Lula inocente

Eu fiquei muito preocupado com a decisão do ministro Fachin. Ele cancelou meses de trabalho de dezenas de pessoas.

E a minha maior preocupação não é somente porque o homem que saqueou o patrimônio brasileiro possa voltar ao poder.

Nem mesmo pelo risco de acirramento das posições políticas de direita e esquerda, que hoje parecem mais torcidas de time de futebol.

Disputa política faz parte da democracia. Mas a direita não quer Lula elegível porque ele é o único capaz de realmente disputar a presidência com Bolsonaro.

A esquerda e seus aliados querem Lula de volta. Eu me lembro como o PT fazia tudo funcionar. A Câmara e Senado estavam milagrosamente nas mãos do presidente. O STF mal se sabia que estava em Brasília.

Um dos senadores mais críticos ao presidente Lula foi Álvaro Dias, que também foi quem lutou nos bastidores pela indicação do ministro Fachin. Olha no que deu.

Mas tudo isso é apenas uma introdução.

O que me preocupa mesmo tem dois lados. Um deles é: como uma pessoa inocente foi condenada em todas as instâncias?

E se ele não é inocente, como pôde ser absolvido assim, pela decisão de um ministro?

Fico imaginando os investigadores, promotores, juízes e todos os profissionais envolvidos na Lava Jato que veem seu trabalho ser jogado no lixo.

E me pergunto: e se fosse uma pessoa inocente, mas pobre que fosse condenada? Ficaria na cadeia até cumprir sua pena.

Muito mais do que Lula inocente ou culpado, esse longo processo representa algo mais sério, que afeta a todos os brasileiros dela. A Justiça brasileira tem capacidade de cumprir sua finalidade?

A democracia não é o governo do povo, mas o governo das Leis. Se elas não são cumpridas igualmente para todos os cidadãos, não vivemos numa democracia.



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