Amazônia, Fogo e Business

“A escala da crise é incomensurável: os céus de São Paulo enegrecidos simplesmente com a fumaça transportada através de milhares de quilômetros desde a Amazônia. O que dá bem a dimensão do volume de floresta consumida pelas chamas. Com as florestas queimando, as arvores expelem carbono armazenado na forma de dióxido de carbono. E aquelas florestas desaparecendo, nós perdemos o enorme potencial de armazenagem de carbono que era cumprido por aquelas árvores, o que impedia a sobrecarga desse elemento sobre a atmosfera.”

É assim que Anna Lappé inicia o seu artigo na prestigiosa The Atlantic sobre os gigantescos e criminosos incêndios na região amazônica.

Em seu artigo “Follow the Money to the Amazon” [Siga o dinheiro para a Amazônia], publicado em 4 de Setembro último, ela chega a acusar o governo Bolsonaro de encorajar as queimadas, até porque ele disse em várias ocasiões que a “Amazônia deveria ser aberta para os negócios – ligados à mineração, logística e agricultura.”

Mas defende ela: não basta culpar o governo brasileiro. O conjunto de forças é bem mais diversificado, poderoso e global. No fundo, os grandes responsáveis são as empresas multinacionais, por isso, não há outro caminho: para entender a razão da destruição das florestas dar lucro – nós precisamos seguir o dinheiro.

Para embasar a sua proposta, ela chega a mencionar o relatório da Amazon Watch, que trabalhou junto a grupos indígenas da América do Sul por 20 anos e que mostra como “investidores estrangeiros têm enorme influência sobre o que acontece”. As maiores empresas nacionais do agronegócio objeto de investimento de grandes grupos de investimento como Capital Group, BlackRock, Fidelity Investments e Vanguard e bancos como Santander, JPMorgan Chase e Barclays. Nos últimos cinco anos esse conjunto de empresas teria despejado perto de 1.2 bilhão de dólares companhias como JBS, Marfrig e Minerva.

E mais do que isso, segundo Anna Lappé, uma das multinacionais mais atuantes no Brasil, como a Blackstone (que coincidentemente é uma das maiores doadoras de Donald Trump e do senador republicano Mitch McConnell) “tem sido a maior força por trás fomentando projetos de infraestrutura e agribusiness no Brasil, incluindo a controversa rodovia e um grande porto – tudo isso cortando áreas florestais e voltadas para a expansão dos mercados de exportação do agrobusiness.” Além disso a Blackstone pretende lançar dois fundos “dedicados a comprar fazendas no Brasil e em outros países sul-americanos”. Muito provavelmente para facilitar o trabalho de desmatamento em prol dos projetos citados anteriormente.

A verdade é que quanto mais se levanta informações sobre a movimentação do grande capital na Amazônia maior a certeza de que o que temos lá com essas queimadas é tudo menos um acidente ou um produto da natureza. Força poderosas lucram com toda essa tragédia. Forças internas e, principalmente, externas.



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