Mulher, Justiça e Coronavírus

Se passasse uma semana sem ocorrer um evento ou acontecimento importante talvez não me sentisse forçada a escrever sobre ele. Na verdade, confesso, não sou obrigada, pois esta é uma plataforma livre.

Mas é o meu imaginário que me ‘fantasia’ como ‘colunista’. Sendo assim, tomo emprestado esse papel, mesmo que voluntário, e o transformo em trabalho. E como trabalho, me esfalfo e puxo pela minha consciência cívica e crítica e me obrigo a escrever sobre os últimos acontecimentos.

Como todo colunista deve fazer.

Essa semana iniciou com o Dia da Mulher. E sobre ela, a mulher (no caso, nós), não tenho o que dizer. Somos seres humanos como os homens também. É assim que eu vejo a coisa. Os adjetivos com os quais nos definem encontro em alguns homens assim como em algumas mulheres nem tanto. Para mim, tudo se resume apenas em diferenças biológicas entre o ‘elle & lui’ , assim como nas oportunidades ofertadas desde a infância também. Ainda encontramos boa parte das mulheres tendo menos chance de se desvencilhar das coisas que a cercam, se porventura assim o desejar. Seja por causa de uma eterna gestação quanto pela falta de um bom salário, de incentivo e coragem dos outros. Isso a faz procurar em si uma compreensão e resignação por vezes passiva demais e nada útil, porém admirada por quem gosta de manipular.

No mesmo dia, outra notícia tomou conta dessa semana, trazendo uma estrela que desviou as comemorações do dia da mulher: a anulação de todas as condenações do ex-presidente Lula da Silva que ficou um ano e sete meses preso. Inelegível na altura das eleições presidenciais de 2018 pela Lei da “Ficha Limpa” que ele mesmo sancionou em seu governo.

Não quero entrar de sola na discussão política entre B ou L, principalmente agora que debater esse assunto acarreta sentimentos exacerbados em quem não tolera opiniões contrárias. Mesmo que se fale sobre o óbvio, parece que o bom senso não desce ‘redondo’ para parte da população. Acho que é porque a Terra passou a ser para alguns demasiado chata e com isso “‘tudo o que os outros gostam é imoral, é ilegal e comunista”, segundo eles, e não Roberto Carlos, que além de tudo é católico.

Então vou simplificar bastante para falar no assunto sem procurar discussão. Vou falar de um homem qualquer condenado sem provas. Ou melhor dizendo, com ‘provas’ criadas pelo próprio juiz que o julgou e condenou e que, curiosamente, mais tarde foi trabalhar para o inimigo do condenado.

Mais fácil ainda transformar esse homem em um personagem de um filme de ação. Assim fica ainda mais distante da realidade. Qualquer semelhança entre fatos e nomes passará a ser mera coincidência. Um filme com muita trama, muitas jogadas estratégicas, armas e fakes. Há cenas de assassinatos e facada (mas sem sangue), por causa do horário, mas mesmo assim palavrões e cenas grotescas constantes não faltam.

Acho que assim facilita distinguir no filme o mocinho e o bandido. De cara, não busquem um super herói, busquem apenas o mocinho. Para começar é o que não gosta de armas. Já é uma pista de bom tamanho.

O filme ainda não tem um desfecho previsível. Acho que o transformaram em uma série. Só espero que a Direção reserve um bom final para o espectador, pois misturadas à ação, há cenas de terror, pois tudo se passa em meio a um genocídio.

A semana ainda não acabou.

E para concluir a crônica, fiquemos com o número atualizado de mortes no Brasil pela Covid-19: duzentos e setenta mil, seiscentos e cinquenta e seis pessoas mortas em doze meses. Só ontem foram duas mil duzentas e oitenta e seis mortes num só dia.

E se porventura este número não faz diferença no seu dia a dia, pode ser que seja por causa de uma ‘insuficiência empática’. Esta é uma doença muito comum hoje em dia. Mas há uma prática tibetana chamada ‘Tsering‘ muito boa para isso: quando for dormir, coloque uma garrafa d’água ao lado da cama. Desligue todos os aparelhos do quarto. Fique em completo silêncio. No escuro. Abra a janela e deixe entrar uma brisa. Feche os olhos e comece a contagem. Conte um a um até chegar ao número atualizado expresso nos jornais. Faça isso todos os dias até sentir o coração começar a apertar. Quando isso acontecer, é porque você está curado. Seu nível de empatia subiu.

E você até pode perceber mais fácil quem é o mocinho do filme.



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