Alquimia da dor

Como transformar a dor em apenas uma cicatriz indolor? Uma marca que fica ali e o tempo vai apagando?

Fiquei pensando nisso ao descobrir que a dor que me imobilizava, fazia meu corpo todo doer e deixava meus dias tão tristes chamava-se Fibromialgia. Eu precisava transformar essa dor, pois apagá-la não seria possível. Ignorar muito menos.

Acredito que não há uma fórmula mágica, afinal, se fosse fácil, ninguém sofreria nesse mundo. Além do tratamento com medicamentos (só eles não são suficientes, infelizmente), tenho tentado uma fórmula composta, mas não muito complexa. Sua composição é a seguinte:

HOBBIES + AUTOCUIDADO + AUTOMIMOS + EXERCÍCIOS FÍSICOS E ESPIRITUAIS

Os hobbies são aquelas coisas que te dão prazer, que fazem você esquecer o tempo passar. No meu caso é ler e ouvir músicas. O autocuidado é essencial. Você precisa se entender, se aceitar, se respeitar. Não é ter dó de si mesma, mas se cuidar, ter carinho.

Apesar de já ter citado o autocuidado, senti que faltava algo mais. Talvez pelo menos para nós mulheres. Somos mais sensíveis, não adianta negar. Fiquei pensando que talvez precisamos nos fazer mimos que gostaríamos que alguém fizesse por nós. Sabe aquela coisa de filme mesmo? Quando uma dor incomoda muito, toma seu corpo, sua razão, precisamos voltar à nossa essência e nos mimar um pouco. Como fazemos quando uma criança se machuca. A gente não dá beijos no machucado, carinho nos cabelos e abraço forte? Então… vamos fazer isso por nós mesmas sem esperar que alguém faça. Cada um pode ter um mimo que seja um curativo provisório. Vale comprar aquele bombom especial, se dar flores, ficar embaixo do cobertor vendo filme com pipoca, ir a um lugar que faz tempo você não vai…

Exercícios físicos e espirituais nem preciso falar sobre eles: fortalece o corpo e a alma. Lembrando que não é preciso dinheiro pra isso. A caminhada e a meditação são perfeitas. Só dedicar um tempo pra si mesma. Sem preocupar-se com regras: caminhar onde der, o tempo que der. Meditar do seu jeito, no lugar que for possível.

Venho testando essa fórmula e aconselho que você tente também. Não custa tentar. Os resultados vêm lentamente, mas vêm. Tenha paciência e transforme sua dor. Ou, pelo menos, viva melhor com ela.



Carioca apaixonada pelo mar e pelas montanhas, hoje vive em Belo Horizonte e é mineira de coração. Ama livros, literatura, cinema e música. Vive uma busca constante em aprender e explorar o mundo, mas cada vez mais se volta para o autoconhecimento e a autocura. Escreve desde sempre: crônicas, resenhas, artigos literários e artigos diversos. Já foi revisora de livros e professora. Agora dedica-se a ler e escrever.

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