Afetividade em Rolando Toro: uma breve reflexão

Não há nada no universo que seja insignificante. Desde o ínfimo quark até o maior aglomerado de galáxias, tudo tem o seu propósito, tudo dança. Entretanto, vivemos em um sistema social que nos induz a pensar que somos importantes na medida em que nos mostramos úteis a algo dentro de um sistema onde o ter geralmente prevalece sobre o ser. Esse modo de pensamento tem afetando, sobretudo, nossa capacidade de vinculação, uma vez que deixamos de pensar na totalidade em favor daquilo que nos interessa de imediato.

 

De acordo com Rolando Toro, criador do Sistema Biodanza de desenvolvimento humano, podemos considerar que a afetividade é uma dimensão das relações interpessoais que torna possível a afinidade com o outro, expressando-se por meio do amor, seja ele maternal, erótico, filial ou fraterno. Por outro lado, afetividade também diz respeito a sentimentos opostos, como a inveja, o ódio, de onde se expressa o preconceito, o racismo, a homofobia etc.

 

Um dos aspectos importantes a ser destacado sobre afetividade diz respeito a nossas experiências com o amor quando nos é dada a liberdade de escolha através do encontro. A liberdade em nossos relacionamentos é fundamental para que tenhamos clareza de que a afinidade por alguém ou algo não implica em estar aprisionado. Estar livre, por sua vez, não necessariamente implica em negar nossos compromissos e responsabilidades, mas reafirmá-los por meio da alegria dos encontros, sentindo nos passos que seguimos a presença do outro. Em outras palavras, a liberdade não implica em uma ação individualista, uma vez que a interdependência prevalece sobre a autonomia.

 

Ainda segundo Rolando Toro, a afetividade é, fundamentalmente, uma expressão de identidade. Pessoas que apresentam uma identidade fragilizada apresentam grande dificuldade em lidar com a diversidade, uma vez que nesse contexto as estruturas de seu ego se encontram em risco.

 

Ao promover uma abertura para o mundo, a afetividade não deixa de estar relacionada ao que podemos considerar como experiência estética. Através de encontros afetivos podemos descobrir o encantamento por uma pequena margarida, a majestade atemporal das pedras, o voo de pássaros em uma tela, o prazer de estar com o outro tendo no prazer do silêncio tanta coisa a dizer. Precisamos reaprender a sentir o mundo em sua totalidade para estarmos grávidos de beleza, transcendendo o meramente formal, aquilo que nos é dado de antemão em cores monocromáticas.

 



Formado em Pedagogia pela Universidade Federal do Ceará, poeta, escritor e facilitador de biodança em formação pela Escola Comunitária de Biodança (Ecombio)

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