ESTADOS UNIDOS palinha com Filósofo Nilo Deyson

Amigo leitor, é muito importante que você possa ter conhecimento sobre outros países com a finalidade de ampliar seus conhecimentos, então, a dica é que vocês leiam livros, artigos e documentários que falam sobre outros países. No mundo de hoje, em pleno século XXI, o máximo de conhecimento que você adquirir será melhor para você. Estamos no ano de 2022, no entanto, não me conformo com este século, logo quero ir além das limitações intelectuais, isso é ter brio próprio. Portanto, leiam sobre a África, Ásia, Europa, Américas e outros. Vou deixar aqui abaixo, uma palinha sobre os Estados Unidos.

O fim do mundo bipolar, que concentrou as principais atenções nos debates sobre a estrutura das relações internacionais da segunda metade do século XX, traz como um de seus desdobramentos intelectuais e políticos mais importantes o ressurgimento do imperialismo como foco de reflexão sobre a ordem mundial em formação.

Para diversos analistas, tanto conservadores como críticos em relação ao capitalismo, a atual supremacia desse sistema e a emergência dos Estados Unidos como única superpotência global, apesar de inquestionáveis, trazem como elemento de indagação seu significado histórico, seja como fase inaugural de um período de paz e prosperidade, seja como estágio final de um modelo civilizatório que teve no Ocidente seu grande impulsor.

Evidentemente, não é a primeira vez na história do capitalismo que essas questões se fazem presentes. O mesmo dilema acompanhou os debates sobre a longevidade do sistema e as possibilidades estruturais da hegemonia ocidental na transição do século XIX para o XX. Diante do impasse na II Internacional, decorrente de profundas controvérsias sobre os impactos das mudanças sistêmicas na estratégia da revolução socialista, as teses de Lênin sobre imperialismo fundamentam o programa político que orientou a vitória bolchevique na Rússia. Para Lênin, o imperialismo representa a negação, via expansão externa, das contradições internas do modo de produção capitalista nos países centrais. A partilha do mundo entre as grandes potênciaseaexpansão do capitalismo financeiro gera uma nova divisão internacional do trabalho, deslocando os sintomas agudos da gravida-de da crise do centro para a periferia do sistema. É aqui que se localizam os elos fracos da cadeia imperialista, junto com as condições objetivas da revolução.

Analistas da evolução mais recente do capitalismo, como Michael Hardt e Antonio Negri (2001), dão por encerrada a fase imperialista caracterizada por Lênin. Para eles, a expansão territorial impulsionada pelos Estados-nação deu lugar ao Império, abarcador da totalidade. Já não há lado de fora, instalou-se o reino do mercado mundial, tornando obsoletas as separações de países com base nas noções tradicionais de hierarquia dos mundos. Na nova ordem mundial, perdeu sentido a diferenciação entre espaços internos e externos.

Do ponto de vista das abordagens legitimadoras da nova realidade, o Império representa o fim da história; nesse sentido, os autores reconhecem as bases concretas que alimentam perspectivas como a de Fukuyama, para quem desapareceram definitivamente as alternativas ao capitalismo, eliminando as bases de conflito originárias de forças externas ao sistema. Para Hardt e Negri (idem), que se situam entre os críticos da ordem, o Império representa um avanço em relação ao imperialismo, da mesma forma que o capitalismo expressa um processo evolutivo sobre os modos de produção que o antecederam.

Diferentemente dos autores de Império, que questionam a relevância das perspectivas orientadas pela lógica do Estado-nação, Arrighi e Silver (2001) centralizam sua análise do capitalismo atual no papel exercido pela sua potência hegemônica, que consideram em estado de crise sistêmica. Analisando os períodos de transição hegemônica holandês-britânico e britânico-norte-americano, apontam para a existência de padrões comparáveis de crise e reorganização marcados por “três processos distintos mas estreitamente relacionados: a intensificação da concorrência interestatal e interempresarial; escalada dos conflitos sociais; e o surgimento intersticial de novas configurações de poder” (idem: 39).

Independentemente das especificidades de cada situação histórica, as três crises hegemônicas apresentam como elemento comum as expansões financeiras, que permitem ao líder dominante um acesso privilegiado aos recursos financeiros mundiais, contribuindo para adiar temporariamente o fim da sua liderança.

O atual contexto de expansão financeira, que tem como centro os Estados Unidos, representa para os autores um sinal de crise hegemônica que, no entanto, apresenta algumas peculiaridades em relação às fases anteriores:

1) A potência em declínio não tem concorrentes no campo militar, mas tornou-se dependente, na administração do seu poder, de recursos financeiros de outros centros de acumulação de capital, marcadamente Europa ocidental e Japão.

2) Diferentemente do processo de globalização das últimas décadas do século XIX, em que os Estados-nação eram protagonistas fundamentais da internacionalização do capital, há uma diminuição do seu poder em detrimento do setor privado transnacional.

3) Em comparação ao aumento dos conflitos sociais que acompanhou os períodos de transição holandesa e britânica, especialmente os vinculados à luta antiescravista e ao movimento operário, os autoes identificam uma perda conjuntural de poder dos movimentos sociais. No entanto, os efeitos estruturais desagregadores da atual configuração global criam novas fontes de conflito para as quais não existe capacidade adequada de resposta.

4) Nas transições hegemônicas anteriores, a emergência de uma nova potência precipitou o desmoronamento do antigo poder: Inglaterra em relação à Holanda, Estados Unidos em relação à Inglaterra. Embora os autores coloquem em evidência a crescente expansão econômica do Leste da Ásia, isto não configura uma ameaça ao poderio militar estadunidense. Esta situação impõe uma marca peculiar à atual mudança no sistema mundial, cujo desfecho poderá ser mais ou menos problemático dependendo da atitude dos Estados Unidos:

“[…] essa nação tem uma capacidade ainda maior do que teve a Grã-Bretanha, cem anos atrás, para converter sua hegemonia decrescente em uma dominação exploradora. Se o sistema vier a entrar em colapso, será sobretudo pela resistência norte-americana à adaptação e à conciliação. E, inversamente, a adaptação e a conciliação norte-americanas ao crescente poder econômico da região do Leste da Ásia é condição essencial para uma transição não catastrófica para uma nova ordem mundial” (idem: 298).

Nilo Deyson Monteiro Pessanha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



FILÓSOFO, ESCRITOR, POETA, COLUNISTA & PALESTRANTE. Fundador da Filosofia da imparcialidade participativa. Autor do livro de Filosofia Todos os Corações do mundo, e do Livro O Teatro da vida e a interpretação das coisas, quem nos garante ser verdade das coisas. Membro de diversas instituições culturais como por exemplo, é imortal acadêmico da Academia de Letras do Brasil seccional Campos dos Goytacazes, é imortal Acadêmico da Academia Pedralva Letras e Artes, ocupante da cadeira n°17 , Fundador do NAISLA, Núcleo Acadêmico Italiano di Scienze, Littere e Arti. Membro de diversas instituições. Nilo Deyson Monteiro participou de diversas antologias, periódicos e muitos de seus trabalhos acadêmicos estão no Google ao pesquisar Filósofo Nilo Deyson.

Diga-nos o que achou do post: