Conhece-te a ti mesmo – Pensando fora da caixa

Muitas pessoas acreditam ser de autoria Socrática a expressão “Conhece-te a ti mesmo”, o que é um engano, pois esse dito já estava escrito no oráculo de Delfos. Não se sabe ao certo o criador dessa frase, pois era uma cultura da época tal reflexão. Porém em dias atuais quando nos deparamos com essa expressão é comum entender que, o conhecer a nós mesmos, diz respeito a conhecer nossas preferências, reações, personalidade, ideias, objetivos, capacidades, potencialidades, em fim tudo que diz respeito ao nosso conteúdo comportamental.


Os gregos estudavam muito tal reflexão. Platão postulava que no universo os planetas emitem sons que se propagam criando uma grande orquestra universal e que tal manifestação não se limitava aos planetas, mas a tudo e todos que fazem parte da natureza cósmica, logo o ser humano também emite sons que através da dinâmica molecular de sua composição, ou seja, de sua natureza espiritual, onde se encontra o intangível que anima a matéria, se referindo a mente, natureza íntima, singular, individual e própria, pouco conhecida em sua essência onde de fato abriga a resposta para a reflexão do conhece-te a ti mesmo.


É natural que sem esse ângulo de visão o ser humano entenda que está fora de sua essência o conhecer a ti mesmo. Sabe-se muito sobre a natureza comportamental e sua relação social, porém quase nada sabemos sobre o íntimo de nossa natureza onde se encontram as respostas para as questões existenciais e nosso papel no contexto vida, fazendo parte de princípios maiores dessa natureza ainda desconhecida.


Quando desejamos aprender sobre algo, costumamos buscar conhecimento na leitura de livros, fazendo cursos, pesquisando na internet, em fim, buscando conteúdos com razões formatadas.


Interessante pois, o verbo grego que está associado para o conhece-te a ti mesmo, chama-se “gnose” que significa conhecimento, porém seu sentido não se refere ao olhar de fora, assim como ler livros que é uma forma superficial de buscar conhecimento. Os gregos no sentido de gnose, referenciavam o sentido de imergir, penetrar nos mistérios da vida.


Por acaso alguém se cura de uma enfermidade por pronunciar o nome do remédio, ou quando o toma ? A justiça se efetiva quando eu a conceituo em um tribunal, ou eu sei sobre justiça quando sou justo ? A sede cessa quando eu pronuncio o nome água, ou quando eu bebo a água ? Entre o conhecer de fora e o conhecer de dentro, existe um abismo que só dominaremos a dimensão e a diferença entre ambos, se imergimos na parte que não conhecemos, nisso consiste o conhece-te a ti mesmo.


Os padrões comportamentais possuem curta validade, embora necessários e até faz parte da jornada, porém existe um ponto que transcende tudo isso, trata-se da sabedoria que não conhecemos, aquela que não é medida pelo acúmulo de conhecimento, mas sim porque se permite na remoção dos excessos aparando as arestas, entrando em um processo de purificação de quem efetivamente somos para termos contato com aquilo que de fato é autêntico em nós.




Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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