A arte da seletividade II

Inicialmente é necessário filtrar alguns estereótipos para entender de forma mais lapidada o conceito de seletividade dentro do contexto que iremos abordar.

Seletividade no tocante ao contexto da abordagem aqui proposta, está ligada a qualidade de vida, saúde mental, autoconhecimento, nobreza de espírito, boas energias, inteligência emocional, bom senso de prioridades, edificação moral e controle dos propósitos a que estamos engajados no sentido de evolução da espécie humana.

Poderíamos tratar da seletividade da alimentação, dos lugares que frequentamos, dos hábitos que nutrimos, dos pensamentos que emanamos, em fim, de muitas vertentes que geralmente tem por objetivo a preservação do material, o que não implica ser menos importante, porém nossa reflexão está voltada para saúde mental e a influência das pessoas que convivemos, pois é nessa seara que poucas pessoas atentam.  Freud postulou: “Antes de se autodiagnosticar com depressão ou infortúnios, repense se não está rodeado de idiotas.”  Embora essa exposição conote uma certa agressividade, seu conteúdo não se furta a refletir o quanto nos permitimos sermos influenciáveis por falta de seletividade quanto as pessoas as quais credenciamos fazer parte de nossa vida.   Vale ressaltar que selecionar pessoas agregadoras, não significa colecionar inimigos.  Nesse hiato cabe a forma hábil de tomar a distância necessária daquelas pessoas que nocivamente representam uma ameaça a nossa saúde mental.  São pessoas que a todo instante falam mau de outras, julgam sem o menor critério, destilam comentários depreciativos a tudo e a todos e ainda colocam água em nosso chopp a toda hora.

Para evoluir, precisamos não remover as pedras em nosso caminho, mas desviar delas, assim é o rio que segue sua jornada por caminhos sinuosos, onde chega ao mar sem remover as rochas que encontrou pela frente.

Reflita sobre o que você tem agregado a sua essência extraindo das pessoas com quem convive.  O que elas podem construir de valores de forma a te tornar uma pessoa melhor.  Vale ressaltar que nem toda experiência ruim deixou de lhe trazer aprendizados e que a sua régua talvez não tenha medidas para julgar se o outro foi o autor dessas experiências negativas.  Talvez você tenha sido o protagonista de algumas experiências que você julgou ser o outro como culpado.

Isso não pressupõe tornar frágil nossos filtros seletivos, pois desde a primeira infância que o ser humano tende a agir conforme as pessoas de seu meio, porém há um momento na vida em que a maturidade em um processo natural constrói seu filtro seletivo, onde a maturidade edifica nossos caminhos, cabe a subjetividade de cada pessoa entender que em meio as conturbações da realidade atual, filtrar convívios é mais que uma questão de saúde, é uma condição vital.

Quando falamos de filtro seletivo em relação as pessoas de nosso convívio, envolve uma série de fatores que tocam nossos valores, crenças, educação, condições de vida, autoconsciência, visão do mundo e responsabilidades que o bom senso molda em nossas consciências.

Todos nós possuímos a faculdade da inteligência.  Não temos culpa do que fizeram conosco em nossa infância, mas temos grande responsabilidade em quem nos tornamos.

A arte da seletividade traz a responsabilidade em não nos sentirmos melhores que ninguém, mas melhores que nós mesmos a cada dia.  É necessário entender a seletividade como um processo de autopreservação no caminho evolutivo que cada um busca e não como uma casta superior a outras pessoas.  Nisso consiste o blindar nossa essência da vaidade, orgulho e egoísmo.

Em síntese, selecionar de forma responsável as pessoas de nossa convivência não é o pejorativo de separar o joio do trigo como nas parábolas, mas ter uma convivência social sabendo quem podemos realmente incluir em nossa história.



Mercadólogo, consultor comercial, teólogo, coach, psicanalista.

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