Falar demais é uma doença ?

Não incomum, encontrar pessoas que falam além da conta. Isso é um efeito de uma causa enraizada no inconsciente que mexe com diversos sentimentos quando a realidade narcísica cobra o preço desse impulso desenfreado e constante.
Geralmente quem fala demais, tem poucos assuntos e recai sempre na mesmice que permeia o terreno da repetição trazendo a reboque consequências que vão desde o auto isolamento a perda da auto estima podendo abrir caminho para depressão.
Em linhas gerais, quem fala pelos cotovelos, não se percebe, e por isso é vista apenas pelos outros como uma pessoa a ser evitada. Muitas vezes a compulsão a falar chega a picos que atropela valores que deveriam fazer parte de um diálogo como; respeitar a vez do outro, humildade para aceitar que os outros também tem opinião, abstinência do egocentrismo como forma de maturidade, ciência de que todos são iguais e por isso possuem posicionamentos afins ou divergentes dos quais devem ser precedidos de receptividade o que não significa necessariamente aceitação.
O falar excessivamente pode ter em suas razões, origem em algo recalcado no inconsciente e que se manifesta no consciente modificado em seu formato original chegando a tornar prazeroso a fala compulsiva conhecida por logomania, verbosidade, logorreia, verbomania ou ainda verborreia. A compulsão a falar produz em suas cercanias alterações nas expressões faciais, alteração no estado de ânimo, a síndrome do pensamento acelerado e por consequência a loquacidade (incapacidade de síntese, excesso de palavras), exposição sinestésica (altas produções gestuais e toques), contração e elasticidade facial repetidamente.
Na ambiência anatômica e psíquica, podemos entender esse sintoma como uma soma de diversos transtornos como; afasia, lesões no tálamo, transtorno de personalidade esquizoide, hiperatividade e transtorno esquizoafetivo. Pode ainda está associada a patologias de ordem cardíaca tais como hipertensão e taquicardia.
Para um melhor entendimento, vamos conceituar sintomas e sinais, assim como as respectivas diferenças para compreender o cenário da logomania. Entende-se por sinais tudo aquilo que o comportamento do paciente é visto pelas pessoas que estão ao seu redor. Sintomas são as queixas do paciente. No caso do paciente acometido pela logomania é característica central, a não auto aceitação de sua condição de falante excessivo, por isso não produz queixas, logo não apresenta sintomas e sim, sinais.
A logomaia é nutrida pela compulsão involuntária justamente por está enraizada no inconsciente e chaga a proporções de grandes alterações comportamentais, onde em picos de suas manifestações, se a pessoa estiver sozinha, ela começa a falar consigo mesma.
O falar excessivamente pode levar ao surto psicótico quando a fala em demasia ganha ritmo acelerado ao ponto de perder a lógica sequencial da exposição, variando de assunto e fugindo da temática, induzindo a elevação do tom de voz, desencadeando o sentimento de ira, podendo chegar a gritos e agressão verbal ou física.
O que inicialmente pareceu um cenário amistoso e engraçado, por fim podemos compreender a seriedade das consequências em função da logomania, por isso é sugerido um olhar mais filtrado e apurado quando nos depararmos como alguém que fala pelos cotovelos.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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