Filosofia, a maior ameaça aos tiranos

Reconhecer a força do inimigo nem sempre é algo abertamente declarado, na maioria das vezes ainda que implicitamente conservado, o temor se esconde por trás de artifícios frívolos e chulos na tentativa de conter e disfarçar um medo atroz.

Estou falando da filosofia e seus inimigos, os bárbaros dos primórdios, os algozes do conhecimento, os tiranos do poder político sistematizado e vicioso que lutam com todas as forças para conter o avanço do pensamento filosófico na tentativa de minimizar as ameaças contra a corrupção e malefícios de muito em benefício de poucos.

É sabido que a filosofia, liberta, descortina, instrui, norteia, disciplina, auxilia, interpreta, amadurece, qualifica, filtra, evolui, critica, desmembra, possibilita, motiva, esclarece, capacita, oportuniza, propõe, acolhe, em fim, dentre miríades das mais variadas benesses que compões o horizonte filosófico, podemos compreender a ira dos tiranos que incomodados por suas insignificantes sustentações de um efêmero e frágil poder, fazem o impossível para detratar a filosofia não apenas das escolas, mas principalmente dos meios de comunicação através de mensagens subliminares incutidas em novelas, jornalismos tendenciosos e fakes em redes sociais, o que promove cada vez mais uma relevância maior de sua matéria prima nobre, “A alienação”.

Pensando fora da caixa podemos observar o quão insano chega a ser determinados apelos pejorativos totalmente apartados de uma razão lógica quando emprestamos um pouco de nosso tempo para ver e ouvir Putin dizer ao mundo que não está promovendo guerra, mas sim um despretensioso exercício militar.  Outra grande oportunidade de nos estarrecermos foi o pronunciamento de nosso chefe de Estado dizer que não tinha conhecimento de óbito em crianças por consequência da covid-19.  Como não bastasse o oceano de investidas para promover a alienação ainda somos obrigados a acreditar que pior seria se pior estivesse.

É nesse ponto que a filosofia desperta tanto a ira dos tiranos, pois dentre  a numerosa gama de atributos que norteiam a razão, a filosofia não se permite influenciar pelas primeiras impressões.  A dúvida é mais valiosa que as respostas, pois nela, todo ponto de partida determina a trajetória na busca da razão.  A lógica é uma fração importante no todo, mas não é tudo, pois lógica sem convencimento não explica, portanto é necessário mais, que só é encontrado no pensamento filosófico, nas entrelinhas que por muitas vezes passam despercebidas.

A filosofia não é influenciável devido ao seu vínculo e comprometimento com a busca pela verdade.

A filosofia não aceita o fim das questões, porque nela reside o mundo das possibilidades.

A filosofia não é ciência, pois seria uma depreciativa forma de apequena-la.

A filosofia não é imposição, é uma necessidade de sugerir o sugestionável para conduzir as dúvidas a seus objetivos.

A filosofia em suas questões existenciais, trata a vida como ela é e não como gostaríamos que fosse.

Diante dessa breve exposição, podemos compreender um pouco do quanto habita das forças contrárias nesse hiato que separa os homens do conhecimento filosófico e a liberdade que tal instância sugere muito bem esplanada no mito da caverna de Platão.

O homem que durante sua existência terrena não se serve do conhecimento, permite o oxidar de sua faculdade inteligível e portando da sua própria existência, nisso consiste a essência da verdadeira liberdade.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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