Faça o bem para os outros e pra você também

Nossa sociedade tem valorizado cada vez mais o altruísmo, o dar-se para o outro, isto é, doar-se, estar disponível para ajudar as pessoas. Essa atitude gera virtudes respeitadas como a bondade, a empatia e a solidariedade. Mas se esse for um comportamento em excesso ou realizado através de sacrifícios pode gerar prejuízos para a própria pessoa. Vou explicar melhor…

De forma alguma esse texto é uma crítica a atitudes que geram bondade, amor e ajuda ao próximo. Até porque a sociedade está precisando cada vez mais disso. Merece atenção, no entanto, o comportamento de doar-se sem cuidar de si mesmo, sem respeitar às próprias vontades e verdades ou dar-se a quem não te valoriza. Não é possível amar ou ajudar ao próximo, sem antes fazer isso pra si mesmo. Isso significa que a pessoa precisa suprir suas necessidades primordiais para só depois conseguir fazer algo para o outro.

As mulheres, em geral, têm uma tendência maior a fazer isso. Colocar os filhos, o marido, o amor em primeiro lugar deixando-se em segundo plano. Se isso for necessário, precisa ser por um curto espaço de tempo (a mãe de um recém-nascido, pode ser um exemplo). Fazer primeiro para o outro acaba gerando uma raiva adormecida. Muitas vezes você nem percebe, vai fazendo, vai ajudando, se enrola, se mata, se endivida e vai acumulando raivas e angústia. Uma hora essa raiva e a angústia estouram em seu peito. Não é possível viver em segundo (e muitas vezes, em último) lugar sem causar um stress emocional em todo seu corpo. Porque no fundo você sabe o que quer, o que precisa e a falta dessa satisfação vai gerando desconforto e a raiva pode, então, voltar-se para o outro.

Comece, então, a olhar pra você, para os seus desejos, suas necessidades e verdades. Respeite seus limites e suas dores. Se algo te causa sofrimento, não faça. Mude. Ajudar o outro só é saudável se isso é feito por amor e não por obrigação. Fazer sacrifícios para os outros pode matá-lo aos poucos, pois você vai se anulando e, por fim, nem se reconhece mais. Não seja bonzinho para ganhar nada, faça o que acha certo. Mostre quem você é, o que gosta, mesmo que isso o deixe mais sozinho. É melhor estar feliz consigo mesmo do que infeliz ao lado de muita gente. Sempre faça o bem pros outros, mas pra você também.



Carioca apaixonada pelo mar e pelas montanhas, hoje vive em Belo Horizonte e é mineira de coração. Ama livros, literatura, cinema e música. Vive uma busca constante em aprender e explorar o mundo, mas cada vez mais se volta para o autoconhecimento e a autocura. Escreve desde sempre: crônicas, resenhas, artigos literários e artigos diversos. Já foi revisora de livros e professora. Agora dedica-se a ler e escrever.

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