ABEAD oferece orientações gratuitas para dependentes químicos e familiares durante crise da COVID-19

Ansiedade é um dos sintomas crônicos da pandemia, que aumenta fissura pelo consumo de substâncias; além disso, o isolamento social favorece o conflito nas famílias com dependentes, que precisam de apoio para saber lidar com a nova situação

A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD) está prestando orientação gratuita para dependentes químicos e familiares durante a crise do novo Coranavírus. A iniciativa conta com psiquiatras e psicólogos renomados, que compõe o corpo clínico da entidade, e que uniram forças para ajudar essa parcela da população num momento em que o mundo todo experimenta um cenário de tantas inseguranças e incertezas.

Renata Brasil Araujo, presidente da ABEAD, explica que essa ação solidária foi idealizada com o intuito de preencher uma lacuna: a dificuldade de acesso a serviços de saúde mental em tempos de isolamento social. “Compreendemos a importância dessa medida, mas não podemos fechar os olhos para as necessidades dos dependentes e dos seus familiares. A própria ansiedade, que é um sintoma crônico de toda a sociedade nesse tempo de pandemia, aumenta a fissura dos usuários de substâncias. Além disso, o confinamento é mais um fator que favorece o aparecimento de comorbidades psiquiátricas. Por isso, estamos oferecendo nosso apoio. É importante dizer que não se trata de um atendimento psiquiátrico com a prescrição de medicamentos. Nossa contribuição é no sentido de prestar orientações/ apoio online”, afirma Renata.

O serviço é oferecido todos os dias da semana, das 8 às 22 horas, de segunda a sábado, e das 8 às 21h, aos domingos. Os profissionais vinculados à ABEAD fizeram uma escala para atender às solicitações, que podem ser marcadas pelo telefone (51) 98503-6208. O atendimento dura 20 minutos e pode ser agendado até o dia 12 de abril.

O confinamento e a violência familiar

A vice-presidente da ABEAD, a Dra. Alessandra Diehl, chama a atenção para mais uma questão importante: a exaltação dos ânimos de membros de uma família que passam a ter um convívio mais intenso nessa situação de isolamento. “O confinamento é mais um ingrediente que dificulta as relações quando há casos de dependentes químicos em uma família. Todos estão reféns do distanciamento social e, para os familiares, surgem novos questionamentos: libero meu filho para sair para comprar substâncias?; permito que ele use drogas dentro de casa?; entre outras questões. Por isso, nesse período, esses familiares precisam muito de apoio profissional para saber agir nesse novo contexto de pandemia”, salienta Alessandra.

A orientação dos especialistas da ABEAD também vai contribuir para estimular as famílias a criarem suas próprias regras de conduta e convivência, nesse quadro de isolamento social. “Muitos pais dizem que preferem que os filhos usem drogas dentro de casa porque sabem onde eles estão e isto minimiza os riscos de estarem na rua correndo riscos de violência ou de estar em contato com a COVID-19. Esta afirmativa é apenas em parte verdade. Uma vez que, usar drogas dentro de casa é o mesmo que dizer que “estou ciente e de acordo com este consumo aqui dentro”. Obviamente os pais terão que ser capazes de lidar também com a agressividade gerada por este cenário. O que na grande maioria das vezes se torna caótico e não controlável”, ressalta Alessandra.

A psiquiatra acrescenta que é consenso comum que a violência doméstica está associada ao uso de substâncias e não tem sido observada somente entre usuários jovens. Pessoas acima de 50 anos que estão em vigência ativa do uso de substâncias também têm sido identificadas como uma população ainda sujeita a atos de violência intrafamiliar relacionada ao consumo de álcool, crack e outras drogas. “Um estudo do nosso grupo ainda no prelo, entrevistou cerca de 624 familiares que buscaram ajuda para a dependência química de seus familiares acima de 50 anos. Mais da metade já sofreram diversas formas de violência: verbal, física, econômica pelos seus filhos. Isto não significa dizer que as famílias devem se habituar a esta situação. Muitos pais e mães ficam de fato reféns de seus filhos, por medo, por culpa, por falta de informação adequada e por falta de acesso a tratamento para si e para seus entes”, diz Alessandra.

Nesse sentido, a ação solidária da ABEAD durante a crise do novo Coronavírus tem um papel importante: ajudar esse público a aprender a lidar com crises, se fortalecer para poder gerenciar decisões familiares nas quais não incluem mais a violência como forma de comunicação e principalmente a violência física entre filhos e seus pais.

Fonte: Lumiere Comunicação



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