Manual da razão

Parece uma conotação irônica, falar de razão no atual momento em que nós, brasileiros comuns que trabalha e rala para sobreviver com o mínimo das linhas indicadoras abaixo de uma média cruel e injusta.


Onde inserir o contexto razão diante de tantas adversidades que atentam contra a vida do brasileiro comum, aquele que sobrevive da fantástica mágica de ter seu salário mínimo como fonte de renda para se safar nessa selva onde matar o leão se transformou em uma brincadeira de mau gosto, aliás o que é salário mínimo ? O que é mínimo se o todo (suficiente) já não faz parte da dignidade humana ?


Com sábias palavras Etienne de La Boétie, humanista francês, escritor, filósofo e poeta, já afirmava aos 16 anos de idade que, todo poder só se agiganta porque o povo permanece de joelhos e que para combater a tirania dos governantes não é preciso tirar nada dele, basta parar de dar o que alimenta a corrupção e sua permanência no poder. Nisso consiste a impressão da razão que grita e pede auxílio diante de tantas injustiças vindas de todos os lados e direções. Todo povo sofre por suas próprias ignorâncias.


O maior temor que permeia a humanidade não são os maus, mas a omissão e silêncio dos bons diante das atrocidades cometidas pelos governantes que se utilizam do poder para filtrar interesses próprios resguardados pelas corjas que o cercam.


É preciso parar essa máquina moedora de carnes que devora nossas vísceras a cada dia aumentando a asfixia de uma sobrevivência acuada pela opressão desenfreada de uma cruel e aniquiladora.


Onde está o amparo que os direitos humanos pega pesado na hora em que um bandido é colocado em uma cela superlotada ? Onde estão os caras pintadas que fizeram história por muito menos ? Onde está o brasileiro comum que não se aparta de seu parentesco com as emas que permanecem com a cara enfiada no chão ?


A razão pode ser convincente, mas muitas vezes repudiada em função de não temer a realidade, a dura e cruel realidade que é aceita em forma de sofrimento silencioso.


Diante do atual cenário em que a lei da relatividade tornou-se o maior argumento para os governantes e representantes do povo nessa nação tão judiada, a única certeza que nos resta é que na condição de descartáveis e inúteis amontoado de células cheias de direito, passamos a ser contexto de um resumo do nada, onde a razão foi vendida a troco de banana tendo como corretor da miséria, a ignorância de um povo que vai para uma guerra munidas de seus insignificantes estilingues.


Quando não pensamos, avalizamos a razão nas mãos dos inimigos.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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