Como abrir um negócio com pouco dinheiro

Abrir um negócio com pouco dinheiro não é uma tarefa fácil.

Quem já tentou empreender sabe: abrir um negócio não é fácil nem com muito dinheiro.

Além dos recursos financeiros, são necessários planejamento estratégico, pessoas capacitadas, controle de custos, senso de oportunidade, pesquisa de mercado, perseverança, paciência e muito, muito mais.

Mas calma: há ótimos motivos para tirar a empresa do papel e enfrentar todos esses obstáculos.

No centro de todos eles, está a independência. Quem empreende assume a responsabilidade pelos caminhos do negócio, e isso vai definir também a sua jornada pessoal.

Ter o controle das ações significa que o seu tempo é investimento, e cada hora aplicada na empresa pode se transformar, mais tarde, em dinheiro e prosperidade.

Abrir um negócio significa, portanto, encarar uma estrada longa e cheia de barreiras, mas que reserva sorrisos e sucesso para quem chega até o seu destino.

E como fazer isso? Como tirar a empresa do papel sem um investimento gigante ou sem dispor de todos os recursos?

É possível abrir um negócio com pouco dinheiro?

Montar uma empresa com baixo investimento é difícil. Mas isso não impede que muitos brasileiros tirem suas ideias do papel e encarem esse desafio.

Na verdade, o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. De acordo com o estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), produzido em parceria com o Sebrae, 36 em cada 100 brasileiros adultos são empreendedores.

E o potencial é ainda maior: 84% das pessoas têm uma atitude favorável ao empreendedorismo e 59% se imaginam abrindo o próprio negócio. Esses dados fazem parte da pesquisa Amway Global Entrepreneurship Report (AGER).

Mas esse otimismo nem sempre dá certo. Conforme dados da pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apenas 23,4% dos negócios sobrevivem depois de dois anos de funcionamento.

Esse mesmo estudo ainda traz outra conclusão importante: uma das principais causas de falência é a falta de planejamento e conhecimento sobre gestão.

Por isso, o primeiro passo para quem quer abrir um negócio, com ou sem dinheiro, é justamente se capacitar ao máximo para encarar esse desafio. Essa etapa, de busca de conhecimento, é a mais importante.

Na prática, ela precede inclusive a preocupação com o dinheiro. Até porque abrir um negócio não precisa ser tão caro assim. A seguir, vamos descobrir dois caminhos para montar uma empresa com baixo investimento.

Como abrir um negócio MEI

O regime tributário de Microempreendedor Individual (MEI) facilita a vida de quem quer dar os primeiros passos nessa aventura. Nesse caso, o custo de abertura é zero, e a manutenção da empresa exige pagamento de tributação de, no máximo, R$ 53,70 por mês.

Esse regime tributário pode ser utilizado por qualquer um que se enquadre nestas exigências, consultadas no Portal do Empreendedor:

  • Fature, no máximo, R$ 81.000,00 por ano
  • Não seja sócio, administrador ou titular de outra empresa
  • Contrate, no máximo, um empregado
  • Exerça uma atividade econômica permitida pelo Anexo XI, da Resolução CGSN nº 140, de 2018,o qual relaciona todas as atividades permitidas ao MEI.

E será que você se enquadra em uma das atividades que o Microempreendedor Individual pode exercer? Para descobrir, você deve analisar a resolução mencionada no link acima e procurar a ocupação no anexo XI.

Veja alguns exemplos de ocupações permitidas ao MEI:

  • Artesão de bijuterias independente
  • Comerciante de artigos de bebê independente
  • Editor de revistas independente
  • Instrutor de idiomas independente
  • Fotógrafo independente
  • Montador de móveis independente
  • Sorveteiro ambulante independente
  • Tecelão de algodão independente
  • Técnico de manutenção de computadores independente.

Como abrir um negócio home office

Além de adotar o MEI como regime tributário, o empreendedor que não dispõe de muitos recursos deve considerar a possibilidade de criar seu negócio em casa, em um trabalho home office. Dessa maneira, você elimina um dos principais custos fixos de manutenção de uma nova empresa, que é o aluguel e todas as contas associadas à locação de um espaço físico.

Trabalhando em casa, você economiza ainda em outras contas, como alimentação, transporte e, possivelmente, telefonia e internet. Esse início enxuto não significa que você não possa crescer e adotar um novo local de trabalho em breve, mas resulta em um princípio de racionalização total dos gastos. E para quem está começando, essa deve ser uma das principais preocupações.

Para colocar em prática esse plano, tudo depende do tipo de negócio que você planeja montar, claro. Se for um serviço que envolva a internet, por exemplo, você pode estruturar um espaço de trabalho no escritório ou em um quarto da casa. Basta, então, contar com um computador, acesso à WEB, luz, uma mesa e uma cadeira. Dá para ficar mais barato do que isso?

Esse mesmo sistema também vale para quem pretende abrir uma empresa que venda ou produza determinado tipo de produto, como os já citados artesão de bijuterias e comerciante de artigos de bebê. Nesses dois casos, o espaço não precisa ser grande, e a maior ferramenta de divulgação deverá ser a internet.

Além de criar do zero o seu negócio, também vale a pena considerar a possibilidade de investir em uma franquia home office. Esse tipo de trabalho já vem com um plano de negócios devidamente estruturado e tende a oferecer menor margem de erro para quem conta com pouca experiência de gestão e administração de empresas.

Viu como é possível dar os primeiros passos sem se endividar ou passar aperto? Mas é possível aprofundar melhor esse planejamento. E, por isso, preparamos um guia completo a seguir, que vai tirar mais dúvidas e colocá-lo na rota do sucesso.

Como abrir um negócio: além do home office

Se você quer voar mais alto agora mesmo e seu plano de negócios não cabe em um home office, é bom se preparar e buscar ainda mais informações antes de partir para o mercado.

Veja algumas dicas importantes:

Valide a sua ideia

Antes de mais nada, você precisa saber se sua ideia é realmente válida, pesando prós, contras e viabilidade, para saber se o negócio poderá dar retorno.

Mas atenção: para isso, não adianta simplesmente perguntar a opinião de amigos e parentes, porque eles obviamente tendem a ser parciais e farão de tudo para ajudá-lo nesse começo de caminhada.

Desse modo, a melhor maneira de saber de verdade se sua proposta é viável ou não é procurar outros empreendedores, de preferência que tenham mais experiência, ou até mesmo clientes em potencial. Além disso, pesquise com profundidade o mercado do seu produto ou serviço e tente entender como você vai se diferenciar de cada um deles.

Uma ferramenta útil na fase de pré-implementação de um empreendimento é o modelo de negócios. Quando uma ideia é testada de acordo com parâmetros quantitativos e de mercado, as chances de erro são reduzidas. Essa é uma das maneiras de se garantir que a empresa vai se manter sustentável e com as contas equilibradas.

Nesse momento de decisão, vale a pena conhecer algumas ideias de negócio que estão em alta, muitas delas com baixo investimento necessário.

Procure um mentor

Supondo aqui que você comprovou que sua ideia é mesmo válida, passe para a busca de um mentor. O auxílio é importantíssimo como suporte no princípio da jornada empreendedora para que você tenha alguém que dê feedbacks relevantes e faça críticas construtivas, evitando tropeçar e gerar mais gastos desnecessariamente.

E se esse mentor atuar na mesma área da futura empresa, ainda melhor.

Contrate um contador

O contador é um personagem essencial nessa história.

Ele vai ajudar não apenas a encontrar o melhor enquadramento tributário e tipo de empresa, mas também a viabilizar financeiramente o seu negócio.

Esse profissional tem condições de auxiliar em temas como controle financeiro, gestão de estoque, fluxo de caixa, capital de giro e muito mais.

Depois, na hora de expandir ou cortar custos, também vale recorrer a ele.

Formalize a abertura do negócio

Para tirar o negócio do papel, você precisa conhecer as etapas e prazos para abrir uma empresa.

Existe uma série de procedimentos a serem cumpridos no início e no decorrer de suas atividades.

Confira um checklist básico:

  1. Procure a prefeitura
  2. Busque pendências
  3. Verifique a viabilidade
  4. Confira nome e marca
  5. Obtenha o CNPJ
  6. Apresente a documentação.

Em todos esses processos, você deve recorrer ao contador, que poderá auxiliá-lo a obter a documentação, a preencher as requisições e a cumprir todas as formalidades e exigências legais.

Lembre-se disso logo no início dessa jornada, pois os erros costumam custar caro.

Projete o investimento inicial

Além das formalidades, o dono do negócio deve garantir um montante que servirá como capital inicial.

Esse valor será necessário para cobrir todas as despesas resultantes da implementação de um novo negócio.

Definido o quanto será investido inicialmente, é recomendável, antes de começar a operar, que se separe um valor que servirá como capital de giro. Um simples cálculo ajuda a ter uma noção do valor a ser estipulado como necessário para o giro.

Depois, a equação “Valor das Contas a Receber” + “Valor em Estoque” – “Valor das Contas a Pagar” oferece um norte a seguir, mas não exime o dono do negócio de realizar outros cálculos e ajustes.

Conheça os tipos de financiamento

Caso você não disponha do valor necessário para abrir o negócio, vai ter que recorrer a algum tipo de financiamento ou empréstimo. Para isso, antes de tudo, você deve ter o modelo de negócios devidamente estruturado.

Você precisa saber quanto terá que investir para tirar a empresa do papel e para mantê-la funcionando por tempo suficiente antes de ela gerar faturamento para as operações.

Depois disso, é hora de encontrar caminhos para obter o dinheiro.

  • Bancos comerciais: podem oferecer diferentes linhas de financiamento, mas é necessário tomar cuidado com os juros
  • Cooperativas: algumas delas têm financiamentos mais em conta, dependendo do tipo de negócio
  • Linhas de crédito especiais: BNDES tem uma linha chamada de microcrédito, que pode ser interessante para pequenas empresas
  • Investidores-anjo: esses empresários podem oferecer o dinheiro para abrir o negócio, desde que gostem da ideia e acreditem no potencial de valorização da empresa
  • Aplicativos de fintechs: algumas startups estão começando a intermediar empréstimos de pessoas físicas para empresas com bons modelos de negócio
  • Parentes e amigos: essas linhas de apoio podem cobrar barato o financiamento. Dependendo do montante necessário, pode ser interessante para os dois lados
  • Sócios: uma maneira de obter dinheiro para abrir o negócio é encontrar sócios que acreditam no negócio e estão dispostos a embarcar nessa jornada junto com você.

Também é importante salientar que, se você não dispuser de muito dinheiro, talvez seja bom pensar em negócios que exijam investimentos menores. Há uma série de possibilidades que envolvem home office, por exemplo, um modelo de trabalho que dispensa a locação de uma sala comercial.

Defina o seu público

Definir seu público-alvo e elaborar estratégias para atraí-lo é simplesmente essencial. Saber quem são seus clientes e como chegar até eles é um passo primordial rumo ao sucesso do negócio.

Então observe bem mais de perto seus primeiros clientes, que servirão como referência para a avaliação sobre a necessidade de mudanças, buscando sempre superar as expectativas dos consumidores e melhorar o rendimento do negócio sem necessariamente investir mais do que pode.

Analise com cuidado o marketing

Antes de começar a divulgar seu produto ou serviço, faça uma boa pesquisa das melhores maneiras de atingir o seu público-alvo. Cada real gasto deve ser monitorado para que você entenda qual é o seu custo de captação de clientes e o retorno que você terá sobre o investimento em marketing.

Nesse sentido, vale a pena priorizar, se possível, estratégias digitais, que permitem uma análise mais aprofundada dos resultados. Em mídias convencionais, é mais difícil mensurar o retorno.

Por isso, invista em redes sociais, blogs e e-mail marketing, que têm custos mais baixos e visibilidade no curto prazo.

Terceirize serviços não essenciais

É importante não ter tanta pressa para contratar funcionários para trabalharem em tempo integral. Que tal terceirizar aquelas funções que não são o cerne do seu negócio?

Se você vende produtos, será que não pode criar uma parceria com uma empresa de entregas, em vez de comprar veículos e contratar funcionários para o transporte?

Esse tipo de medida ajuda a aliviar os custos fixos, que não dependem do faturamento. Ou seja, se em um mês você vender menos, poderá gastar menos com a empresa de entregas.

Conte com um sócio

Já que montar um negócio com pouco investimento é, por natureza, extremamente difícil, contar com um suporte que encare a mesma maré com você pode ser uma solução.

Por isso, o ideal é que o empreendedor procure por um sócio que demonstre interesse real pelo serviço ou produto do novo negócio para, assim, ter com quem dividir tarefas e, quem sabe, até ajudar com o capital a ser investido.

No melhor cenário, os dois sócios vão entrar com capital e com expertise em duas áreas diferentes e complementares do negócio. Dessa forma, você reforça a base de conhecimento e know-how da empresa e angaria os recursos necessários para tirar a ideia do papel.

Com planejamento, um bom plano de negócios e bastante organização, é viável ser bem-sucedido na empreitada da abertura de um negócio com pouco investimento.

Planeje suas contas

A gestão financeira do negócio é primordial para a sustentabilidade da empresa. Muitos empreendedores, ao darem seus primeiros passos, falham em conceber todos os custos.

Isso não é nada saudável e pode ser fatal, inclusive no curto prazo. Depois, no dia a dia da empresa, é necessário registrar absolutamente todos os gastos, para que não haja descontrole das contas.

Para isso, é essencial adotar um controle eletrônico, como uma planilha, ou, preferencialmente, um software de gestão financeira.

Um hábito ainda recorrente entre parte do empresariado é não discernir o que é conta pessoal das contas da empresa. Essa mistura se materializa quando é feito um saque do caixa, justificando como emergencial.

A desculpa clássica (e que geralmente não é cumprida) é “vou cobrir depois”. Da mesma forma, pagar contas da empresa com a conta pessoal é igualmente nocivo.

O maior problema gerado pela confusão com o dinheiro é que ela pode embaralhar a contabilidade da empresa e, pior, atrapalhar a prestação de contas junto ao Fisco. Como sabemos, informações prestadas equivocadamente para a Receita Federal geram pesadas sanções.

Para que as contas não se misturem, uma medida que precisa ser adotada é estipular um ”salário” para os sócios, o pró-labore. Assim, todos saberão quanto podem retirar, sem detrimento do controle das contas.

Faça a gestão financeira no dia a dia

A sobrevivência de uma empresa está diretamente ligada à sua capacidade de se manter lucrativa. Não são poucos os donos de negócio que, por acumularem muitas funções e pela falta de pessoal e ferramentas, acabam se enrolando nos registros de receitas e despesas.

Com a rotina, muitos acabam se resignando, introjetando uma crença equivocada de que “é assim mesmo, o mundo empresarial é uma loucura”.

Felizmente, com medidas simples, é possível começar a vislumbrar um horizonte mais favorável. Os dias de loucura tendem a ficar para trás a partir do momento em que as contas, rotinas e procedimentos contábeis e fiscais são ajustados.

Destacamos a seguir alguns cálculos que você poderá utilizar no controle do seu negócio. Alguns serão mais diretamente aplicáveis, outros menos. Cabe a você decidir pelo que funcionar melhor.

Custo de Mercadorias Vendidas (CMV)

Aprender a calcular o CMV é um passo importante para controlar de maneira precisa o que entra e o que sai de sua empresa. Basicamente, consiste em controlar as receitas e despesas de estoque ponta a ponta em um dado período. A fórmula básica é a seguinte:

CMV = EI + C – EF

  • EI – Estoque Inicial: tudo que você tem para vender, traduzido em um valor fixo
  • C – Compras: produtos que vão sendo comprados e estocados ao longo do período, e outras despesas
  • EF – Estoque Final: ou seja, o que sobrou.

Margem de Lucro

Quando não há lucro, a sobrevivência da empresa fica comprometida. E para que a lucratividade não dependa da sorte, é fundamental fazer as contas com precisão e cuidado.

Primeiro, é importante lembrar que o lucro é a diferença entre o faturamento obtido com a comercialização do produto ou serviço e os custos do trabalho.

Para calcular, use a seguinte fórmula:

  • Lucro bruto = receitas totais – custos

A margem de lucro bruta é um valor percentual que pode ser calculado a partir da relação entre o lucro bruto e a receita total.

Veja a fórmula para o cálculo:

  • Margem de lucro = lucro bruto / receitas totais

Para ajudar, vamos dar um exemplo de uma empresa que faturou R$ 40.000,00 em um mês e teve custos de R$ 20.000,00 no mesmo período.

  • Receita total: R$ 40.000,00
  • Custos: R$ 26.000,00
  • Lucro: R$ 40.000 – R$ 26.000 = R$ 14.000,00
  • Margem de lucro: R$ 14.000,00 / R$ 40.000 = 0.35 x 100 = 35%

Com a aplicação desses cálculos, você descobre que a margem de lucro da empresa é de 35%.

É esse o percentual que você deve apresentar ao investidor, financiador ou possível sócio quando for questionado a respeito da lucratividade do negócio.

Giro de Estoque

Outro ponto que deve receber atenção é em relação ao giro do estoque. Compreender como é a dinâmica da entrada e saída de produtos estocados ajuda a manter o fluxo adequado de reposição, projetar receitas e ajustar descontos e preços.

Trata-se de um indicador que revela o quanto um estoque se renova em um dado período.

Saber o quanto um produto demora a ser vendido é muito importante, primeiro, para evitar perdas por ultrapassar o prazo de validade.

Quem lida com produtos perecíveis, portanto, deve estipular períodos mais curtos para fazer esse cálculo.

E como é a fórmula para determinar o giro de estoque? Ela é bastante simples: total de vendas dividido pelo volume médio armazenado.

Ao fim do cálculo, se o resultado for menor que 1, indica que houve sobra no estoque, portanto, produtos não foram vendidos. Resultados maiores que 1 indicam que houve pelo menos um ciclo de renovação de produtos no período considerado.

Um exemplo: uma empresa mantém um estoque com 300 televisores, em média, ao longo de um ano.

Significa que, na maioria das vezes, o estoque se mantém com essa quantidade de mercadorias. Nesse ano, foram vendidos 4.500 aparelhos, o que resulta em 15 giros no período de 365 dias.

Bom tem bastante coisa para colocar em prática e colocar a empresa para funcionar, se tiver alguma dúvida nós da MCO Contábil estamos a disposição!!



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