A retomada às aulas e as incertezas dos profissionais da Educação

Apesar da autorização da retomada gradual de volta às aulas pelos governos estaduais e municipais brasileiros, mesmo com a adoção de protocolos de distanciamento e turmas reduzidas, os professores estão longe de se sentirem seguros.

Esse desconforto é compressível, visto que todo o ambiente escolar, desde os prédios, espaços, as turmas e salas de aula, a ludicidade, o currículo e o trabalho realizado pelos professores, promove o que hoje é tido como aglomeração.

Se pararmos para refletir, os protocolos de saúde além de irem contra a estrutura das unidades escolares, o distanciamento consiste em algo que surte efeito no desenvolvimento dos estudantes principalmente na educação infantil e séries iniciais.

E de repente temos crianças que não podem nem se tocar nem interagir, com professores que também não podem tocá-las, onde o contato humano sempre visto como primordial hoje se torna proibido,  é uma situação absolutamente contrária às necessidades de desenvolvimento da criança.

Diante de todo esse dilema, não é simplesmente para as famílias e a sociedade se acostumar com o retorno das aulas, mas sim colaborarem na árdua tarefa de reinventar uma nova escola que garanta as condições saudáveis nesta fase de pandemia que não está encerrada.

Os professores, ao contrário do que muitos pensam, não estão retornando das férias; eles estão exaustos e com uma sobrecarga emocional e alta demanda de trabalho que também se torna um grande desafio para que a educação retome mesmo que em pequenos passos.

Ocorre que os profissionais da educação não poderão dar conta da pandemia sozinhos e que, se tem coisas que podem fazer, tem outras que não são possíveis, pois dependem única e exclusivamente da colaboração da sociedade.

Mais do que nunca, pais e escolas precisam estar unidos para que as futuras gerações sofram o mínimo possível o prejuízo educacional e evolutivo que a pandemia tem causada, e para isso, é urgente que a sociedade se conscientize que ainda estamos numa pandemia, os hospitais ainda continuam cheios, é necessário o uso da máscara e a adoção de todos os protocolos de higiene como o uso do álcool em gel, distanciamento, uso de materiais individuais.

Nesses primeiros dias de aula, notei que realmente nossas crianças estão dando um show de cidadania obedecendo todos os protocolos e mesmo num momento tão difícil, se preocupam com o próximo e nos trazem esperanças; mas o que mais me preocupa, é o pai que desce do carro sem a máscara, ou o que acabou de sair de um barzinho e foi buscar seu filho, ou simplesmente pais que ainda negam que a pandemia existe. Respeitando qualquer tipo de credo ou posicionamento, peço que respeitem a posição dos profissionais da educação. Eles estão lá com o coração aberto ( e sem prioridade nas vacinas) para que nosso futuro tenha algum sentido e seja melhor. Usem máscara, sejam exemplos. Se as escolas começaram a fechar, não são os pais que vão perder, são os alunos que vão sofrer na pele o grande prejuízo e atraso cognitivo.

Vamos ser mais humanos. Preservemos a nossa espécie, a começar pelo futuro.


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Pedagoga, Psicopedagoga, Folclorista, Escritora, Catireira- nascida e criada em Araçatuba, interior de São Paulo

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