Atacar pessoas e não ideias

Atacar as pessoas e não as ideias.

É comum e salutar a divergência de opiniões, creio até necessária para enriquecer uma discussão e contribuir na construção e formulação das ideias. Um grupo ou sociedade com pensamento uniforme não me parece bem. Você pode inclusive discordar de muitas das opiniões que emiti nesse compilado, é natural e tenho o entendimento de que não sou dono da verdade.

Contudo, quando emito uma opinião ou mesmo eventualmente apresento uma tese científica, é preciso ter pauta construída para argumentar. As ideias devem ser contestadas, não as pessoas. E serem debatidas com honestidade nos argumentos, sem distorcer, inventar e/ou manipular dados. A desonestidade intelectual pauta os diálogos, discussões e ofensas. Não importa se acontecem em casa entre familiares, na mesa de bar ou nas cadeiras acadêmica. Não se escapa. Todos são carrascos e vítimas.

É necessária sinceridade para debates saudáveis que façam o tema evoluir. O contraponto, ouvir o outro lado é importante. Não quero nessa temática usar o velho clichê de que “os dois lados lutam pelo bem e verdade de modo diferente”. Pois é fato que existem pessoas má intencionadas, ou mesmo boas pessoas, que colocam a vaidade, ego e benefícios particulares em prioridade do que a verdade nas ideias, ou soluções autênticas para o problema.

Está incorporado pessoas que sabem da falta de coesão no discurso e pessoas inocentes, que compram pautas prontas, com ideias que parecem fazer sentido e passam a defende-las a todo o custo. Se tornam gado seguindo os demais, criam a uniformização de pensamento e São incapazes de raciocinar por conta própria, ao menos nesse aspecto. São uma das formas de se perder a individualidade. O problema da maior parte dos debates a é que os argumentos, os fatos lógicos, a ciência, fica em segundo plano. Algumas vezes em terceiro, décimo plano. O que importa muitas vezes é a entonação do discurso. Está na retórica e não no argumento. É principalmente – que deve ser a ideia central desse texto – desqualificar o emissor da opinião para diminuir seus argumentos. É o jeito mais fácil de ter uma supremacia de ideias e argumentos. Também o mais cretino. Pode ser conscientemente ou inconsciente, quando o ato se torna moda. De qualquer forma é péssimo.

O que deveria valer está na lógica, sentido e relevância na mensagem transmitida, e não em quer é o emissor e o que ele faz. Evidente que existem casos em que a atividade conta, tendo a opinião de um especialista como fundamental. Sem dúvidas um médico é o mais indicado para expor um quadro clínico de um paciente (podem haver detalhes a se discutir, como competência, intenção, capacidade e honestidade de um profissional), é também casos em que as atitudes de um cidadão contradizem o discurso.
Entretanto, em via de regra, a mensagem está acima do mensageiro.
Não deveria importar a profissão, com quem se relaciona, se é bem-sucedido financeiramente, sua idade. O foco principal deveria estar na qualidade da mensagem (existem situações em que esses elementos podem ter relevância). Qualquer cidadão tem o direito de emitir seus pontos de vista, experiências e convicções. O que não pode é usar de desonestidade, distorções e mentiras para justificar sua tese. Tão pouco ofender gratuitamente pessoas para aparecer ou reforçar seu discurso. Fora isso, tem o direito de se pronunciar.

A formação acadêmica nem sempre é relevante ou o mais importante. O conhecimento pode ser adquirido de várias maneiras. Não necessariamente um certificado irá provar. Por isso a informação transmitida deve ser analisada e debatida e não o status de quem a proferiu.

Nas mais diversas áreas, mais diversas temáticas e assuntos, há pessoas – não necessariamente profissionais da área – que ser tornaram autoridades em um assunto sem o devido mérito que propagam. Respeitados e reconhecidos por um marketing criado e não por seus conhecimentos e fundamentações. É preciso tomar cuidado com tais armadilhas. Outro aspecto é o julgamento precipitado e raso sobre o ser humano, o colocando em prateleiras e pelo estereótipo, concluindo a partir de seus pré-conceitos o perfil de cada ser humano. Sem julgar ou desqualificar qualquer pessoa, usarei um exemplo de um grupo que tende a ser desqualificado naturalmente pela sociedade. Poderia uma atriz pornô discutir política? Se for de acordo ou similar com a opinião do receptor, será defendida, possivelmente usarão sua profissão com uma ótica positiva.

Se estiver em desacordo com a opinião, será massacrada, desqualificada de todas as formas e julgadas por atitudes e pelo trabalho que realizou. Mesmo se os críticos consumirem o mercado pornográfico. Deveria ser analisada seus argumentos. Se há fatos, coerência e fundamentação que sustente sua tese e não suas atividades.
O ataque pessoal deveria ser – na maior parte das vezes – um crime a intelectualidade.


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Despertei a paixão por escrita e resolvi desenvolver essa arte. Tenho um perfil de textos no instagram, @textosimceros, trabalho com assessoria contábil e estou desenvolvendo um projeto de genealogia. atividades não relacionadas com a escrita.

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