Nadar contra as correntezas

Já reparou que a curimatã é um peixe rebelde?…
Tem momentos em que a gente não pára para refletir certos detalhes bobos da vida, mas que carregam um imenso significado para o indivíduo. A felicidade tem um enorme significado humano, é por isso que todos buscam a felicidade, exceto alguns, que pensam que o preço para a busca de uma vida feliz, é o preço da saúde mental. A felicidade humana quase sempre tende para um fim que é comum a todos.

Santo Agostinho afirmava que por mais que dois homens seguissem caminhos distintos em busca da felicidade, no fim dos caminhos eles se encontrariam pois teriam encontrado a felicidade, por mais que seja a felicidade para cada um. Parece que as águas que correm para um lado, é o lado que todos os indivíduos correm para ir buscar a felicidade, como um cardume de peixes que vão aonde jogar comida. Quem vai contra o cardume, é expulso do bando, e tem que ir marcar território em outro lugar, como um leão faz.

Digo isso porque aqui no sertão, em tempos de cheia, ou melhor, nos invernos quando chove bem que a água desce para os rios através das grotas, e água de chuva com lama ou sem lama, não leva muito tempo para fazer parte do próprio rio. A curimatã que está nadando pelos intermédios do rio, quando vê a água descendo nas grotas, por instinto ela nada contra a correnteza, como se a felicidade dela fosse os contrários do que o que os outros peixes buscam.

Eu sempre pescava quando mais jovem, e olhava as curimatãs tentando subir os riachos, só que hoje percebi que a curimatã é um peixe rebelde. Se ela pensasse como nós humanos, suponho que ela não iria ver tanto sentido ir contra a correnteza, porque é preciso ter uma força excepcional para ir contra a correnteza. A curimatã é uma filósofa, pois, ir contra o senso comum, a massa, os cardumes, ou os grupinhos, é uma das características de um pensador supostamente crítico, de não aceitar engolir o cuscuz seco. (05/04/2021 – Icaro Silva)



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