Nova reação inflamatória é identificada em casos graves de pacientes com Covid-19

Em 2021 uma nova reação inflamatória foi descoberta nos casos graves de pacientes acometidos com SARS-COV-2. Estudos sistemáticos analisaram pacientes e concluíram que a cascata da bradicinina está presente nos casos graves e de síndrome respiratória aguda grave, podendo gerar hiperinflamações sistêmicas, podendo ser fatal ao paciente.

ESTUDOS REALIZADOS

Recentemente, foi realizado um estudo conduzido pelo Laboratório de Oak Ridge (ORNL), do Departamento de Energia dos Estados Unidos, em que identificou novos padrões de expressão gênica, que podem explicar os sinais e sintomas produzidos de forma descontrolada nos pacientes com Covid-19, devido a uma resposta imunológica exagerada. Foram estudados genes de células encontradas no fluído pulmonar de 9 pacientes com Covid-19 e comparadas com 40 pacientes caso-controle.

A análise do estudo concluiu que os genes relacionados ao sistema bradicinina, um dos mecanismos para reduzir a pressão arterial no corpo humano, parece estar super ativado no fluido pulmonar daqueles contaminados com o novo Coronavírus.

CASCATA DA BRADICININA

De acordo com os cientistas, a bradicinina – que é mediadora da cascata inflamatória e possui função vasodilatadora e permeabilizadora – acaba sendo produzida em grande quantidade no soro de pacientes graves com Covid-19, já que outros sistemas do organismo não conseguem controlar/diminuir essa superprodução.

Para o cientista-chefe dos estudos, Dan Jacobson, as pesquisas e análises têm focado em identificar e compreender a cascata de citocinas e também a cascata da bradicinina, que irão ajudar a compreender as reações excessivas e exageradas do sistema imunológico de pacientes com a Covid-19, que em muitos casos geram os quadros de inflamações intensas e sistêmicas, que podem atingir vários órgãos e trazer danos ainda maiores do que os causados pelo vírus.

“Se pudermos bloquear essa patogênese em pacientes graves, podemos impedir que a resposta imunológica seja exagerada e daremos tempo ao sistema imunológico para combater o vírus para que os pacientes possam se recuperar”, explica Jacobson.

Profissionais da saúde e cientistas da área de infectologia explicam que a tempestade de bradicinina é a explicação para uma variedade de sinais e sintomas da Covid-19, desde mialgia, cefaleia e dispneia até náuseas, vômitos e diarreia.

ANÁLISE DE GENES

Graças à tecnologia, os pesquisadores por meio do equipamento denominado Summit, um supercomputador de última geração, conseguiram analisar genes expressos em pacientes com grave acometimento de Covid-19 e chegaram à seguinte conclusão: nesses pacientes ocorreu um aumento na expressão de enzimas que elevam a produção de bradicinina e uma diminuição das enzimas que quebram o polipeptídeo. Além disso, uma das enzimas menos encontradas nos pacientes com grave acometimento pela Covid-19 foi a enzima conversora de angiotensina (ECA), que é capaz de evitar a tempestade de bradicinina, já que é responsável por degradá-la e assim inibir uma super inflamação devido ao acúmulo de bradicinina.

CONCLUSÃO

Dessa forma, conclui-se que o excesso de bradicinina no organismo promove aumento da permeabilidade de vasos sanguíneos e caso esse aumento de permeabilidade ocorra no pulmão, será totalmente prejudicial ao paciente acometido. Isso porque as células imunológicas de defesa que normalmente ficam contidas dentro dos vasos entrarão em contato com o tecido infectado circundante, promovendo um grande processo inflamatório, gerando um aumento ainda maior das cascatas inflamatórias, como a cascata do ácido araquidônico, promovendo a liberação de mediadores inflamatórios como Prostaglandinas, Prostaciclínas e Tromboxanos, que pode gerar inibição da agregação plaquetária, sensibilidade exagerada à dor, febre, vasodilatação e inibição da secreção de ácido gástrico.

De acordo com Lúcia Helena Faccioli, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), apesar de a corticoterapia ser benéfico para muitos pacientes, o uso de corticoides para tratar a hiperinflamação não induz os mesmos resultados para todos os doentes. Por isso, sugere-se que o tratamento com corticoides seja iniciado o quanto antes em indivíduos hospitalizados e com quadros graves e críticos, principalmente naqueles como síndrome respiratória aguda grave (SARA) em combinação com inibidores do metabolismo de ácido araquidônico, para impedir a cascata do ácido araquidônico e impedir a liberação dos mediadores inflamatórios.

Além disso, é importante salientar que o uso inadequado e sem recomendação de corticoides pode trazer riscos relevantes para o organismo do paciente. É importante buscar orientação médica quanto à posologia de uso, no que diz respeito à dose, ao período de início e à duração do tratamento. Usar esse tipo de medicamento sem prescrição médica na fase viral da doença, que vem antes da fase inflamatória, pode agravar a infecção e piorar significativamente o prognóstico do paciente acometido.

Gabriel Sousa F. Abreu – Acadêmico de Medicina

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REFERÊNCIAS

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2020/08/supercomputador-aponta-nova-reacao-inflamatoria-causada-pela-covid-19.html#

https://www.medcode.com.br/noticias/covid-19-supercomputador-aponta-nova-reacao-inflam/

https://agencia.fapesp.br/novas-moleculas-associadas-a-hiperinflamacao-na-covid-19-sao-identificadas/35025/

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Graduando em Medicina, com diversos cursos e qualificações na área de saúde, estética e bem-estar. Fundador do Programa Plástica e Corpo, autor de artigos científicos e presidente da Liga Acadêmica de Cirurgia Plástica.

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