ESTAMOS INDO EMBORA – Filósofo Nilo Deyson Monteiro Pessanha

Tons emocionante da infância e adolescência, minha geração, anos 80 e 70 estão aos poucos partindo deste mundo, mas quem não deve partir conosco são os registros, recordações e a valorização de uma geração histórica na humanidade. Aproveite, sua vida vai passar muito rápido, portanto, viva muito intensamente cada ciclo, aproveitando sua família, curtindo amigos e fazendo o que amas.

Antes que tudo acabe, faço minha parte aqui, pedindo aos jovens de hoje, que assistam documentários sobre os anos 70 e 80, afim de que, possam empregar em si, o respeito pelos que viveram em um mundo sem internet.

Brincávamos nas ruas, na chuva, e não ficávamos gripados. Sujavamos nossas roupas brincando de bola na lama, éramos felizes sem necessidade nada além de estarmos nas ruas. Bricamos de pipa, pião, bola de gude, pique-pega, garrafão, queimado, de pular elástico, dançamos quadrilha de festa junina, zoavamos nossos colegas com apelidos que hoje dá processo. Tudo era tão simples e verdadeiro, bem diferente de hoje onde muito da realidade só é vista na tela de um celular ou computador. Portanto, jovens, leiam e aprendam o que é não ser nutela.

Quando machucavamos nossos pés, braços ou joelhos, lá vinha nossa mãe com um tal (MERTHIOLATE ) que ardia muito, muito mesmo. Choravamos por 5 minutos, depois nem nos lembrava do machucado. Se soltasse o tampão do dedo do pé jogando bola na rua, continuava assim mesmo jogando bola, e a bola ficava toda marcada de sangue. Me recordo disso, aconteceu 2 vezes comigo lá no Complexo do Alemão, onde fui criado, mas continuei jogando bola machucado.

Minha geração pegou a TV em PRETO E BRANCO. Tínhamos que colocar bom-bril na antena, para o sinal não cair, sem falar que havia um botão atrás da TV, que se rodava ele, para que a tela não ficasse com aquelas listas subindo o tempo todo sem aparecer a imagem direito, então, tínhamos que encontrar a sintonia certa no botão para a imagem ficar limpa, só que em preto e branco, pois TV colorida nos anos 70, 80 e início dos anos 90, só pessoas de classe média podiam ter.

Também haviam milhares de objetos e eletrodomésticos que fizeram sucesso, mas que os jovens de hoje não saberiam do que se trata, quiçá como aquela coisa tinha utilidade.

Passávamos na casa da vovó em finais de semana brincando. O mundo de hoje não é tão feliz como foi minha geração de crianças e adolescentes. Não tínhamos celulares para conversar ou ficar de bate papo na internet. Éramos presentes, presença nas ruas, pessoalmente, éramos humanizados e não robotizados. Não estou demonizando a internet, muito pelo contrário, foi através ela que pude alcançar horizontes fora dos meus limites como escritor e filósofo. Aqui, estou trazendo apenas recordações daquilo que nunca mais voltará a não ter acontecido, quiçá acontecer; nem que queiram, não sobreviveriam a geração de hoje se acabasse com a internet no mundo. Claro, isso nunca vai acabar, apenas estou mostrando que os jovens de 30 anos pra baixo, deveriam se orgulhar em estarem lado lado com a última geração do antigo mundo, do antigo século XX.

Estamos indo embora. Saudades dos anos 1983, 84, 86, 87, 89, 90, 91, 92 e 93, tempos em que vivi a simplicidade da infância nas ruas brincando. Como falei, não havia chuva que fizesse minha geração conhecer a gripe, éramos saudáveis, tomávamos água na bica ou nas mangueiras nas ruas, tomávamos quisuki, sacole de qualquer saber, guaraná convenção, comíamos miojo, biscoito de todos os tipos, e se tivesse em casa, apenas arroz e feijão, comíamos sem frescura.

Minha geração suporta filas imensas de um banco lotado, também suporta um engarrafamento no trânsito de horas, busão lotado e dificuldades da vida. Fomos criados na simplicidade, mas também na dificuldade, aprendemos portanto aquilo que um celular nem a internet ensina, me refiro viver a vida de forma digna no enfrentamento com os problemas, coisa que não vejo nesta geração, lamentavelmente.

Claro, essa geração que nasceu em 1997 pra cá, principalmente os nascidos em 2001 pra cá, em grande escala, em sua maioria, não todos, porém, a maioria não suportam a pressão das dificuldades da vida real, pois não conviveram sem a facilidade da internet. Uma crítica é que, hoje, ao invés dos seres humanos serem melhores e menos imbecis, eles se tornaram intolerantes e cruéis, verdadeiros zumbis manipulados. Mas deixa isso para um debate ao vivo quando eu estiver participando.

Lembranças da escola, do recreio, das sopas. Saudades das discotecas, da magia da dança, dos pacinhos do funk melody, do matinê e das danças românticas com as belas moças da época, bastava começar as músicas lentas que procurávamos uma moça para dançar, então, formamos um par.

Tempos simples, do kichute, das amizades puras, sem brigas, restou saudades das moças e amigos e me pergunto: ” onde estão eles hoje, nunca mais os vi..”

Crescemos, casamos, formamos família e tudo ficou guardado no coração, nas boas lembranças que devem ser cultivadas sempre para não deixar sumir, nem morrer sua trajetória, sua vida, pois cada ciclo faz sim, parte da sua história.

Não guarde suas saudades, fale, diga aos seus netos e filhos como foi sua vida, sua infância e juventude. Recordar do mundo de sonhos é fazer com que, não só o coração, como também a memória, ambas voltem a passar pelo mesmo lugar e sentir na alma, aquela atmosfera, aquele tempo, portanto, cultive isso; ouça músicas daquela época, vista roupas daquela época e não tenha vergonha de ser você. Aliás, somos um pouco de cada época em que vivemos, logo somos muitos em mim e todos se assentam à mesa com você.

” Ainda que a nova geração não queira saber como foi nossa época anos 70, 80 e 90, nada que aconteceu nunca vai deixar de ter acontecido nem acabar, pois é a história de uma geração e quando partimos da vida, ficaremos como fragmentos daquilo que foi vivido na história. ” – Nilo Deyson Monteiro Pessanha

” Está sempre á nascer uma nova geração, um mundo futuro, porém, em todas as gerações haverá alguém com prata no cabelo e ouro no coração querendo atenção. ” – Nilo Deyson Monteiro Pessanha

” Dizem alguns, que a geração passada propaga orgulhosa que seu tempo era muito mais humano e saudável, mas se esquece que foi ela que outorgou o comportamento da presente geração; o que não é tão simples assim, pois a educação em sua totalidade é complexa, precisamos portanto, evitar generalizar para que não se perca no discurso que só importa o ego e o ódio. Quero que todos tenham sim, computadores e celular com internet, mas antes, que tenham livros.” – Nilo Deyson Monteiro Pessanha

Enfim, quando ouvimos canções daquela época, nossa sensibilidade aumenta. Conseguimos ouvir a natureza, o canto dos pássaros, o silêncio, assim, nossa memória vai recordando dias importantes, momentos esquecidos. Neste sentido, converse com seus familiares antigos, amigos, façam retrospectiva da época em que você foi simplesmente simples e feliz com tão pouco.

Viva a natureza, a beleza do silêncio e as boas recordações vividas aí, em sua memória.

 

FILÓSOFO NILO DEYSON MONTEIRO

 



FILÓSOFO, ESCRITOR, POETA, COLUNISTA & PALESTRANTE. Fundador da Filosofia da imparcialidade participativa. Autor do livro de Filosofia Todos os Corações do mundo, e do Livro O Teatro da vida e a interpretação das coisas, quem nos garante ser verdade das coisas. Membro de diversas instituições culturais como por exemplo, é imortal acadêmico da Academia de Letras do Brasil seccional Campos dos Goytacazes, é imortal Acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, ocupante da cadeira n°17 , Fundador do NAISLA, Núcleo Acadêmico Italiano di Scienze, Littere e Arti. Membro de diversas instituições. Nilo Deyson Monteiro participou de diversas antologias, periódicos e muitos de seus trabalhos acadêmicos estão no Google ao pesquisar Filósofo Nilo Deyson.

Diga-nos o que achou do post: