A caricatura de George Orwell em pleno século 21

Para quem se interessa por literatura indico um livro de George Orwell chamado de 1984, ele se passa em uma sociedade distopica  que tem como governante o partido, conhecido entre eles como Grande Irmão.

O livro se passa no ano de 1984, aonde ocorre uma revolução que acaba por criar o país Oceania, que estava em guerra com a Lestásia  mas esteve com a Eurásia, pelo menos é isso que o partido quer que eles saibam, o partido é um grupo de pessoas que controlam todo o país, tanto as informações quanto a historia documentada, nele havendo completo controle sobre as pessoas e suas emoções, o grande irmão é o comandante supremo do povo.

Dentro do país há os ministérios da verdade (responsável pela falsificação dos documentos, fazendo com o partido tenha sempre razão), paz (é responsável pela guerra), fartura (responsável pela fome, divulgando boletins exagerados fazendo com que acreditem que a população tem uma vida boa, mas na verdade racionam a alimentação) e amor (responsável pela espionagem e controle populacional) – uma ironia todos os ministérios serem antagonistas de seus nomes  – mas calma que a coisa ainda piora, em um dos ministérios trabalha o personagem principal que é responsável por modificar a historia e noticias quando há algum caso que vá contra fatos e ideias do partido, ele muda as metas de comidas e trabalhos quando não são atingidas, muda as noticias de anos atrás para tirar do registro pessoas que nunca existiram – claro que existiram, mas o partido as eliminou – e acaba por se rebelar contra o partido.

Dentre os itens que todos os cidadãos têm em suas casas uma delas é a teletela que seria um tipo de televisor que funciona na forma de câmara e televisão capaz de ver tudo que acontece em um ambiente e que não podem ser desligadas, apenas ter seu volume diminuído.

Isso é apenas um pouco sobre o livro, mas isso que foi exposto acima parece com dois países comunistas, a China e a Coreia do Norte, não há democracia nesses dois países e são governados por um partido, o partido de ideologia comunista e quem tenta entrar para a oposição corre sérios riscos de vida, como ocorre em 1984.

A ONG chinesa Dui Hua, que significa dialogo em chinês, monitora há 40 anos a situação chinesa e estima que há mais de 7 mil prisioneiros políticos sob custodia, fazendo assim da China o maior perseguidor de oposicionista político do mundo.

Nenhum país do mundo extermina uma população tão abertamente quanto a China,. Os uigures são muçulmanos que habitam a região de Xinjinang, próximo a fronteira com o Cazaquistão, como são uma religião que vai contra o “Grande irmão” o Estado persegue eles, para combater o crescimento dessa etnia, nos anos de 1990 o governo chinês passou a incentivar a migração da maioria étnica han, que passou a ocupar empregos em todas as áreas, fazendo com que o Uigures ficassem a margem da sociedade e na ultima década virou um crime contra a humanidade em plena luz do dia. Essa é a maior detenção étnica-religiosa desde que os nazistas perseguiram os Judeus durante a guerra.

O partido justifica que essa ação é para conter os terroristas, mas isso vai muito além do terrorismo, esta explicitamente que querem acabar com a devoção ao islã, como fazem com os cristões, porem a igreja católica aceitou ser interferida pelo Estado e assim “apenas” os que fazem missas clandestinas são perseguidos.

Nos campos de “reeducação” os Uigures passam por seções de doutrinação aonde são forçados a escreverem “autocriticas”, ouvirem e cantarem hinos em louvor ao partido, além de que os muçulmanos são considerados pacientes com problemas mentais, aonde necessitam de tratamentos agressivos e quarentena.

Para conseguir atender o que o partido pede e eliminar os Uigures eles são presos pelos mais diversos motivos, dentre eles deixar a barba crescer, recitar o alcorão em locais públicos, usar véu e até tentar parar de fumar e beber abruptamente – isso mesmo, se você quiser parar com o vicio você pode ir preso.

As mulheres que tem maridos “transgressores” também sofrem com as prisões, nos campos de concentração – como devem ser chamados – elas são esterilizadas, as que têm “sorte” de ficarem gravidas longe dos campos ficam expressamente proibidas de dar a seus filhos nomes de origem muçulmanas e quando não são condenadas junto com seus maridos o que fica da família passa a ser vigiado constantemente pela policia chinesa, que além de instalar câmeras nas casas – até parece com as teletelas do livro – pode ocorrer de um oficial passar o dia e noite em sua casa para vigiar, podendo em alguns casos ate dormir na mesma cama.

Além dos campo, a reengenharia social do partido comunista chinês envolve a separação das crianças de seus país, na “zona sem direitos” que a própria ONU tem ciência, opera o estado totalitário no mais estrito conceito da palavra.

Em nenhum outro lugar no mundo a população e monitorada tão assiduamente como na região de Xinjinang, nem mesmo na Coreia do Norte, até o ano de 2016 foram instaladas cerca de 160 mil câmeras apenas na cidade Urumqi, capital de Xinjiang.

Isso é apenas uma pequena parte de tudo que acontece na China, para quem leu o livro pode ver que são coisas que acontecem tanto na literatura quanto na vida real, como sabemos pouco do que se passa dentro da China podemos desconfiar de todos os dados da qual são mídia.

No ano de 2019 surgiu a Corona Vírus – COVID19 – da qual se iniciou na China e tornou-se uma pandemia global, grande parte dos dados que o partido resolveu compartilhar possuem indícios de fraudes, além da demora para expor tão acontecimento para o mundo.

Como todo governo autoritário, eles tentam passar uma imagem de um ótimo governo com índices altos de educação, economia, produção industrial e saúde, mas na pratica são em sua maioria populacional um povo que vive na miséria ou bem na margem da pobreza e os membros do alto escalão do partido possuem uma vida de luxos e riquezas, para apenas mostrar que seu governo comunista pode ser um exemplo para o mundo.

Mas essa etnia não é a única vitima da policia chinesa, em todo o território a vigilância e violência são perturbadoras e são ameaças presentes para todos. Com cerca de 850 milhões de usuários na internet, a população sofre estritas restrições e censura, aplicativos como Facebook, Twitter, Netflix, Telegram e Google são proibidos, serviços da Gmail, Blogspot, Twitch, SoundCloud, Flickr e Google Docs estão bloqueados. Assim com sites da Anistia internacional, Repórteres sem fronteiras, Freedom House, entre outros, já nos veículos jornalísticos nada escapa a BBC, HuffPost, The Guardian, The Economist, El País, The Intercept, entre outros, seguem censurados pelo grande Firewall da China, ao todo são 10 mil domínios censurados ou bloqueados, sendo assim o maior programa de censura da historia.

Para terminar  eu coloco um fato que pode estarrecer alguns ou a maioria, vocês devem conhecer o Score do SPC ou Serasa que mede o nível de confiança de um cidadão ao pagar suas dividas com empresas, e se eu te disser que na China há também esse Score mas de uma forma que classifica a idoneidade com base em dados de quanto é seu salario, como gastam esse dinheiro, compras online, seus antecedentes criminais e ate mesmo histórico de transito, entre outros dados que o governo e as empresas privadas possuem, tudo isso com a tecnologia a seu favor vigiando cada habitante e seus passos diários.

Esse sistema foi implantado em 2010 como um programa piloto, mas apenas em 2014 passou a vigorar como a construção de um sistema nacional de credito.

Com o objetivo expresso de promover os valores socialistas fundamentais, servir como crescimento e desenvolvimento dos jovens para fomentar a construção de sua integridade em sociedade e fornecer um leque gigantesco de serviços públicos e bem-estar. Mas o objetivo implícito em tudo isso é outro, como sabemos eles tentar criar os chamados cidadãos-modelo, aquele cidadão que não desafia o Partido Comunista, retirando deles qualquer influencia ocidental que possa destruir os hábitos chineses, promovendo assim a única identidade possível: aquela que o próprio partido determina.

“Se as pessoas mantiverem suas promessas, poderão ir a qualquer lugar do mundo”, diz um documento do governo. “Se as pessoas quebrarem suas promessas, não serão capazes de se mexer nem um centímetro”.

As classificações podem subir ou descer com base nas ações que uma pessoa toma na sociedade, como por exemplos, ao comprar itens para um bebê como fraldas e chupetas é sugerido que você tem responsabilidade com crianças e seus pontos consequentemente aumentam, mas ao comprar produtos como cerveja e cigarros em excesso eles diminuem.

As classificações de crédito social podem subir e descer com base nas ações de um indivíduo. A metodologia exata é segredo de Estado, mas há exemplos amplamente conhecidos.  Além de que pais com altas pontuações possuem mais chances de matricular seus filhos em escola referencia do partido do que pais com pontuações mais baixas.

Nessa distopia a pontuação alta pode te classificar como individuo-modelo e fornecer uma serie de vantagens – pequenas mas são vantagens, como por exemplo descontos em contas de energia, ofertas maiores em passagens aéreas, ótimas posições em filas de empregos e ate mesmo ter mais visibilidade em sites de namoro – isso mesmo, enquanto você paga versão premium de aplicativos eles bastam apenas ser um individuo-modelo para ter mais visibilidade em sites.

Em contrapartida temos os indivíduos com baixa pontuação e são classificados como indivíduos-problema, eles possuem uma dificuldade em obter qualquer vantagem como proibição de comprar passagens aéreas e de trens, não ser possível alugar casas nos melhores bairros e ate a suspensão de suas redes sociais – isso mesmo meu querido, você com uma classificação ruim não pode conhecer mais ninguém pelas redes sociais.

Em 2019, o vice-presidente norte americano em seu discurso fez uma observação sobre a china, ele comparou o modelo chinês ao sistema orwelliano com a simples premissa de controlar todos os aspectos da vida humana.



Paranaense, Estudante de ciências econômicas e historia, formado em Logística e MBA em gestão de projetos. Leitor assíduo de filosofia e politica.

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