Eu, Tu ou Você, Ele Não

Queria usar o ‘tu’, mas está em desuso. Acho até que já nem posso. Desapareceu por completo dos noticiários e jornais. Há regiões que ainda o usam, mas quase sempre mal conjugado. Então adotou-se a prática americana, cortou-se o que é difícil fazer. Abaixo a conjugação! Só que algo deu errado, digo eu. Na hora de usar o possessivo, como saber se o seu é teu ou é o seu, sendo dele? Com o tu era mais fácil decidir. Direto, monossilábico, informal, singelo. Já ‘você’ é o oposto.

Mas não pensem que sou arredia à modernidade, muito pelo contrário, sei que ela é a responsável por eu estar aqui agora, escrevendo, e jamais seria contra isso. Também sei que é graças a ela que nossas mentes foram se abrindo aos poucos, tirando as quinquilharias do sótão, as teias de aranha do porão, as trancas enferrujadas do armário embutido, o mofo das cobertas que nos revestiam. Permaneceríamos mórbidos objetos de decoração rococó empoeirados no canto se a modernidade não escancarasse nossas portas e janelas para deixar o sol entrar e nos fazer mais saudáveis.

Por isso, na ordem da semana que está apenas começando, vou resumindo a que passou passou trazendo de volta o folhetim e as notícias como nunca viram sem usar o tu.

Continuamos no primeiro ranking vergonhoso, inverso em mérito e orgulho, do país com mais mortos no mundo. Em total contramão de todos os outros países que, unidos por ações uniformes e sérias, digo, científicas e civilizadas, agora já conseguem ver uma luz no fim do túnel. Luz essa para nós impossível de ver, quando nem o túnel enxergamos. Isso, se já foi construído, ou mais ainda, planejado.

Vamos engolindo, sem anestésico, uma presidência que mais se assemelha a um presídio, tão cerradas estão suas mentes, birrentas e mimadas, acostumadas a não fazer literalmente nada. O sangue congelado pela inércia não lhes corre nas veias e o oxigênio não chega ao cérebro. A física quântica e humana explica.

Enquanto isso pinceladas de psicopatia se avolumam no país, como o caso desse senador Jairinho. ” É inimaginável olhar para ele e ver um monstro”, disse o nosso prefeito Paes, pois eu digo que nosso prefeito não deve ter visto muitos filmes de terror, mais propenso às alegrias do carnaval carioca, pois se os visse distinguiria os acometidos por essa doença mais facilmente. O sintoma é basicamente no emotion. Experimente mostrar à alguém potente, a notícia de que há quase meio milhão de mortos no país em apenas doze meses para ver se ele faz algo. Se ele demonstrar pouco caso, está aí um quadro nítido.

A CPI vai acontecer, de um jeito ou de outro, extensivo aos estados e municípios ou não, e vai apurar tudo e todos, um por um, os psicopatas ou ‘quatro patas’, os que mostrarão as mãos laranja, ou os lunáticos sorrindo sem máscaras, os que beberam o álcool, aglomerados, os que elevaram à potência máxima uma epidemia já por si só difícil de conter.

Iremos expurgar de uma vez por todas o passado triste ainda almejado por essa parcela insana da população que dá o nome à essa loucura de ‘tradição’. Vai tudo no mesmo trem. O trem da Maria Fumaça (a p&b) que já foi, deu, vai longe. E ela, a Santa Maria rogará por nós e os levará, assim seja amém.

à propósito, não se safarão os que usaram a bíblia e a fé dos humildes. Quiseram trazer mais um marco inquisidor na história insuflando ódio e preconceito. Seus esquemas piramidais de dinheiro serão descobertos também. Esses vão ocupar o vagão próximo à brasa escaldante da caldeira, pois praticaram um dos maiores pecados.

As outras notícias são curtas e juntadas: O preço do botijão atinge recorde histórico; a secretaria especial de cultura, refúgio dos radicais de direita, mantém sua perseguição aos outros partidos. Julgam-se eles totalitários, como se algum partido fosse por inteiro; na Amazônia, a polícia federal se vê em apuros para desvendar o crime já que o ministro do meio ambiente protege os investigados; e assim por diante, pois o estrago é grande, diário, e não cabe todo aqui.

É muito pato no tucupi em terras de tupi,

É muita Saramandaia sem Dias Gomes,

E eu fico por aqui

Tu, podes voltar, eu deixo,

Ele que vá, para nunca mais,

Nós vamos que vamos,

Vós, sois vozes nesse Brasil,

E eles, às Vossas Mercês, vão para o quinto dos vagões.

Kawer



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