A boa e velha ausência

Eu não publiquei um texto na última semana. Eu peço desculpas. Não foi por querer. Prometo tentar não fazer mais isso. Você sentiu falta? Eu senti sua falta. Por qual motivo sentimos falta? Você sente saudades de coisas, pessoas, momentos? Sente faltas e ausências por um motivo. Você só é capaz de sentir falta de algo que considere como sendo bom. E quando o assunto é um relacionamento abusivo? O que fazer sobre isso? E a falta, se sente?

A falta, a ausência são coisas comuns. Um pouco superestimadas atualmente, mas, todos, por menos que admitam, sentem. E isso não é exclusivo da nossa espécie. Várias outras espécies demonstram esse mesmo tipo de sentimento. Normalmente, deriva do afeto que se tem à coisa ou à pessoa em questão.

Entretanto, há uma classe de relacionamentos chamados de abusivos. E sempre existiram. Hoje são mais divulgados, esclarecidos e menos tolerados pelas pessoas. Particularmente, acho ótimo. Por motivo de que, como expliquei em artigos anteriores, a sociedade é composta a partir de um único indivíduo: você.
Pessoas que vivem num tipo de relação menos que sadia, constrói relações pouco sadias e proveitosas com outras pessoas, perpetuando o ciclo de violência no qual vive, tornando a própria vida e a de outros, um tormento. E isso é um pesadelo que parece não ter fim.

Relacionamentos abusivos não precisam, necessariamente, terem em seu repertório a violência física. Mas acontece e muito. Há uma porção de formas de um relacionamento poder ser considerado abusivo, e, a maioria das pessoas confundem com bem-querença, excesso de amor, ou qualquer coisa nessas linhas. Me perdoe, mas, não é nada disso.
Além disso, relacionamentos abusivos não ocorrem apenas entre casais. Ocorrem com frequencia entre pais e filhos, amigos, vizinhos, colegas de escola, enfim, qualquer tipo de relação que envolva duas ou mais pessoas.

Mesmo quando a pessoa em questão se livra dessa vida, ela pode parecer genuinamente sentir falta. Imagine o tamanho da devastação que esse tipo de relação causa em uma pessoa a ponto de ela se convencer de que aquilo é o que ela precisa, as pessoas que não entendem o que se passa.

Sabe o que consegue ser pior? Elas acreditam de verdade nesse tipo de coisa. Não por ser o modelo ideal de relacionamento, mas, por ter criado mecanismos de adequação e adaptação com o intuito de sobreviver àquela situação. Quando o problema se vai, o que fazer com toda essa preparação? Como tocar a vida adiante, se o que se tinha antes era toda a vida que se conhecia? Eis o grande problema.

E, antes que pergunte: não, não sou psicóloga formada e a intenção não é fazer uma análise psicológica do que ocorre dentro da mente de uma pessoa que sofre esse tipo de terror e sobrevive para contar a história. Eu estou contando essa história com a única intenção de que você entenda o que a cada dia se encontra com frequencia maior e  com menor idade nas escolas: sobreviventes de relacionamentos abusivos.

Pessoas cada dia menores, com uma vivência equivalente a 400 anos no Inferno de Dante. E cada um reage de uma forma. Há os que se isolam, os que se recusam a aprender, os que querem participar de tudo, os que têm comportamento agressivo, os que gaguejam, os que são extremamente sensíveis emocionalmente, bom, são os mais comuns. O ponto é que é fácil apontar o dedo em julgamento. Conhecer as razões que levam a um determinado comportamento ou forma de falar é o que a maioria se abstém de fazer.

Você tem noção do que é uma sala de aula cheia de pessoas que nem sabem dizer paralelepípedo três vezes rápido sem se embolar e ter que lidar com esse tipo de violência, a qual sequer é reconhecido por eles como violência, por ser tão naturalizada no contidiano?

Consegue imaginar o tipo de trabalhos paralelos de recuperação de autoestima e adaptação social que são necessários? Já parou para imaginar que cada qual tem um conjunto de necessidades específicas distintas em tudo umas das outras, em dosagens diferentes e, muitas das vezes, recorrerem ao professor e/ou outro profissional da escola com que têm mais afinidade para buscar ajuda, quando têm forças suficientes para esse tipo de coisa? E tem gente que pensa que a escola é item de museu… essa gente inventa cada coisa!

Às vezes, o simples ato de ouvir com atenção e intenção de demonstrar que está presente para aquela pessoa já muda todo o jogo para ela. Para você, foram apenas quinze minutos, para ela, um Monte Fuji-Yama foi removido de seus ombros. Na dúvida, se pergunte: qual a coisa mais gentil que posso fazer por essa pessoa nesse momento? E faça. Mas faça de coração, sem esperar algo em troca. Você pode ter salvo uma vida de várias formas em apenas quinze minutos.  Seja o herói de alguém, jovem, maduro ou idoso, não importa. Apenas seja gentil, por favor.



Estudante da vida e suas conexões, professora por ofício e vício, pesquisadora por necessidade, ajuda as pessoas a atingirem suas metas de modo personalizado, barato e sem justificativas usando a Educação como principal ferramenta.

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