1853, essa província foi instalada em Curitiba, e
Zacharias Góes de Vasconcelos foi seu primeiro presidente.
No início do século XX, a exportação da erva-mate decaiu devido ao
desenvolvimento de sua produção na Argentina, principal comprador da época,
resultando na diminuição de sua produção. Nesse contexto, iniciou-se uma maior
exploração da madeira, atividade que também contribuiu para o desenvolvimento do
Paraná.
A construção da estrada da Graciosa e da Ferrovia Curitiba-Paranaguá propiciou
o transporte da madeira, bem como a intensificação de sua exploração. Nesse cenário,
foram criadas várias serrarias que comercializavam a madeira de pinho com o Rio de
Janeiro e São Paulo, e, exportavam o produto para Montevidéu e Buenos Aires. Schimdt e Filizola (1988) expressam que essa atividade econômica atraiu o interesse de empresas
estrangeiras, as quais investiam na construção de ferrovias, e em troca recebiam do
governo terras para explorar a madeira. Os autores complementam:

A exploração da madeira não era praticada somente pelos
estrangeiros. Havia vários empresários paranaenses que possuíam
serrarias a vapor. Estas serrarias produziam barricas e peças para o
transporte da erva-mate, tábuas de pinho e embuia, cabos de
vassouras, madeira de pinho para fósforos e palhões para garrafas
(SCHMIDT; FILIZOLA, 1998, p. 45).

Nesse contexto, a Primeira Guerra Mundial contribuiu para alargar a exportação
da madeira de pinho,

[…] pois com a impossibilidade de importação do similar estrangeiro,
o pinho-do-paraná passou a abastecer o mercado interno e o argentino.
Multiplicaram-se as serrarias, concentrando-se no centro-sul e
deslocando-se para o oeste e sudoeste do Estado, na medida em que se
esgotavam as reservas de pinheiros, mais próximas das ferrovias,
transformando-se assim, a exportação de pinho, na nova atividade
econômica paranaense, ultrapassando a importância da erva-mate
como fonte de arrecadação de divisas para o Estado. O
desenvolvimento do transporte feito por caminhão após a década de
30, libertou a indústria madeireira da dependência exclusiva da estrada
de ferro, penetrando desta forma, cada vez mais para o interior. Em
um determinado espaço de tempo, durante a Segunda Guerra Mundial,
a madeira de pinho liderou a pauta das exportações do Paraná
(PARANÁ, 2012a, p.1).

No entanto, a exploração desordenada dessa madeira teve como consequência a
quase total extinção de sua espécie. Contudo, o ciclo da madeira e da erva-mate
propiciou o crescimento populacional do Estado devido à entrada de imigrantes para
trabalhar nessas atividades. Esta situação foi resultado da política imigracionista
instituída pela Província do Paraná para preencher os vazios demográficos e para
substituir a mão de obra escrava – cujo tráfico foi proibido desde o ano de 1850 – pela
mão de obra européia. De acordo com Rollemberg (2010, p. 78), “[…] até o fim do
século XIX, aproximadamente 100 mil imigrantes já haviam chegado ao Paraná, entre
os quais cerca de 47 mil poloneses, 19 mil ucranianos, 13 mil alemães, 8 mil italianos e
13 mil de outras origens […]”.

Os dados presentes no quadro I, comprovam o crescimento da população
paranaense, entre os anos de 1800 e 1900 devido à imigração:
É possível constatar o aumento considerável do número de imigrantes a partir do
ano de 1854, momento em que o tráfico de escravos estava proibido, e, período em que
o governo incentivou a colonização de regiões menos habitadas.
Os imigrantes, ao adentrarem ao Paraná, se instalavam em colônias. Estes
pagavam a dívida de seu lote por meio de prestações. Segundo Bettes Junior, Ordoñez e
Sales (1996), os italianos fixaram-se, principalmente, em Curitiba, Morretes, São José
dos Pinhais, Campo Largo e Alexandra; os poloneses em Guarapuava, União da Vitória,
Rio Negro, Curitiba, Campo Largo, São Mateus do Sul, Irati e Araucária; os holandeses
se estabeleceram em Castro, Carambeí e Arapoti; os ucranianos colonizaram as regiões
de Prudentópolis, Guarapuava, União da Vitória e Lapa; os japoneses se dirigiram para
Assaí, Cambará, Uraí, Tomazina, Londrina, Bandeirantes, Castro e Arapongas.
Trindade e Andreazza (2001) esclarecem que a maioria da população paranaense
se concentrava na área rural, mas que os imigrantes, no decorrer do século XIX e início
do XX, proporcionaram às cidades o desenvolvimento do comércio, da atividade
artesanal e das pequenas e médias indústrias, além de imprimirem o seu estilo nas
fachadas arquitetônicas e no ambiente urbano.
Rollemberg (2010, p. 80), conclui que:

[…] apesar das dificuldades, a política de incentivo à imigração
contribuiu para a modernização do Paraná e para a formação de uma
classe média tanto rural quanto urbana. Com a vinda dos primeiros

imigrantes, expandiu-se o cultivo do café e de cereais e estabeleceram-
se ofícios, como os de carpinteiro, alfaiate, ferreiro e marceneiro. Os

imigrantes introduziram o uso de ferramentas, como o ancinho, o
rastelo e o arado, além de produtos agrícolas, como o centeio e a
batata-inglesa, que foram incorporados à alimentação dos paranaenses.
Neste contexto, outra atividade econômica de grande importância para o Paraná,
no final do século XIX até meados do século XX, foi o cultivo do café. Este produto,
encontrado desde 1801 na lista dos produtos exportados pelo estado, era produzido no
litoral paranaense em pequena proporção. Propiciou a ocupação do Norte do Paraná, por
meio da expansão da cafeicultura paulista e pela colonização dirigida, esta
especialmente a partir da década de 1920. Luz (1997, p. 18) expressa que:

A nova cultura, beneficiando-se da fertilidade das terras recém-
desbravadas, atraía outros lavradores. Sua expansão se fez, na

primeira fase, pela iniciativa particular de fazendeiros vindos
principalmente das zonas cafeeiras em decadência de São Paulo e
Minas Gerais, que viam nas terras paranaenses a possibilidade de
ampliar suas lavouras […].

Os fazendeiros iniciaram sua penetração pelo curso superior e médio do rio
Itararé, onde estabeleceram os núcleos de Colônia Mineira, Tomazina, Santo Antônio da
Platina, Venceslau Braz e São José da Boa Vista, locais onde formaram as fazendas
pioneiras do Norte Velho (BALHANA; MACHADO; WESTPHALEN, 1969).
A ocupação dirigida processou-se por meio de companhias colonizadoras.
Merece destaque o empreendimento realizado pela Companhia Melhoramentos Norte
do Paraná3

, responsável pelo surgimento de várias cidades, entre elas, Londrina,
Apucarana, Mandaguari e Maringá, da região denominada Norte Novo. Conforme Luz
(1997, p. 22), a atuação desta companhia “[…] foi minuciosamente planejada e baseada
Foi fundada em 1925 por Lord Lovat, diretor da companhia inglesa Sudan Cotton Plantations
Syndicate, o qual decidiu, juntamente com seus acionistas, investir no desenvolvimento agrícola da
região. Inicialmente foi denominada Companhia de Terras Norte do Paraná. Após a aquisição dessa
empresa por investidores brasileiros passou a ser chamada Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.

no loteamento e vendas de terras, na construção de estradas e na implantação de núcleos
próximos uns dos outros”. A autora complementa:

[…] Embora se tenha baseado na fertilidade da terra roxa e na procura
para a formação de cafezais, a colonização promovida pela
Companhia de Terras Norte do Paraná não levou à formação de
grandes fazendas monocultoras – como no “Norte Velho”, a leste do
rio Tibagi, ou no oeste de São Paulo – mas ao estabelecimento de um
regime de pequenas propriedades, que propiciou desde logo uma vida
regional intensa. De um lado esse regime favoreceu a existência de
uma população rural bastante numerosa; de outro, as atividades de
beneficiamento dos produtos agrícolas, como também as
complementares ligadas ao comércio e à prestação de serviços, se
concentraram nas cidades, estabelecidas ao longo da estrada de ferro e
da rodovia construída sobre o principal espigão que corta a região
(LUZ, 1997, p. 23).

Pacífico (2007) assevera que o café tornou-se o elemento principal para a
ocupação do Norte Novo, pois quase todas as propriedades rurais o cultivavam,
alternando o seu plantio com outros produtos. Assim, o cultivo do café foi considerado
referência ímpar do sistema agrário dessa região no século XX, com seu pico entre as
décadas de 1950 e 1960.
A produção do café também expandiu-se do Rio Ivaí ao Piquirí, no chamado
Norte Novíssimo, e deste até o Rio Iguaçu, no Extremo Oeste Paranaense, durante as
décadas de 1940 a 1960. A partir desta última a cafeicultura paranaense entrou em
decadência (CANCIAN, 1981). Dentre os fatores que contribuíram para a decadência
dessa produção estão: as geadas de 1963, 1964 e 1966; a política de erradicação de
cafeeiros – a fim de diminuir a produção nacional –; e a produção da soja.

Considerações finais:

Os ciclos do ouro, do tropeirismo, da erva-mate, da madeira e do café, foram
elementos de grande importância para a ocupação e o desenvolvimento do Paraná. Por
meio destes, as regiões pouco habitadas foram sendo povoadas, sobretudo, por
imigrantes europeus que se deslocaram para o Estado do Paraná, incentivados pela
política imigratória, em busca de prosperidade, já que nesse período, a Europa passava
por um momento de guerras e de crise em sua economia.
A vinda de um grande número de imigrantes, com suas culturas e costumes para
essa região, conferiu novas aparências às cidades do Paraná, identificadas nas paisagens
urbanas, entre elas, igrejas, casas e escolas. Desse modo, podemos concluir com Lazier
(2003), que o Paraná foi considerado “a terra de todas as gentes”, pois se tornou uma
região composta por várias culturas e raças, talvez a única do mundo formada por essa
grande diversidade.
Além da política imigratória, foi de fundamental importância para o povoamento
do estado, a colonização dirigida. Dentre elas, destacamos a atuação da Companhia
Melhoramentos Norte do Paraná, responsável, sobretudo, pela ocupação do Norte Novo,
local onde está situado o município de Maringá. Este, a partir da década de 1940,
recebeu um grande número de colonos interessadas no cultivo do café, principal produto
agrícola da época, devido à predileção desta cultura pelo solo de terra roxa e, pela
expectativa de prosperarem economicamente.
Por sua vez, o aumento populacional da cidade de Maringá, exigiu a construção
de escolas para atender os filhos das famílias que nela foram se estabelecendo. Nesse
contexto, foi criado, no ano de 1953, o Ginásio Municipal de Maringá, primeira
instituição pública do município a oferecer o primeiro ciclo do ensino ginasial. Esta,
após sua estadualização, foi nomeada Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal, objeto de
nossa pesquisa.
Por fim, afirmamos que entender o desenvolvimento da economia paranaense
tornou-se imprescindível para a compreensão da colonização da região onde localiza-se
o município de Maringá, bem como o desenvolvimento dessa cidade e,
consequentemente, a implantação de várias instituições de ensino, entre elas o Colégio
Dr. Gastão Vidigal, cuja história está em processo de investigação.

REFERÊNCIAS:
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LUCAS, Maria Angélica Olivo Francisco (Orientadora/UEM)
MACHADO, Maria Cristina Gomes (Co-orientadora/UEM)

BALHANA, Altiva Pilatti; MACHADO, Brasil Pinheiro; WESTPHALEN, Cecília
Maria. História do Paraná. 2a Ed. Curitiba: Grafipar, 1969.

Universidade Estadual de Maringá
12 a 14 de Junho de 2013

BETTES JUNIOR, Hamilton; ORDOÑEZ, Marlene; SALES, Geraldo. Paraná:
estudos sociais. São Paulo: Scipione, 1996.
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http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2011/historia
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CANCIAN, Nadir Aparecida. Cafeicultura paranaense-1900/1970. Curitiba: Grafipar,
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LAZIER, Hermógenes. Paraná: terra de todas as gentes e de muitas histórias. 1a Ed.
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LUZ, France. O Fenômeno Urbano Numa Zona Pioneira: Maringá. Maringá: A
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ROLLEMBERG, Graziella. História do Paraná. 1a ed. São Paulo: Ática, 2010.
SCHMIDT, Maria A. M; FILIZOLA, Roberto. Construção: novos estudos sociais.
São Paulo: Editora do Brasil, 1988.
TRINDADE, Etelvina M. C; ANDREAZZA, Maria Luiza. Cultura e Educação no
Paraná. Curitiba: SEED, 2001.
WACHOWICZ, Ruy Christovam. História do Paraná. 7a ed. Curitiba: Gráfica
Venturini, 1995.



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