A psicossomática e a histeria social

Inicialmente essa abordagem traz como premissa a impossibilidade em dissociar o corpo da mente, o que servirá de base para construir o estudo dos fenômenos emocionais que afetam o físico de forma coletiva.
A saúde mental, ou seja, as emoções e sentimentos estão ligados a vida psicossocial por sermos seres sociais e essa relação do “eu” com o outro, pode trazer questões emocionais de psicossomática quando as emoções influenciam a parte biológica (o ser físico – matéria). A forma com que o ser interage com o outro socialmente, impacta diretamente a sua psique. Exemplificando uma situação de estresse, que diminui a resistência das defesas orgânicas abrindo portas para consequências com danos a saúde biológica.


Vivemos uma era de liberdade com pouquíssimos limites, o que expostos ao extremismo e facilitado possibilidades de ações psicossomáticas com maior frequência dinamizando novas patologias. Nunca tivemos tanta liberdade de escolhas, porém quando escolhemos errado nos sentimos culpados. É uma era de muita informação e pouca formação, por isso a exposição a doenças está mais frequente. O avanço tecnológico vem diminuindo consideravelmente a forma de relacionamento onde consequentemente impacta na afetividade desconstruindo o contexto das relações mais humanizadas por formatações virtuais, frias e sem o calor da experiência presencial. Isso vem adoecendo a humanidade e a psique está a todo instante pressionada por uma plasticidade imprópria de sua natureza. Nunca estivemos tão conectados e ao mesmo tempo tão sós. Vivenciamos uma era em que: gosto de você, tudo bem, não gosto, bloqueio. Nossos filtros estão submissos ao click do “enter”. É nesse contexto que surgem as patologias motivadas pelo sentimento de rejeição, hostilidades, intolerância, insensibilidade e tantos outros desconfortos orgânicos e psíquicos. As pessoas estão sólidas e as relações estão líquidas conforme exposição de Zygmunt Balman.


Muitas de nossas reações são motivadas por manifestações de conteúdos recalcados em nosso inconsciente (traumas, rejeições, revoltas, medos, etc…) que se transferem para o organismo biológico e se apresentam em formas de dores de cabeça, vômitos, náuseas, enxaquecas, labirintite, etc… Isso também representa um desafio para os psicanalistas seja na adaptação do uso da linguagem, interpretação das queixas do analisando, entendimento das novas patologias, reestruturação de um novo contexto clínico, construção de uma nova dinâmica, um novo posicionamento, em fim o paciente é outro, logo o analista precisa se adaptar a essa nova forma de demanda e como lidar com ela.


Não incomum os pacientes chegarem a clínica se auto diagnosticando, afirmando está com fobias, síndromes, transtornos, distúrbios, em fim, o acesso rápido e prático a informações logo são consultadas e auto sugestionadas para se formar uma opinião que sustente um auto diagnóstico.


São mudanças motivadas pela ausência de comportamentos e hábitos saudáveis, oriundos das desacerbadas polivalência que ocasiona a síndrome do pensamento acelerado provocando desconfortos psíquicos que levam a depressão abrindo portas para as possibilidades do suicídio.


É preciso e necessário administrar o mundo particular do “eu” de cada pessoa e fortalecer a imunidade aos estímulos negativos externos.


Vale refletir sobre qual o valor da saúde frente aos valores e senso de prioridade que temos empregado a maior parte de nossa energia.


Nunca a psicossomática conectou tanto conteúdo conturbador entre a psique e a matéria, talvez isso explique o adoecimento geral da população que sofre por ação dos influxos inconscientes.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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