É Diferente

De estalo, abri os olhos, levantei e, hoje, comecei a fazer tudo igual, mas só que percebi que estava diferente. Custei a saber exatamente o quê, talvez porque tivesse acabado de acordar.

Se alguma vez experimentou algo assim parecido, vale a pena prosseguirmos nesse mistério e vejamos se merece realmente um momento de atenção. Se a sensação é boa ou ruim, ou se é fruto de um metabolismo que desorientou o hábito, poderá ser o prenúncio da velhice me preparando para o inevitável. Pois é para lá que se encaminha a mente na maioria dos casos. Acordar um belo dia sem saber que dia é, o que fazer, ou até mesmo o ambiente parecer outro, é um tanto estranho, mesmo sendo tudo nele absolutamente igual. Mas aqui é diferente.

Vou adiante, confio. É muito importante deixar claro, para que não percam o interesse em seguir meu raciocínio, que a memória nada tem a ver com isso. Está ativa e afiada, descartemos mais uma vez o prenúncio de uma senilidade antecipada Recordo-me aliás, e bem, da noite anterior e posso provar. Aqui está: um pouco antes de dormir, lembro de rever cenas aleatórias, como se fossem cenas de um filme. Coisas do passado, remoto, perfeito e imperfeito desfilando por minha mente.

Cenas avulsas, um pouco desordenadas, mas eis aqui a diferença, de tal forma curiosa, e espero que alguém já tenham experimentado o fenômeno e, se possível, comentem para eu não passar agora pelo crivo da insanidade e agora saberão o porquê. Eu as olhava, mas não as via, por isso era como se passassem pela mente por conta própria, e sem que eu as pudesse tocar. Elas me eram indiferentes. Deixo um tempo de pausa ao(à) leitor(a). Acho que é necessário para dar a possibilidade de reconhecer algo semelhante.

Foi? É isso. Como se as coisas estivessem guardadas, mas sendo agora de pouca serventia, resolvessem sair por conta própria. E eu, consciente, mas anestesiada, só as via desfilar certas do que estavam fazendo. Saindo.

Foi ontem à noite e hoje acordei assim, sentindo-me mudada. Desculpe se o(a) decepcionei pelo resultado sucinto, mas antes dizer agora, é que não tenho ainda resposta, nem analítica, nem muito menos mística. Não tenho resposta nenhuma. Vim só para falar da sensação. É intensa e ao mesmo tempo, agradável, uma sensação inédita de libertação. Mais ou menos esse é o resumo do fenômeno. Ainda estou passando por ele, por isso não sei quanto tempo irá perdurar. Logo se vê, mas o fato é que para mim veio, está aqui, hoje, assim, e quis compartilhar.

Pra já, digo que gostaria que ficasse.



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