MEMÓRIAS

Nossa vida é feita de memórias, do que vivemos, das viagens, dos ensinamentos, de tudo que vamos acumulando pelo tempo. Essas memórias se tornam experiências de vida, que alicerçam a nossa construção do futuro, pois é desses aprendizados adquiridos que podemos planejar e executar as ações que nos levarão a novas conquistas em nossas vidas.

Levamos em nossas memórias pessoas que conhecemos, amigos que fizemos, parentes com os quais convivemos, muitos desses já não estão mais presentes, cumpriram sua missão aqui e hoje estão vivos na memória que temos deles. Fizeram parte de nossa construção enquanto pessoas, profissionais, amigos, pais, enfim da nossa existência no mundo.

Imagine que não tivéssemos memória de nenhum acontecimento passado, que todo dia acordássemos como se fosse o primeiro dia de nossas vidas, sem o registro das experiências acumuladas anteriormente, sem conhecimento nenhum e nem, ao menos, saber que haverá um futuro a ser descortinado, será que teríamos evoluído como espécie ou já teríamos sido exterminados do planeta? Provavelmente a natureza já teria feito seu trabalho e colocado aqui uma espécie capaz de se desenvolver, como os da espécie “sapiens” foram e ainda somos capazes. Uma vez que pela seleção natural entre o gênero “homo” foram permanecendo os mais capazes de se adaptar e desenvolver em comunidades, aqueles que descobriram que o cozimento dos alimentos podia fazê-los ser melhor absorvidos pelo intestino, aqueles que consumiram carnes e outras proteínas e desenvolveram seus cérebros e aqueles que descobriram como se comunicar, falando ou desenhando nas paredes das cavernas, sendo que os não desenvolvidos foram se extinguindo naturalmente ou por ação dos mais desenvolvidos, sabe-se lá.

As nossas memórias, sejam elas afetivas ou cognitivas, nos fazem evoluir um pouco a cada dia, a cada experiência. Veja bem que a cada desilusão amorosa vamos ficando mais seletivos ao procurar por uma parceira ou parceiro, a cada erro que cometemos vamos procurando adquirir conhecimento para, além de corrigir esses erros, não cometê-los novamente, a cada tombo que levamos procuramos melhorar nosso equilíbrio e ter mais atenção nas caminhadas. Assim se evolui, imagina se não tivéssemos essas memórias, que cada um desses acontecimentos fosse esquecido depois e que continuássemos a viver por instinto, nada do que temos hoje seria possível, pois só foram descobertos ou inventados porque alguém desenvolveu conhecimento bastante para resolver alguns problemas existentes, alguém percebeu que havia um modo de solucionar determinadas falhas e procurou em seus arquivos mentais os conhecimentos necessários, e como eles vão para lá? Pelas memórias e conhecimentos acumulados anteriormente, pela vivência de situações passadas em que houve um problema que precisava ser solucionado para a vida ou algum projeto importante seguir adiante.

Temos vários tipos de memórias em nossa vida, as afetivas, que levamos dos nossos pais, tios, avós, irmãos, amigos, da infância, de lugares que gostamos; as cognitivas que são os aprendizados adquiridos na escola, na vida e no trabalho, para mim as mais importantes, e elas vão se acumulando, não param de ser abastecidas e nos tornam pessoas melhores quando sabemos filtrar bem tudo o que entra, ou pessoas piores quando não filtramos o que recebemos e aceitamos aquilo que nos impõem como forma de pertencer a um determinado grupo ou por domínio exercido por pessoas mais fortes. É preciso filtrar bem o que vamos guardar e, principalmente, o que vamos utilizar em nossa vida, podemos guardar uma memória ruim, de algum fato que nos prejudicou, para não cairmos outra vez na mesma conversa, isso ficará como experiência a não ser novamente vivida, e podemos guardar em nossa memória uma experiência muito boa, para que ou procuremos vivê-la novamente ou proporcionar algo parecido a quem amamos, sabendo usar podemos fazer alguém bem feliz, como fomos outro dia, em um novo momento e essa felicidade que proporcionamos a alguém aumenta a nossa felicidade também.

Viva intensamente aquilo que te enriquece enquanto pessoa, saiba guardar cada uma de suas memórias no lugar certo, tenha acesso fácil a elas, hoje em dia muitas de nossas memórias estão no celular, em fotos e vídeos, e podem ser facilmente resgatadas, pois guardamos nossas viagens, festas e encontros nesse aparelho, muitas pessoas ainda compartilham essas memórias com amigos nas redes sociais, assim elas se expandem e mostram quem elas são para as pessoas, ou quem elas querem que acreditem que são, cuidado com isso, pois quando a realidade da vida concreta se choca com a realidade virtual das redes sociais pode ser um tremendo abalo pessoal.

As memórias viram histórias posteriormente, a vida é uma história que termina no dia em que morremos. O nosso livro da vida vai sendo escrito a cada momento vivido, compartilhado, a cada viagem feita, a cada encontro, a cada imagem guardada, a cada sabor, a cada cheiro, tudo isso vai ficando em nós com o tempo. Quem nunca sentiu um cheiro de comida e logo foi transportado para a casa vó? Quem nunca sentiu um perfume e se lembrou da pessoa amada? Quem nunca? São vários gatilhos que podem trazer de volta as memórias, às vezes elas voltam “do nada”, mas sempre há algo que a busca lá no fundo de nossa mente, sem que percebamos que está acontecendo. Memórias que voltam e naquele momento acalentam a vida.

Ninguém constrói o futuro sem ter as memórias do passado, elas são necessárias o tempo todo, o nosso futuro depende de nossas memórias, das experiências que vivemos, dos conhecimentos que acumulamos, dos anseios que essas memórias nos trazem, pois sonhamos com aquilo que desejamos e desejamos aquilo que vimos em algum momento e que nos chamou a atenção, nos impactou e então miramos na realização desses sonhos e com o foco nessa meta ganhamos força para lutar por eles e não desistimos até conseguir. Depois outros sonhos virão, outras memórias a amparar esses sonhos e novas conquistas acontecerão e a vida continua bela.

Algumas memórias deveríamos jogar fora, deixar guardada somente a experiência do sofrimento causado para sabermos identificar quando estiver prestes a acontecer novamente, ou seja, ficarmos espertos com determinados comportamentos e situações e sair fora antes que aconteça outra vez. Outras memórias são tão boas que queremos viver aquilo a todo momento, elas nos marcam e ficam rondando nossas cabeças, sempre revirando as gavetas onde ficam guardadas, queremos mais e mais e de tanto querer acabamos até sentindo aquela sensação que sentimos, quem nunca passou por isso?



Formado em Letras e pós-graduado em Marketing, membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Com formação em Coaching, atua como treinador de vendedores e Palestrante Motivacional. Poeta, contista, cronista e articulista. Três vezes finalista do prêmio Top Blog, na categoria Política e colaborador no jornal Tribuna de Minas. Participação no projeto "Poesia na Escola" como autor de destaque na edição de 2022, você pode baixar o e-book do projeto acessando o link: https://online.fliphtml5.com/dozlr/ajdc/ Autor de dois livros "Conselhos Diários. Você Não Tem Limites!" e "Você Pode Mudar!", onde fala sobre aspectos de carreira e liderança. Você pode comprar no site: https://bio.uiclap.com/celsociampi

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