O Consenso de Especialistas também apoia a proibição do álcool

Hoje se considera a experiência americana de proibir consumo de álcool uma desgraça nacional, legitimamente revogada em 1933. Portanto haverá um dia de bloqueios e quarentenas que ocorreram nos anos de 2020 e 2021 seja estudados e as futuras gerações tenham a mesma impressão.

No entanto em 1920 defendeu-se corajosamente que a revogação da lei fosse aprovada. Quem apoiava a revogação teve que argumentar contra as opiniões populares de cientistas famosos e intelectuais da época. O que foi dito é contra o “consenso dos especialistas”.

Nesse aspecto há uma semelhança com as quarentenas dos anos de 2020 e 2021.

A primeira pista que tive sobre esta “história proibida” veio da leitura das gravações do Padre James Gillis na Rádio Popular na década 1920. Ele era ferrenho na luta contra a Lei Seca alegando que os custos sociais superam os supostos benefícios sociais. O que me surpreendeu foi a defesa contra seus comentários. Ele deve garantir a seus ouvintes que ele pessoalmente gosta de moderação, que o álcool é realmente uma coisa ruim e que fez coisas terríveis ao país. Ainda assim, disse ele que as proibições totais tiveram custos muito alto para sociedade.

Mas por que James foi cauteloso em seu pensamento? Na década de 1920 ele foi uma das raras figuras pulicas americanas que ousava falar contra uma política infeliz. Ler a entrevista me fez querer ir mais fundo no assunto, vendo que muitos intelectuais argumentaram que a Lei Seca fazia todo o sentido como um passo necessário para limpar a ordem social.

Resumindo, a “ciência” por trás da Lei Seca e a sociedade possuíam e ainda possuem um número enorme de problemas relacionados as bebidas alcoólicas. Há pobreza, crime, famílias órfãs, miséria urbana e assim por diante. Podemos dar uma olhada nos dados para ver que em todos esses casos há um elemento comum: o álcoolismo. É razoável que a eliminação deste fator seja o maior contribuinte para a eliminação de patologias. A prova é indiscutível. Faça isso depois aquilo e pronto.

Essa argumentação nem sempre foi tão simples assim, Simon Patten (1852-1922) foi um dos presidentes da Wharton School of Business. Sua alegação para defender a Lei Seca apresentou um argumento complicado sobre o clima que os EUA estavam passando. Em relação ao clima que fica frio, depois quente e depois frio e com isso o consumo de álcool parece acompanhar essas mudanças levando as pessoas a beber cada vez mais até que suas vidas estejam desmoronando.

Mark Thornton é o principal estudioso da área econômica em relação a Lei Seca e sua história. Para Patten o álcool é um produto que não possui um equilíbrio quanto ao consumo. Ou existem pessoas que são simpáticas e se abstêm de beber ou ficam bêbadas e se destroem.

O economista proibicionista mais influente da próxima geração é o superstar acadêmico e o progresso social Irving Fisher, cuja os incentivos para tornar a ciência econômica baseada em dados do que em teoria é lenda, assim como você promove a eugenia. Não importa se você conhece esse período e essas pessoas, mas ele também são um adversário de todos os ditos “especialistas”. Foram os “especialistas” que fizeram a diferença decisiva ao convencer o Congresso e o público de que uma proibição total era o caminho certo a seguir. Seu livro estranhamente intitulado Foridden at the Worst (1927) mostra tudo isso.

No mesmo ano de publicação Fisher convocou um painel de discussão na reunião anual da American Economic Association. Sua própria história está sendo revelada.

Eu fiz uma lista dos economistas que deveriam ser contra a Lei Seca e escrevi para eles; todos eles responderam que eu estava errado em pensar que eles se opunham à Lei Seca ou que, se fôssemos limitar a discussão à economia da Lei Seca, eles não se importariam em responder. Quando descobri que não teria nenhum orador representando o ponto de vista oposto, escrevi a todos os economistas americanos listados em “Minerva” e a todos os professores americanos de estatística. Nenhum aceitou.

Claramente seus colegas estavam enganados pela “ciência” prevalecente ou com medo de discordar da ortodoxia reinante. Mesmo enquanto o establishment político estava sendo corrompido os senhores do crime e das bebidas estavam crescendo em todo o país e dezenas de milhares de bares clandestinos prosperavam. Alegando que a Lei Seca havia criado US$ 6 bilhões em riqueza para os EUA – um valor frequentemente citado como oficial Fisher escreveu o seguinte:

A proibição veio para ficar. Se não for aplicada, suas bênçãos rapidamente se transformarão em uma maldição. Não há tempo a perder. Embora as coisas estejam muito melhores do que antes da Lei Seca, com a possível exceção do desrespeito à lei, elas podem não permanecer assim. A fiscalização vai curar o desrespeito à lei e outros males dos quais reclamam, bem como aumentar muito o bem. A Lei Seca americana entrará para a história como o prenúncio de uma nova era no mundo, da qual esta nação terá orgulho para sempre.

Para ver como o valor de US$ 6 bilhões é calculado e ver o resto da incrível ginástica matemática por trás da lei de apoio “científica” confira a apresentação detalhada de Thornton. É uma imagem perfeita da pseudociência em ação.

Mas isso não era incomum na época. O Journal of the American Medical Association disse sobre a proibição do álcool em 1920: “A maioria de nós acredita que é uma das práticas mais benéficas já adotadas pela legislatura”.

Lendo tudo isso lembro-me da conclusão científica do CDC de que fechar restaurantes durante uma pandemia salvaria vidas – uma conclusão baseada em um estudo tão pequeno que qualquer um pode até mesmo com o menor conhecimento de estatísticas e causalidade detectar imediatamente suas falhas (o mesmo estudo se comprovado também provaria que as máscaras não fazem diferença na propagação da infecção). Outro caso óbvio foi o fechamento brutal e não científico de escolas.

Também é verdade que os oponentes da Lei Seca eram rotineiramente e publicamente acusados de serem bêbados, protetores de contrabandistas ou de simplesmente não seguirem a ciência. Eles eram os anormais e assim permaneceram por uma década. O que finalmente quebrou a Lei Seca não foi a substituição de uma ortodoxia científica por outra, mas o descumprimento por parte da maioria da população. Quando a aplicação se tornou inviável e FDR viu a oposição à Lei Seca como politicamente vantajosa a lei finalmente mudou.

Quando olhamos para a história americana a Lei Seca é vista como um dos experimentos econômicos e sociais mais loucos dos tempos modernos. A própria ideia de que o governo por sua própria autoridade e poder expurga a produção e distribuição de álcool de uma sociedade ocidental nos parece hoje um sonho antigo tornou-se um desastre para todo o país.

O mesmo se pode dizer da quarentena em 2020. Aliás medindo o absurdo à escala do extremismo impõe-se a ideia de quarentena com a separação das pessoas, uso obrigatório de máscara e a abolição de fato de todas as grandes reuniões, diversão, arte e turismo parecem ainda mais brutalmente irracionais do que a proibição do álcool.

A loucura da multidão muitas vezes apoiada pelo “melhor da ciência” nunca para. Encontra apenas novas formas de expressão legal na nova era. Somente quando a multidão acordar os verdadeiros cientistas voltarão e prevalecerão enquanto a pseudociência autocrática afirma que isso nunca aconteceu.



Paranaense, Estudante de ciências econômicas e historia, formado em Logística e MBA em gestão de projetos. Leitor assíduo de filosofia e politica.

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