Do veneno se extrai a cura

Imergindo em um terreno mais compreensível, se faz necessário aquela famosa expressão “pensar fora da caixa”. Nisso consiste o prisma em avaliar com critérios mais realistas de mentes mais esclarecidas a atual realidade em convivência com o corona vírus.


Muitas mortes advindas do covid-19, muitas famílias sofrendo a perda de entes familiares, muitas histórias interrompidas. Será que disso não podemos extrair nenhum ensinamento ? Será que nossa capacidade de reflexão se tornou inapta para se utilizar do que está por trás dos fatos que influenciam a humanidade ?


Em uma sociedade movida pelo consumismo desacerbado, acometida pela promiscuidade propagadora da inversão dos valores, indiferença e banalização da vida, irresponsáveis e corruptas gestões públicas, a crescente miserabilidade distribuída por toda parte. Onde chagaríamos se não fosse um recado advindo em forma invisível, inesperado e improvável, para nos dizer que a família ainda é a célula mor da sociedade, que o respeito as leis naturais agora mais que nunca são determinantes para nossa sobrevivência, que os reais valores não estão associados ao consumismo, que a vaidade, egoísmo e orgulho alimentaram o câncer social de uma convivência desigual e desumana.


Necessário tanto quanto imprescindível é observar que partindo da premissa que nada é por acaso, façamos um exame de consciência para constatar que o caos provocado pela insanidade alimentada pela corrupção e desmandos humanos, atingiram imensuráveis patamares de destruição da espécie humana sob as rédeas de sofrimentos e torturas como nas páginas obscuras da história humana onde se matava em nome de Deus. Tudo se repete em um sistema cíclico em que a humanidade muda os métodos mantendo as práticas. Já não cabe diante de tanta informação e pouca formação atravessar a ponte sob os auspícios da alienação que move atitudes com raiz no inconsciente. Não somos mais pré-históricos, avançamos, progredimos e tudo se volta para o auto extermínio em um espiral interminável, sempre sem o exame dos nossos endereços íntimos em busca do auto conhecimento. Será que realmente avançamos ? Evoluímos ?


O corona vírus veio para dizer que precisamos retomar a família como base de nossos valores, para mostrar que precisamos rever nossos conceitos de necessidades, para conduzir verdadeiros valores e não as ilusões que o egoísmo propicia, que o auxílio aos necessitados não depende de governo ou autoridades, que a vida é uma dádiva para ser desperdiçada por tão pouco.


É da experiência que vivenciamos que extraímos a grande lição de que a menor distância entre os homens e Deus é o próximo, pois não chegaremos ao criador contornando o próximo.


Na condição de seres humanos, possuímos a faculdade do pensar através da inteligência que é inerente a todos, então porque desperdiçamos nossos gestos com atitudes em desconformidades com a lógica que nos conduza ao bem ?


Estamos vivenciando uma oportunidade única para um novo despertar, um horizonte cheio de possibilidades, onde o simples fato de refletir nos convida a tomar a iniciativa de conquistar patamares mais evoluídos que justifiquem nosso papel nessa atual existência, pois o compromisso de nossas atitudes de alguma forma será cobrado através de nossa mente, templo onde prestaremos conta de tudo.


Em quanto nos damos conta de que tudo depende de nós, façamos o suficiente para sairmos dessa existência deixando para nossos filhos e netos um mundo melhor que quando chegamos.


A atual realidade com seus infortúnios é o portal para que possamos transcender o entendimento de que precisamos dar vida aos fatos que tornaram esse mundo um plano transformador e evolutivo, daí se firma o fundamento da máxima que: “do veneno que se extrai a cura”.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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