A arte da seletividade

É mais que evidente, que somos resultados de tudo aquilo que cultivamos.  Somos o que decidimos, somos o que comemos, somos as companhias que conservamos, o ambiente que frequentamos, os sentimentos que nutrimos, as leituras que exercitamos, os objetivos que definimos, em fim, as atitudes e pensamentos que motivam nossas preferências e escolhas.  Mas para construir nossa essência foram adotados critérios com base em valores ? ou tudo foi absorvido sem o filtro do bom senso ?  Essa é uma prática que periodicamente  devemos repensar, sob o risco de comprometer toda uma construção.  Cada tijolo colocado sobre outro deve estar alinhado milimetricamente com o objetivo final.  Assim são nossas construções pessoais.  Um suposto amigo mal intencionado pode causar um grande dano em sua edificação, prejudicando inclusive seus valores, implodindo muito do que você levou um longo tempo para erguer.  Assim é o hábito de uma má alimentação que compromete uma vida. Os lugares que você frequenta dependendo da intenção, dizem muito sobre seus valores e são determinantes para imposição de respeito.  Seus pensamentos também são matéria prima nobre de sua personalidade e facilmente percebidos pelas pessoas, porque são nas atitudes que eles se manifestam, nisso consiste afirmar que nenhum pensamento está oculto.

Selecionar, pessoas, hábitos, pensamentos, valores, não significa necessariamente absorver uns e excluir outros, mas priorizar o mais saudável, aquilo que agrega valor na sua evolução como pessoa.

Existem muitas coisas que se forem levadas ao pé da letra e abominadas por completo, corremos o risco de em um determinado momento da vida, nos debruçarmos sobre a mesa da solidão em uma pequena ilha distante do mundo real.  Porém podemos articular nossa vivência trabalhando um filtro sutil e refinado de forma a deixar passar também substâncias pouco desejadas para que não nos distanciemos do exercício do perdão, da tolerância, da resiliência, da empatia.  Tudo isso sem perder a auto identidade nem abrir mão do bom senso, mas adotando critérios conscientes considerando a predominância  naquilo que nos faz bem a mente e ao corpo.

Nem todas as pessoas fazem bem a nossa essência.  Nem toda alimentação garante saúde.  Nem todos os lugares são recomendados.  Nem todo pensamento emana boas energias.  Nisso consiste a máxima paulina: “Tudo posso, mas nem tudo me convém”.

A vida exige critérios, como mecanismo de defesa para nos proteger de tudo que nos ameaça e que nem sempre está à vista, por isso não é absurdo ser seletivo, ao contrário, a falta de seletividade banaliza nossa existência e torna medíocre a essência humana.

Nada tem origem no acaso.  O acaso é estéril, nada produz, logo não existe, por isso não podemos atribuir ao acaso fatos que ocorrem em nossas vidas, sejam eles agradáveis ou não, o fato é que muitas vezes nos tornamos vítimas da falta de seletividade e não nos damos conta por negligenciar critérios que deveriam ter sido adotado em situações anteriores.

Se observarmos as pessoas bem sucedidas sob a ótica de uma boa qualidade de vida, é unânime verificar que elas possuem um nível de seletividade acima da média, fato esse que a faz pensar diferente, enxergando o que uma maioria mediana não percebe.  Elas são mais cultas não apenas pelos livros que leem, mas pelas pessoas que a cercam, pelos lugares que frequentam e consequentemente pelos pensamentos que produzem emanando ideias inteligentes sob perspectivas pouco percebidas.

A arte da seletividade é inata a todos, pois por natureza ela se manifesta sutilmente em diversas situações, cabe ao bom senso nutrido de valores salutares, refinar essa faculdade tão essencial a nossa psique.

Seletividade é uma das manifestações da inteligência.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

Diga-nos o que achou do post: