Como anda a sua Bolsa de Valores?

Pode parecer que não, mas você é uma pessoa muito rica. E, não, não vou usar os mesmos clichês de sempre para lhe convencer disso. Argumento antigo, tão batido que tem até um furo no meio. E não é só isso: seu nível de descrença já deve ter estourado o termômetro.

Mas, não vamos desviar do assunto principal: você é uma pessoa muito rica. Mais rica que o Rei da Arábia Saudita. Ou o Imperador do Japão. Você é mais rica que o Bill Gates e o Thor juntos. Nem toda a fortuna do Fantasma, do Pantera Negra e do Batman combinadas dá uma parcela de sua riqueza. Agora que você está ciente de que é uma pessoa muito rica, me deixe explicar o motivo.

Você herdou uma bolsa com tesouros. Ela é grande, larga e funda. E muito bonita também. É única e você é a única pessoa que a herdou. Uma verdadeira Bolsa de Valores. Não dá para pagar o aluguel com eles, mas, dá para não se meter em encrenca graças a eles e até sair de certas armadilhas por causa deles.

Não, eu não estou falando da BOVESPA, e tem nenhuma relação com ações de empresas ou produtos e serviços. Estou falando da sua identidade, dos seus valores pessoais, familiares, culturais, religiosos, enfim, sua identidade é a bolsa, os valores são o conteúdo e constituem a riqueza mais valiosa de um indivíduo.

Você deve estar se perguntando por qual motivo, razão ou circunstância estou falando de identidade, valores, e coisas do tipo se o meu foco até aqui tem sido Educação, não é?

Simples: sem você conhecer essas coisas primeiro, eu posso pôr a melhor escola, com o melhor currículo, com os melhores professores na sua frente, oferecer de graça e dizer ‘aproveite’ que você vai jogar cada oportunidade no lixo e ainda vai choramingar que sua autoestima está indo mal, que a vida não presta, que lhe faltam oportunidades.

Por esse motivo.

E eu não tenho o menor problema em afirmar isso categoricamente. Já vi acontecer mais vezes do que consigo contar, on e offline. Se você acompanha essa coluna há algum tempo, sabe o que penso sobre meritocracia e neoliberalismo. Se você chegou agora, receba minhas sinceras e quentinhas boas-vindas e saiba o que eu penso: não prestam. Se você tem algum problema com isso, lhe convido a ler esse, esse e esse textos.  Se ainda assim achar que estou falando besteira, eu acho que quero ouvir suas razões, me conte nos comentários.

Homens, mulheres, jovens e não tão jovens assim têm sido picados pelo insetinho do desânimo coletivo. Muitas dessas pessoas se encontram à deriva no mar da vida devido aos chocantes acontecimentos oriundos do Planalto Central e suas consequências. Já tem um tempo que as coisas vão mal, é verdade. Manter o ânimo vendo o mundo desmoronar sob os próprios pés é um pouquinho difícil, eu concordo.

Mas, sabe o que me deixa perplexa? O quão rápido as pessoas esquecem seus valores, identidade, educação, experiência, talentos e recursos em face à adversidade. E, mais rápido ainda abraçam a mentalidade de manada. É de partir o coração! Parece que dá cãibra no cérebro, sabe? É triste demais para escrever.

E, depois do susto inicial, as pessoas tendem a adoecerem. E enfrentam uma escolha brutal: resistir ou sobreviver? Resistir ao abuso, à violência, significa seguir marchando contra os mandantes e os executores do malfeito, mesmo que isso signifique ir de ações de esclarecimento até ir às vias de fato.

Não costuma ser muito glamouroso, bonito ou romântico. Não é confortável ou seguro. Muitas vezes, é solitário, triste e parece que não importa o que se faça, não resolve o problema. Sobreviver, por outro lado, é fechar os olhos para a situação e tentar manter alguma segurança.

Seja qual for a escolha feita, cada um tem uma lista de motivos para embasá-la. Não cabe a mim julgar a decisão de quem a toma. E nem a você. Cada pessoa sabe onde o calo dói. Mas, a maioria prefere sobreviver. Tudo bem com isso, apesar de ser cada dia mais difícil. Os que decidem resistir, são um grupo muito dividido: parte deseja ser visto pelos holofotes, outra parte deseja influenciar as pessoas e tem aqueles que sinceramente desejam mudar a regra do jogo. Esta que vos escreve se encaixa no último grupo. De coração.

O grande problema de tudo isso é um só: nesses casos, 95% das pessoas não têm a menor ideia do que são feitas. Isso as tornam muito mais propensas a aceitarem qualquer tipo de sugestão, para o bem ou para o mal. E eis o ponto que eu queria chegar. Se você não conhece a sua própria riqueza, é fácil lhe convencer de que você é uma pobre alma miserável, não é? Pois é assim que os maus vencem!

Em todos os âmbitos da vida, sempre houveram e sempre haverão pessoas boas e pessoas más, com boas ou más intenções. Se você é uma pessoa boa, e eu acredito sinceramente que você seja uma ótima pessoa, que se deixa levar pela lábia de uma pessoa má e comete uma ação má, logo, você é percebido como uma pessoa má. E as outras pessoas boas vão ter a percepção de que você é uma pessoa má. Sabe o que isso significa para elas? Que o mal está se alastrando para o mundo inteiro!

Você já reparou que os jornais enfatizam as notícias trágicas? Quanto pior, mais humilhante, vil e cruel, melhor! Quanto mais sangue, melhor! Não é que o dono do jornal seja um vampiro sem coração, necessariamente.  Alguns são. São só negócios! Você presta muito mais atenção em notícias ruins no interesse de se proteger e manter-se vivo.

Notícias boas lhe fazem relaxar e adiar a compra do jornal. Notícias ruins lhe fazem comprar o jornal na mesma hora, parar o que estiver fazendo para dar a devida atenção à notícia ali reportada. Isso também embasa a teoria das pessoas de que o mundo está acabando.

Então, o mundo está acabando e o mal se alastra pela face da Terra… parece introdução de filme de terror antigo. Agora, analisemos pelo ângulo reverso, podemos?

Você é uma pessoa boa, que faz coisas boas e tem boas intenções. Além disso, você entende e conhece intimamente sua identidade, seus valores, as camadas de cultura que lhe envolvem, como todas essas coisas influenciam você e como você as altera. Você sabe usar o que cada uma dessas coisas pode te oferecer de melhor para beneficiar seu bem-estar, saúde, felicidade, planos e sonhos. Você conhece bem o que te faz mal e sabe evitar essas coisas.

Além disso, você tem plena clareza de que além de você ser uma pessoa única nesse mundo, você é capaz de coisas incríveis e igualmente únicas. Você sabe que causas lhe movem e que causas não foram feitas para você. Você entende que não importa a adversidade, há sempre um caminho. Por menos comum que seja.

Agora, eu lhe pergunto: o que é mais fácil? Você influenciar positivamente uma pessoa má ou essa pessoa má lhe influenciar negativamente? Pense direitinho. Você é bom, forte, confiante e sabe que há recurso para tudo. Você sabe rebater as maldades alheias e viver feliz. O que a pessoa má tem além da própria maldade?

Eu não sei, você sabe?

A experiência me ensinou que fortalecer pessoas boas é a forma mais eficiente de promover mudanças permanentes. A mesma experiência também me ensinou que tirá-las da posição de vítimas desesperadas e colocá-las na posição de protagonistas e heroínas das próprias histórias é fácil, quando você consegue convencê-las a se disporem a tentarem. Essa é a parte difícil.

Eu não sei como você se sente com relação à sua fortuna pessoal. Eu não sei como você percebe a cultura na qual está inserido. Eu não sei como você se aproveita dos seus talentos e recursos. Mas uma coisa eu sei: se você leu esse texto até aqui, você tem uns 80% de vantagem sobre quem nunca tirou um minuto da vida para refletir sobre essas questões.

Por um motivo muito simples: tudo começa no pensamento, que geram planos, que se transformam em ações, os quais dão frutos, também chamados de resultados e que trazem consequências, boas ou más. Se você sempre faz a mesma coisa, terá resultados usuais. Se você muda aquilo que pensa, muda suas ações que geram resultados diferenciados. O que você pretende fazer com sua recém-obtida vantagem? Me conte nos comentários!

Obs.: A partir de hoje, nossa coluna semanal passará a ser aos sábados.



Estudante da vida e suas conexões, professora por ofício e vício, pesquisadora por necessidade, ajuda as pessoas a atingirem suas metas de modo personalizado, barato e sem justificativas usando a Educação como principal ferramenta.

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