Corinthians espalha girassóis na Arena Itaquera para alertar sobre depressão e suicídio

Time participa da campanha “Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu”, que faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo

Depois de Flamengo e Santos protagonizarem um emocionante momento de conscientização do público na “final” do 1º turno do Brasileirão sobre a importância de a depressão ser vista como uma doença e a necessidade de se abrir o diálogo e quebrar tabus sobre ela e o suicídio, neste sábado foi a vez do Corinthians aderir à campanha no jogo contra o Bahia, também pelo Campeonato Brasileiro.

Os jogadores corinthianos entraram em campo acompanhados por 70 crianças segurando girassóis, flor símbolo da campanha “Na Direção Da Vida #DepressãoSemTabu”. Camisetas, um vídeo – exibido antes e no intervalo do jogo – e uma faixa completaram a ação de conscientização com foco no público masculino jovem e adulto. É justamente esta parcela da sociedade que mais tem dificuldade de aceitar que depressão se trata de uma doença, não é fraqueza, nem vergonha. A iniciativa faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio.

Após a reprodução do Hino Nacional, as crianças foram assistir o jogo em uma área reservada e entregaram os girassóis a torcedores. Além disso, um vídeo com depoimentos reais de jovens que vivenciaram a doença foi exibido no telão, como forma de sensibilizar o público presente para a causa e convidá-lo a conhecer os canais digitais da iniciativa, como o site www.depressaosemtabu.com.br, que reúne informações educativas sobre o tema e dicas de como ajudar alguém que apresente comportamentos de risco.

Depressão, suicídio e homens

Mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e os transtornos de humor, entre os quais a depressão se destaca, representam o diagnóstico mais frequente nesses casos¹. Estamos falando, portanto, de doenças que podem ser tratadas. Ou seja: o suicídio é evitável em grande parte dos casos. Mas, para isso, o primeiro passo é romper com o preconceito em torno da depressão, que muitas vezes é subestimada ou confundida com falta de força, preguiça ou ausência de fé.

Atualmente, o Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): o problema afeta 5,8% da população², uma taxa superior à média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros enfrentam a doença, o que equivale à população inteira de uma metrópole como São Paulo, por exemplo.

Os números elevados da depressão no País também acompanham a escalada do suicídio no território nacional. Enquanto o número de pessoas que tiram a própria vida diminui mundo afora³, o Brasil vai na contramão do cenário global. Por aqui, a taxa de suicídio entre os adolescentes de 10 a 19 anos, por exemplo, aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, considerando os moradores das maiores cidades brasileiras4.

O aumento de casos de suicídio entre os mais novos e a prevalência do problema no sexo masculino são pontos de atenção. Trata-se, hoje, da quarta maior causa de morte em jovens no País, segundo o Ministério da Saúde5, e os homens representam as principais vítimas. Por isso, o engajamento de ídolos do futebol, um universo que recebe forte atenção do universo masculino no Brasil, é de extrema importância para a conscientização desse grande problema. Hoje, a cada 46 minutos5, alguém põe fim à própria vida no Brasil.

A campanha

Com apoio de músicos, esportistas e celebridades, a campanha “Na Direção da Vida” propõe um diálogo franco sobre o assunto com toda a sociedade. Conduzida pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), pela Upjohn (divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis), pela área de Medicina Interna da Pfizer e com a participação do Centro de Valorização da Vida (CVV), a iniciativa traz ações presenciais e digitais para combater os estigmas associados à depressão.

Ao dialogar com o paciente e também com seu entorno, a campanha tem o propósito de contribuir para a construção de um ambiente social com mais informações sobre o tema e menos tabus. Assim, a partir de uma atmosfera de confiança e acolhimento, espera-se que o paciente se sinta à vontade para falar sobre a doença, seja estimulado a buscar ajuda e acredite que é possível vencer o problema.

Ao longo do mês de setembro, o girassol tem norteado as várias atividades da campanha. Pelas redes sociais, os internautas foram desafiados a postar o ícone do girassol em suas páginas para sinalizar aos seus amigos que estão dispostos a falar de #DepressãoSemTabu. Além disso, personalidades gravaram depoimentos pessoais para relatar o enfrentamento do problema e encorajar a busca por ajuda. E, em São Paulo, um grande labirinto de girassóis que reproduz a jornada de um paciente com depressão foi montado no meio do Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, para convidar o público a conhecer esse universo de perto e a desmistificar a questão. Afinal, empatia e informação são sempre a melhor saída.

Referências:

1. Bertolote, J.M.; Fleischmann, A (2002). Suicide and psychiatric diagnosis: a worldwide perspective. World Psychiatry I (3): 181-185.

2. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: World Health Organization; 2017.

3. Suicide falls by a third globally. BMJ 2019; 364.

4. Jaen-Varas D, Mari JJ, Asevedo E, Borschmann R, Diniz E, Ziebold C, et al. The association between adolescent suicide rates and socioeconomic indicators in Brazil: a 10-year retrospective ecological study. Braz J Psychiatry. 2019

5. Sistema de Informação sobre Mortalidade, 2017. Disponível para acesso em: portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/setembro/20/Coletiva-suic–dio.pdf

 

Fonte: CDN comunicação



Diga-nos o que achou do post: