DIA DO ÍNDIO – MUITO PARA REFLETIR E POUCO PARA CELEBRAR

Quando falamos em história do Brasil, é quase que uma prática acreditarmos que seu início se deu através da colonização. Ocorre que os povos que aqui habitavam contêm uma sabedoria milenar que hoje não só não é contada como também é esquecida. A ação dos colonizadores aqui foi de dizimar indígenas, apagar sua história o que fez com que nenhum brasileiro  médio conheça qualquer coisa do Brasil pré colônia portuguesa. Mas não exatamente culpas deles, afinal, como deveriam saber se nada disso é ensinado nas escolas?

Vivemos em um país em que a história é contada por homens brancos se dizendo detentores do desenvolvimento e conhecimento.. Em 1940 houve o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano e os líderes indígenas de toda América Latina convidados para o evento decidiram aparecer, receosos que estavam de ser mais uma armadilha do homem branco. De lá para cá, costumou-se nessa data realizar “homenagens” aos índios, que costumam se resumir em pessoas brancas vestindo os símbolos da cultura indígena como “fantasia” e pouca ou nenhuma discussão sobre a existência e resistência dessas culturas nos dias atuais. Não se fala, por exemplo, que temos uma luta séria de demarcação de terras indígenas contra grandes empresas exploradoras de recursos naturais. Dizimar populações e culturas inteiras em nome do dinheiro? Por que não?

Visto isso, temos que ter a consciência de que a palavra índio perdeu o seu sentido. É uma palavra que só desqualifica, remonta a preconceitos. É uma palavra genérica. A palavra índio esconde toda a diversidade complexidade e humanidade dos povos indígenas.

A palavra indígena diz muito mais a ver com a identidade do que a palavra índio. A palavra índio gera uma imagem distorcida. Já indígena quer dizer originário, aquele que está ali antes dos outros.

Ah, então eu nasci em São Paulo, eu sou indígena? Não, você é nativo. Para ser originário precisa ter um pertencimento a um povo ancestral.

Mas, no Brasil, quando se fala em direito, as pessoas quase sempre pensam em privilégios. Esse governo tem repetido que o índio precisa ser igual a todos os brasileiros. Quando diz isso, está falando em acabar com os direitos que os indígenas possuem e que foram conquistados legitimamente na Constituição brasileira.

Quando a gente pensa que uma pessoa é miserável porque ela não é como a gente, porque ela não frequenta shopping center, a gente está sendo não apenas preconceituoso, mas racista. Julgar a cultura indígena a partir dos parâmetros de riqueza que ela tem.

19 de abril, portanto, é uma data para a gente refletir. Deve gerar nas pessoas um desejo de conhecer, de entrar em contato com essa diversidade dos povos indígenas.



Pedagoga, Psicopedagoga, Folclorista, Escritora, Catireira- nascida e criada em Araçatuba, interior de São Paulo

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