Filme “O sentido da vida” (2022)

Ou “The mystery of her”

Esse texto não é uma resenha de um filme. Não gosto de fazer resenhas. Gosto de conversar sobre o que um determinado filme me fez pensar. Acho complicado indicar filme ou livro já que cada pessoa tem um gosto particular. No entanto, conversar sobre um livro ou filme sempre é algo encantador e que pode nos instigar (ou não) a ir atrás do mesmo. Esses dias vi “O sentido da vida” (no original é “The mystery of her”, título muito mais adequado ao filme do que a tradução – só pra variar). A gente começa o filme cheia de expectativas por causa desse título e isso acaba nos frustrando. É um filme bem fraquinho (na minha humilde opinião), mas gostei da reflexão de encontrar o sentido da vida na busca por si mesmo.

Alisson (Ali) é uma estudante popular do ensino médio. Tem “tudo”, como dizem. É uma jogadora premiada, tem um namorado lindo e disputado, várias amigas e uma bolsa para uma boa faculdade. Quando sofre um acidente de carro, sobrevive sem nenhuma sequela, exceto a perda da memória. Ela não sabe mais quem ela é. Não reconhece amigos, nem o namorado. Ao sair do hospital e voltar pra casa não se sente à vontade na antiga vida. Não sente nada pelo namorado. Ao descobrir um diário escondido, Ali começa a perceber que sua antiga vida não era tão perfeita como todos a fazem acreditar. Afinal, porque escondia que escrevia poemas?

Aos poucos, com a ajuda de um rapaz marginalizado na escola, ela começa a se redescobrir. Ali percebe que há mistérios de sua vida que ninguém conhecia (olha aí a relação com o título…). Começa, então, uma busca pelo seu verdadeiro eu. Não seria esse o sentido da vida? Aprender sobre si mesmo, quem se é, suas aptidões e seguir desenvolvendo-as? Não aquilo que falam sobre nós, mas aquilo que se sente. Alisson, precisa saber o que realmente toca seu coração independentemente do que já conquistou ou o que “aparenta” ser. Ela tem uma segunda chance de ter uma vida mais significativa.

E nós? O que escondemos dos outros sobre nós? O que escondemos de nós mesmos? Você sempre quis mesmo ter poucos amigos ou queria mesmo era ser popular? Quer usar roupas formais e cores neutras ou seu coração pulsa mesmo é pelo exótico e o colorido? Perguntas a se fazer para se redescobrir livremente do que nos foi ensinado ou do que acreditamos que “devemos” ser ou gostar. Será que ouve música clássica mas preferia ir a um pagode? Se você se esconde nesses gostos pessoais, o que mais esconde de si mesmo?

Assim como Alisson, vamos ter uma segunda chance de nos redescobrirmos e ter uma vida mais significativa ou viveremos cheio de tesouros escondidos em nosso coração?



Carioca apaixonada pelo mar e pelas montanhas, hoje vive em Belo Horizonte e é mineira de coração. Ama livros, literatura, cinema e música. Vive uma busca constante em aprender e explorar o mundo, mas cada vez mais se volta para o autoconhecimento e a autocura. Escreve desde sempre: crônicas, resenhas, artigos literários e artigos diversos. Já foi revisora de livros e professora. Agora dedica-se a ler e escrever.

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